Jornal dos Desportos

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Entrevistas

É difícil diagnosticar o lugar de Angola

Avelino Umba - 30 de Julho, 2010

Hermenegildo Lopes vaticina bom resultado no Africano

Fotografia: Jos� Soares

Como decorreu o estágio na Alemanha e em Marrocos, visando os Campeonato Africano das Nações? Foi bom e, como recompensa, temos o regresso de mais duas atletas que estiveram na Selecção de Su-17, cujo número aumentou para dezoito, embora na altura existisse a necessidade de se diminuir a quantidade de atletas. Retirámos a Vitória Cruz, do 1º de Agosto, Madalena Valentim, de Juventude de Viana, e a de Benguela por situações escolares.Que ilação tirou depois da última triagem feita ao grupo que compete no Campeonato Africano das Nações?As quatro meninas, que estiveram em situação normal, fazem parte da Selecção Nacional de Sub-17. Tive uma fase de pelo menos duas semanas com jogos de controlo e procurámos encontrar aquilo que fizemos de bom. Felizmente, encontrámos algumas situações que merecem melhorar. Como está a vossa programação?Tivemos uma semana pré-competitiva que ajudou a definir, por exemplo, o que fazemos hoje e, provavelmente, amanhã. Em termos de postura das jogadoras, que garantias lhe oferecem?Temos tido algumas dificuldades, pois no nosso país esse escalão ainda é muita fraca, razão pela qual apenas existem quatro equipas no país, mormente, 1º de Agosto, Interclube, Maculusso e Juventude de Viana. Só para nos situar melhor. Em 2009, tivemos o campeonato nacional júnior feminino, que só participaram quatro equipas, todas de Luanda. É um escalão, no qual temos muitas dificuldades. Muitas vezes, dentro do grupo de jogadoras introduzidos, procuramos escolher aquelas que conseguem enquadrar-se de acordo com o que pretendemos.Qual é a esperança da participação de Angola no ‘Africano’?É difícil diagnosticar ou apontar um lugar nessa fase. Não podemos definir se vamos ficar nos três ou nos dois primeiros lugares, mas estamos cientes daquilo que fizemos até agora. A experiência diz-nos que podemos fazer um bom campeonato.   Quais as principais dificuldades enfrentadas durante a preparação?Dificuldades nunca faltam. Se no escalão sénior existem dificuldades, é pior nos escalões de formação. Não gostaria de apontar as dificuldades. Apenas devo dizer que quando nos deparamos com algumas dificuldades, devemos dar as soluções. É o que fazemos. Conseguimos o campo do Interclube e horários nocturnos, das 18 às 20 horas para treinar com todos os jogadores. São esses marcos de dificuldades que encontramos e lutamos para ultrapassar, embora consigamos alguns e outros não. Estamos cientes de que fizemos o nosso máximo e a nossa preparação está feita.   Como estão em termos de apoios?A Federação como órgão reitor pôs-nos à disposição daquilo que é possível, porque também estava a passar momentos nada bons financeiramente; fizeram alguma coisa que a sentimos e podem resolver e satisfazer o grupo, embora algumas coisas ficassem por se fazer. Não é uma questão de satisfazer as vontades das pessoas, mas as dificuldades assim obrigam.    Quais são as vossas perspectiva nesse Afrobasket?Diz um adágio popular que quem anda na chuva é para se molhar. Dessa forma, pretendemos fazer com que consigamos algo, uma vez que, nesse escalão, há dois campeonatos africanos não conseguimos sair do 10º e 12º lugar das épocas 2006 e 2008, respectivamente. É a razão pela qual, pretendemos lutar para passar a primeira fase, impreterivelmente, nesse campeonato.Quais são as prioridades de Angola nesse Afrobasket?É acima de tudo continuarmos a lutar para dar um passo maior no sentido de atingirmos os objectivos preconizados. Para tal, devemos ter formação contínua, pois sentimos que temos potencial suficiente para efeito. Agora, temos de continuar a lutar para que consigamos nas competições estar lá em cima, onde se consegue alcançar uma medalha ou, no mínimo, buscar outras grandes experiências para as competições seguintes. Assim sendo, preparamo-nos no sentido do grupo perceber que é importante competir bem para que não nos falte meios para que este grupo volte já apurado para a competição seguinte. Basquetebol viveos melhores diasComo caracteriza a qualidade do basquetebol feito em Angola?Comparativamente aos anos anteriores, o basquetebol de hoje em Angola tem ganhado as suas boas qualidades, visto que conhece os seus dias melhores com relação ao passado. Portanto, entre as equipas que estão na nossa série, em termos de trabalho, podemos estar acima do Quénia. O Senegal, Tunísia e o Egipto são selecções que estão bem organizadas nesse momento.A que se deve essa organização? Conseguiram fazer um excelente trabalho durante os últimos dois anos que lhes permitiu estar nessa competição. Mas ainda assim, mesmo com a nossa equipa construída e com potencial que temos, embora sem algumas qualidades exigidas das grandes equipas, isso depende também daquilo que se faz nos clubes, é um grande esforço um jogador evoluir para se manter a treinar todos dias.   Quer dizer com isso que há clubes que não conseguem fazer o que se faz na selecção?É verdade que há clubes que não conseguem fazer isso, porque têm muitas dificuldades em termos de materiais assim como potencial humano para trabalhar. Juntando tudo isso e perante essas selecções que se organizaram internamente nos seus países, também pretendemos chegar à montra do basquetebol africano de Sub-18.Quais são as principais causas do impedimento de crescimento da basquetebol jovem?Nesse sentido começo por fazer um exemplo: aquando da realização do campeonato sénior feminino, na cidade de Lubango, havia uma equipa júnior. O mesmo exemplo, temos a província de Benguela que há dois ou três anos tem cadetes que fazem bom trabalho, mas não aparecem com nenhuma equipa de júnior. Tudo isso é uma sequência, porque os jogadores competem na categoria de cadetes entre 16 e 17 anos de idade, pois os juniores começam com os 18 anos de idade. Onde vão esses jogadores que completam os 18 anos? Assim sendo, alguma coisa está errada e que deve ser corrigida. Afinal, qual tem sido o grande empecilho nesse sentido?A falta de investimento nos grandes clubes é o grande entrave. Uma boa parte dos clubes não têm escalões de formação em Luanda, por exemplo, para não falar no resto do país. É preciso que haja investimentos, incentivos, comparticipação dos empresários das províncias de todo país em conjunto com a Federação possam procurar patrocinadores que ajudem o basquetebol nessa faixa etária. Os jogadores desse escalão devem ser guiados em melhor condições relativamente aos cadetes, parceiros do júnior.Que estratégias se devem adoptar para a sua evolução?Voltaremos a fazer aquilo que deixamos de fazer: a prática do desporto escolar. É por ali onde devemos voltar a ter hegemonia. Em tempos, ouvi um responsável desse país a dizer que Moçambique conseguiu fazer um grande campeonato escolar com centenas de crianças. Isso é bom de se ouvir e também devíamos voltar a esse tipo de trabalho, porque é da quantidade que podíamos tirar a qualidade; para que nos próximos tempos, os clubes ganhassem mais traquejo, táctica e vontade de continuar com basquetebol.Nesse caso, o que falta para que este facto se concretize?Os treinadores dos escalões de formação, especialmente, os da categoria de cadetes, deviam estar mais unidos. O basquetebol feminino já conseguiu estar ao mais alto nível no país e em África há anos; já fez grandes resultados mundiais. Durante esses anos, houve alguma distracção nas pessoas que dirigiram o basquetebol. Se os actuais dirigentes estiverem atentos e apostem no feminino, a modalidade pode dar passos seguros e firmes. Isso só é possível se muitos integrantes procurarem mudar as mentalidades. >> Por dentroNome: Hermenegildo da Silva Lopes  Data de nascimento: 1.3.1966Naturalidade: Marçal Província: LuandaNacionalidade: Angolana Estado Civil: CasadoFilhos: QuatroPeso: 78 KgsAltura: 1,79 mDesporto ideal? Basquetebol e futebolPrato preferido: Funji de CalulúTabaco: Contra Bebidas: Um bom vinhoPoligamia: Respeito  Maior defeito: Teimosia Perfumes: Vários Cor: azulReligião: Católica Segue moda? NãoCalor ou cacimbo? Calor Princesa encantada: Minha esposa