Jornal dos Desportos

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Entrevistas

A experincia est a ser fantstica

Sardinha Teixeira - 17 de Setembro, 2011

Semba Miguel Tango, treinador principal de ginstica do Petro de Luanda

Fotografia: Kindala Manuel

Como surgiu a sua paixão pelo desporto e pela carreira de treinador?

Desde os oito anos, eu via meninos no bairro a fazerem saltos mortais na areia. Daí surgiu também o interesse em experimentar tais exercícios. Depois, um praticante de ginástica de nome João, do clube Petro de Luanda, ia a passar perto do local, gostou de ver o que fazia, não perdeu tempo, convidou-me para fazer parte da sua equipa. Fiz testes e aprovei. Fui atleta durante 11 anos. Hoje, sou treinador principal de ginástica do clube.

Tem sido um caminho difícil?
Sem dúvida. Mas não sou de desistir de desafios… Ao longo da minha vida, nunca virei a cara a desafios e actualmente também não. Gosto do trabalho que faço, apesar de não ser fácil gerir os constrangimentos que existem.

Como está a ser a sua experiência?
A experiência está a ser fantástica a todos os níveis. Além disso, estou num clube
que tem estruturas desportivas fantásticas. A prova está a ser excelente, quer pelo enriquecimento profissional, quer a nível pessoal.

Que tipo de motivações encontra para fazer o seu trabalho?
A vontade de ser profissional de ginástica foi muita. Para dizer a verdade, sempre foi um sonho.

Já alguma vez treinou equipas femininas e masculinas? Existem diferenças significativas no tipo de treino?
Sim. Para as meninas, exige-se mais o controlo, enquanto para os rapazes, é mais o poder da força.

Qual é a proporção entre meninos e meninas que procuram a ginástica como prática desportiva?
Temos um número muito equilibrado.

Enquanto treinador, sente que tem as mesmas condições de tratamento que os seus colegas treinadores de outras disciplinas?
Claro que não! Sou um treinador de uma modalidade recreativa dentro do clube. Por isso, os investimentos são diferentes daqueles que estão na alta competição.

Qual o actual panorama da ginástica nacional?
Reconheço que evoluímos bastante. Hoje, existem clubes que se dedicam à modalidade, que participam regularmente em competições promovidas pela Federação.

Como avalia o desporto nas escolas nos últimos anos?
O desporto escolar devia ter mais incentivos. O investimento é quase nulo. Penso que o desporto escolar deve ser a aposta. Senão vejamos: é na escola que estão todos os jovens, é na escola que estão os profissionais habilitados para dar início ao processo de treino nas primeiras etapas de iniciação e preparação desportiva, é também na escola que as crianças e jovens passam a maior parte do seus tempo e as famílias ficam descansadas relativamente à segurança dos seus filhos, e é também na escola que temos os recursos materiais necessários ao treino - pavilhão desportivo, bolas, balneários, etc. Depois de ultrapassadas estas etapas, qualquer jovem pode dar continuidade ao seu trabalho, quer na via da recreação, quer na via do alto rendimento. Se a sua escolha for o rendimento, pode dirigir-se ao clube com a sua modalidade e aí prosseguir o seu desenvolvimento como atleta.

Na sua opinião, quais as principais competências que um treinador deve desenvolver para liderar jovens e ter impacto positivo na sua vida?
Aquilo que o quero para mim é o que quero para eles. Ter a capacidade de sermos claros na mensagem que queremos transmitir.

O que se propõe realizar no futuro?
Aquilo que mais aspiro é poder ser profissional na área do treino. O treino, para mim, não é só aquele momento em que estou no campo com a equipa. É muito mais do que isso. É preciso analisar, pesquisar, conversar com os atletas, fazer trabalho individual de acordo com as suas características. Também é preciso dar uma olhadela sobre o que se faz lá fora, é preciso frequentar clinics ou outras conferências para se estar actualizado. Enfim, são muitas as vertentes do treino e se não sou profissional, fica apenas a vontade. Mas espero um dia, ainda, poder abraçar um projecto assim.

Que conselhos daria a treinadores que estão em início de carreira?
Que se apaixonem por aquilo que fazem, porque depois vem o resto. O conhecimento e a sua aplicação prática vêm com a experimentação e com a dedicação consciente ao longo dos anos. Agora, a paixão e a entrega ao trabalho vêm de um sentimento que não se adquire em nenhum curso ou acção. Vem de dentro de nós. Conversar com colegas mais experientes ou da nossa geração, e procurar encontrar os motivos para ser melhor. Devemos também estar sempre atento aos sinais que nos dão os jovens que treinamos, no sentido de ir ao encontro das melhores respostas para o trabalho que desenvolvemos.

Quem é quem

Nome: Semba Miguel Tango
Data de nascimento: 28/10/80
Natural: Luanda
Estado civil: Solteiro
Nacionalidade: Angolana
Peso: 69 Kg
Altura: 1,89 cm
Função: Técnico de ginástica
Signo: Escorpião
Prato preferido: Arroz com feijão e frango frito
Fuma: Não
Bebida: Sumos naturais
Filmes: Românticos
Música: Semba
Droga: Contra
Melhor país: Angpla
Melhor cidade: Luanda
Casa própria: Não
Carro: Não
Zona de lazer: Esplanada, Praia
Cor: Azul
Religião: Protestante
Tempos livres: Leituras e jogar futebol
Maior sonho: Levar a selecção aos Jogos Olímp