Jornal dos Desportos

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Entrevistas

A grande capit do andebol angolano

Simo Kibondo - 06 de Março, 2013

Elisa Webba entrou no desporto por influncia de uma amiga

Fotografia: Eduardo Pedro

Elisa Webba entrou no desporto por influência de uma amiga, que a levou para o Interclube. Mas a sua primeira paixão não foi o andebol, modalidade em que viria a notabilizar, mas o basquetebol. Chegou mesmo a fazer dois treinos na equipa da bola ao cesto do clube afecto à Polícia Nacional, na altura sob a batuta do técnico Raul Duarte. Mas, como os treinos se realizavam à noite, a mãe não permitiu que continuasse e essa mesma amiga levou-a aos treinos de andebol que tinham lugar no chamado campo do Bota Fofo, no bairro Nelito Soares. Decorria o ano de 1980 e Elisa, então com 11 anos, passou a assistir aos treinos dados por um militar de nome Peterson, que era também treinador da equipa do Instituto Nacional de Educação Fisica (INEF) que estava a pesquisar atletas para se reforçar.

“Um belo dia, ao passar de novo pelo quartel do Neves Bendinha, convidou-me para ir treinar no INEF, onde fiquei durante o ano de 1982, tendo além de Peterson, recebido treinos do falecido Armando Kulau e Manuel Ordenã”, afirmou. Segundo ainda, Elisa Webba, e
Em 1984, com o encerramento do INEF, o professor Manuel Ordenã, que na altura estava a fazer a recruta na Base Central de Reparações (BCR), levou a maioria das atletas da instituição de ensino médio especializado para aquela equipa militarl.

“Na BCR, o professor Manecas, também já falecido, juntou-se a Manuel Ordenã, formando a dupla de técnicos que fez com que permanecesse naquela equipa de 1984 a 1989, quando a BCR fechou e passei para o Petro de Luanda, já no consulado do professor Beto Ferreira, com quem fiquei até acabar a minha carreira”, concluiu. Hoje com 43 anos, Elisa Webba recorda com orgulho a carreira no andebol, tanto a nível de clubes, em particular o Petro de Luanda, como da Selecção Nacional, em que envergou várias vezes a braçadeira de “capitã”, o que serviu de base para a função que ocupa no Departamento de Andebol do Petro Atlético de Luanda.

PALMARÉS
Uma carreira
“abençoada”


Elisa Webba considera-se uma jogadora “abençoada” pelo facto de ter conseguido, ao longo da sua carreira, participar em todas as competições em que qualquer atleta almeja estar presente, tendo conquistado 15 campeonatos provinciais e 14 nacionais nas equipas por onde passou. A nível internacional, destacou-se 10 títulos que o Petro Atlético de Luanda conquistou na Taça dos Clubes Campeões africanos de andebol, outros tantos na Taça Babacar Faal. Participou também em sete Taças das Nações, no mesmo número de edições do Campeonato do Mundo e em três Jogos Olímpicos - os de Atlanta (EUA), Sidney (Austrália) e de Atenas (Grécia).

Webba recorda-se com bastante dos anos de muita convivência e amizade que partilhou com jogadoras da sua geração. Para Elisa, é difícil eleger um momento especial durante a longa carreira desportiva, tendo em conta as muitas alegrias que viveu no andebol, sem nunca ter descurado a sua formação académica e os aspectos, sendo corista na sua igreja. Terminado o Curso de Educação Física, começou a dar aulas. Hoje, além de se ocupar de actividades administrativas no departamento de Andebol do Petro de Luanda, a partir de um gabinete no Catetão, reserva algum tempo para jogar andebol nas velhas guardas


PING PONG
“Modalidade está muito mais rápida”


Jornal dos Desportos - Que diferenças existem entre o andebol praticado no seu tempo a o de agora?
Elisa Webba - Agora está muito mais rápido, as atenções estão mais direccionadas para o ataque, mas o resto é igual.

Como vê o estado do andebol angolano?
Está a evoluir bastante, mas tem um grande problema: surgem novos valores, mas a maioria das atletas não consegue chegar às equipas seniores porque há poucos clubes com esse escalão.

Se a convidassem para jogar andebol agora, aceitava?
Já não, por várias razões: aumento de peso, idade e lesões.

Tem algum sonho em relação ao andebol angolano?
Continuar com a hegemonia da modalidade em África, mantermos a veia de campeões, sem esquecermos que os atletas é que proporcionam o espectáculo e por isso tem de ser bem tratados e motivados.

Quer deixar algum concelho às andebolistas angolanas?
As grandes glórias conquistadas pelo andebol angolano deveram-se ao respeito, dedicação, honestidade, humildade, coragem, persistência, força de vontade e motivação.


POR DENTRO
Nome Completo:
Elisa Manuela Brito Webba Torres
Filiação: João Ernesto Webba e de Francisca Morais de Brito Webba
Local e Data de nascimento: Luanda, 25 de Maio 1969
Estado civil: Casada
Filhos: Uma
Altura:1,81 m
Peso: “O peso da mulher é segredo.”
Calçado: 42
Cor preferida: Azul
Prato preferido: Arroz de tomate com peixe frito e salada
Bebida: Água
Tempos livres: Ler e estar com a família
Cidade: Lubango
País: Cuba
O que mais teme: A falsidade
Religião: Protestante
 Clube do coração: Petro
Já alguma vez mentiu? “Algumas vezes foi preciso para poder resolver a situação do momento”.
Desejo/sonho: Harmonia entre as pessoas.