Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"A mais representativa xadrezista huilana em Luanda"

Joo Francisco - 09 de Março, 2013

A xadrezista Ana Baptista Gonalves

Fotografia: Jornal dos Desportos

A xadrezista Ana Baptista Gonçalves, ou simplesmente Ana Isabel, apesar de se encontrar temporariamente afastada dos tabuleiros por questões laborais, estudantis e familiares, continua a ser a mais representativa jogadora da Huíla a residir em Luanda. Ana Isabel aprendeu os segredos de Caíssa (a ninfa que teria inspirado o deus romano Marte a criar o jogo de xadrez, sendo considerada a deusa da modalidade), por influência dos tios António Ernesto, dirigente do xadrez na Huíla, e Manuel Fernandes, profissional de informação que trabalha na direcção da Angop na mesma província, quando tinha os seus oito anos.

“Via os meus tios jogar e acabei por gostar e aprender o ABC do xadrez. Depois disso, eles, principalmente o meu tio António Ernesto (Toi), que foi o meu primeiro treinador, prepararam-me durante o tempo que vivi no Lubango, onde fui várias vezes consecutivas campeã provincial, tendo representado a Huíla nos Campeonatos Nacionais até 1995, ano em que me transferi para Luanda ”, disse.

“Joguei com quase todas as campeãs nacionais as campeãs"

Em 1996, Ana Isabel joga a sua primeira época oficial em Luanda, representando os Persistentes, passando pelo GD Epal e pela Escola de Mestres, tendo integrado a selecção nacional olímpica feminina de 1998, que disputou a Olimpíada de Xadrez na República Russa da Kalmykia.

“As primeiras campeãs nacionais de xadrez são quase todas jogadoras da minha geração e joguei com elas, a começar pela primeira campeã nacional que foi Paulete Cabral, que venceu a prova em 1987 no Tômbwa (Namibe), a Adelaide Pereira em 88 e Engrácia de Jesus em 89, ambas no Lubango, em que obtive a terceira posição nesta última prova”, afirmou. Em Angola foram disputados 25 Campeonatos Nacionais femininos. No de 1996, apareceu apenas a campeã, Flora Afonso, para defender o título, que lhe foi atribuído.


MOMENTOS

Olimpíada e vitórias diante
das benguelenses nos nacionais

Para Ana Isabel, os momentos mais emocionantes da sua carreira xadrezista viveu-os quando venceu uma das favoritas benguelenses, Flora Afonso, nos Campeonatos Nacionais, e quando foi integrada pela única vez na selecção olímpica feminina, que participou na Olimpíada na República da Kalmykia em 1998. “Recordo-me de uma das minhas vitórias diante de Flora Afonso num Campeonato nacional e da primeira participação na Olimpíada de xadrez, que me encheram de emoção e alegria”, revelou.  

Naquela altura qualquer das benguelenses eram “o alvo a abater” pelo facto de Flora Afonso deter o recorde de Campeonatos ganhos, com sete títulos (em 1996 - o tal que estava aprazado para a cidade do Namibe em que não houve prova – 97, 98, 99, 2000, 2001 e 2003). O reinado de Flora Afonso, que cimentou a hegemonia de Benguela no escalão feminino, depois da província ter feito o mesmo em masculino, com Nelson Rodrigues Ferreira (que desde os anos 90 fixou residência em Portugal), só foi interrompido algumas vezes pela sua conterrânea Sandra Venâncio (outra recordista), em 1997, que venceu igualmente a prova antes (1990, 91, 96 e 2008) e depois (2009). Maria da Luz, também de Benguela, venceu as provas em 1993/94.


NOS CAMPEONATOS NACIONAIS

Hegemonia luandense

As luandenses Eduarda Duarte, já falecida, que venceu os Campeonato de 1995 e de 2002, e Engrácia Jesus, com um segundo título em 1992, são das poucas que se intrometeram no reinado das benguelenses, quando a sua província era a principal praça do xadrez feminino.
As xadrezistas da capital quebraram a hegemonia benguelense através também de Valquíria Rocha, que nos primeiros anos representou a Escola Macovi e que agora está na Epal, ao vencer três Campeonatos Nacionais consecutivos entre 2004 e 2007. A seguir vêm Nelma Lopes em 2009, Sony Rosalina (2010, 2011 e 2012)


PING PONG
“Há poucos
torneios femininos”


Jornal dos Desportos: Ainda joga xadrez?

Ana Isabel: Parei em 2004 por razões profissionais e de família. O último Campeonato Nacional que joguei foi em 2002. Acho que agora devia haver mais competições, principalmente para o escalão feminino, para aumentarmos os índices de participação e extrair daí a qualidade.

JD: O que se precisa mais no xadrez?
AI: O projecto de introdução do xadrez nas Escolas tem que tomar outras proporções, passando pelas escolas do ensino de base. A modalidade deve fazer parte do currículo das disciplinas essenciais. O xadrez é um desporto “ciência” que não é cansativo, desenvolve a mente e associa-se facilmente ao desenvolvimento sócio-cultural, moldando a personalidade de quem o pratica.


POR DENTRO


Nome Completo:
Ana Isabel Baptista Gonçalves
Filiação: Octávio do Nascimento Carvalho Gonçalves e Josefina Fernandes dos Santos Baptista
Local de nascimento: Lubango
Estado civil: Vive em comunhão de facto
Altura: 1,58m
Peso: 52 kg
Calçado: 35
Cor preferida: Azul
Prato preferido: Funge de calulu
Sumos: Sumos
Tempos livres: Estar com a família ( brincar com os meus filhos) 
Cidade: Lubango
País: Caraíbas
Ídolo: Os meus pais
O que mais teme: Perder o amor dos meus filhos
Religião: Católica
Clube do coração: 1º de Agosto
Carro próprio: Sim
Casa própria: Sim
Alguma vez mentiu: Às vezes
Desejo/sonho: Ver Angola equiparada a um dos países mais desenvolvido do Mundo.