Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"A prova deve ser bem divulgada"

Muanamosi Matumona - 30 de Outubro, 2009

Emanuel Cardoso, jornalista da Rádio Uíje

Fotografia: Jornal dos Desportos

Como homem da informação, como avalia a divulgação do CAN na província?
Estou muito preocupado, pois, a nível local, não vejo nada de especial! Não há iniciativas que possam chamar a atenção do público. Na cidade do Uíje vejo alguns cartazes, mas que não são grande coisa, pois é algo muito reduzido, tendo em conta a dimensão da Taça Orange Angola’ 2010. Penso que as estruturas que estão melhor situadas deveriam fazer mais, muito mais, para cativar o público, que até merece muito mais, uma vez que é um povo que gosta de futebol. E mais: Uíje não é só a cidade capital. Temos municípios que também fazem parte da província, mas que não são referenciados, especialmente nesta altura em que o país se prepara para acolher um grande evento. Toda a província deveria estar já dentro do assunto, pois todo o povo do Uíje deve vibrar e puxar, mesmo que à distância, pelos Palancas Negras. Como o tempo vai avançando, deve-se pensar em iniciativas de grande alcance para animar o povo uijense, divulgando em grande plano a Taça de África das Nações.

Mas o público já sente algo em relação ao evento?
Claro que sente… Como é um povo que gosta muito do desporto, apesar de esta prática estar a atravessar uma crise quase profunda a nível local, nota-se que está bem entusiasmado. Porém, se houvesse uma participação muito mais activa das autoridades competentes, penso que o entusiasmo do público seria maior. Contudo, como estão as coisas, marcadas por uma monotonia muito visível e “chata”, vejo que falta muito para que haja êxito neste âmbito. Já que ainda não chegamos à altura certa, espero que surja, nos próximos dias, uma mudança que possa alterar radicalmente o quadro actual.

Faz referência às autoridades competentes, às estruturas locais que estão a ser “apáticos”, etc… Pode ir directamente ao assunto, falando de quem se trata?
Neste contexto, com todo o respeito, podia sublinhar, por exemplo, a própria Associação Provincial de Futebol do Uíje (PFU), órgão que poderia assumir o desafio em todos os sentidos. Porém, por motivos de vária ordem, não consegue fazer nada neste sentido. Até agora, não se vê qualquer luz no fundo do túnel. Absolutamente nada, pois tudo está parado e ninguém diz nada, ninguém faz nada. Hoje, estando o país mobilizado para a grande festa, a APFU deveria reagir, com projectos ambiciosos, para fazer sentir que o futebol é mesmo uma grande festa, sobretudo quando se trata de uma prova como a Taça Orange Angola’2010.

E a imprensa desportiva local?
Estamos a fazer tudo, trabalhando, segundo as nossas possibilidades, pois, divulgamos, com a colaboração da RNA, em particular da Rádio 5, a partir de Luanda, tudo o que diz respeito à prova. Vamos informando o povo, que vai, assim, acompanhando os preparativos. Mas, penso que o que estamos a realizar não basta, pois precisamos também da colaboração dos outros para que haja maior sucesso. Assim sendo, a imprensa desportiva, a nível local, pode ser compreendida e “perdoada”, pois caso haja fracasso em termos de divulgação da competição na província do Uíje, a culpa não será dos jornalistas desportivos locais, que estão a trabalhar de acordo com as suas possibilidades. Ainda neste capítulo, a imprensa vai criticando, no sentido construtivo, quem não está a colaborar a nível provincial. Penso que isto já é muito positivo para a imprensa desportiva local.

Ao insistir neste tipo de discursos, que iniciativa pensa que poderia elevar o moral do público uijense?
Estou a pensar, por exemplo, na distribuição do material como chapéus, camisolas, e outras lembranças; organização de debates, fórum; visita de alguns membros do COCAN para falar da Taça Orange Angola’2010 ao povo local, etc. Quer dizer, iniciativas muito simples, práticas e ambiciosas, capazes de sensibilizar e informar melhor o público uijense.

Como jornalista desportivo que avaliação e que futuro traça para os Palancas Negras?
Há sinais positivos que indicam um avanço, no plano desportivo. Já se nota o “dedo” de Manuel José a funcionar. Com o tempo, a equipa vai ganhar maturidade, lucidez, entrosamento, e confiança. Isto é muito positivo. Quando chegar a 70 por cento daquilo que o treinador quer, os Palancas Negras terão um novo “rosto” e poderão realizar uma campanha muito positiva, que vai agradar à nação.