Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

A regressar ao girabola em 2011

Avelino Umba - 10 de Agosto, 2010

Stopira quer ajudar o Progresso a voltar aos tempos aurios

Fotografia: Adolfo Dunbo

Que avaliação faz da sua vida como futebolista?É uma avaliação muito positiva.O 1º de Agosto foi a equipa que me formou e, por razões de força maior, tive de me transferir para o Sagrada Esperança da Lunda-Norte. Passei por momentos agradáveis, tanto no 1º de Agosto quanto no Sagrada Esperança.Guardo boas lembranças, sobretudo do tempo em que joguei pelo 1º de Agosto, clube onde a camaradagem, a irmandade e, acima de tudo, a amizade eram apanágio. Que lembranças?Foram muitas.Se fosse a enumerá-las, dava para escrever um livro.Acredito que no Jornal dos Desportos não há espaço para tanta coisa boa (risos).  Que motivos o levaram a assinar pelo Progresso, quatro anos depois de representar o Sagrada Esperança? Tinha um contrato de quatro anos e, quando o mesmo terminou, achei por bem terminar a minha prestação com as cores da equipa diamantífera, tudo num clima de paz.Queria voltar a Luanda e ficar próximo da família, algo que há muito tempo não acontecia. O Sagrada Esperança viveu problemas de incumprimento no pagamento de contratos e salários aos futebolistas. Confirma essa afirmação? Como disse, nas duas primeiras equipas por onde passei, tive sempre paz, em todos os sentidos.Nunca tive problemas de maior, que me tirassem do sério.A situação que me coloca não ocorreu no tempo em que estive vinculado àquela colectividade. No meu tempo, nada disso havia, graças a Deus. O desejo gorado de voltar ao 1º de Agosto Falava-se em regressar ao 1º de Agosto ou ingressar no Sport Luanda e Benfica.Por que razão o acordo com uma destas formações não se consumou?Fiz de facto um estágio no Benfica de Luanda e, por motivos de vária ordem, não chegamos a um acordo. Foi por esse motivo que optei por assinar pelo Progresso Associação Sambizanga. E quanto ao 1º de Agosto?Era minha intenção voltar a jogar no 1º de Agosto, até porque gostaria de acabar a carreira naquela equipa, onde joguei durante muitos anos.Mas, como a filosofia actual da equipa é injectar sangue novo, nós, os mais velhos, conformamo-nos em ceder espaço aos mais jovens.Contra esse facto, não há argumentos.  Alguma vez se arrependeu de sair do 1º de Agosto?A minha saída do 1º de Agosto não se deveu a problemas ou outro motivo de que me pudesse arrepender mais tarde.Joguei durante muito tempo pela equipa militar e, como tudo tem o seu tempo, achei por bem terminar o meu vínculo contratual com ela num clima de camaradagem.Progresso só pensa em regressar ao Girabola Há quem diga que sua opção pelo Progresso foi de último recurso, já que tem idade avançada e nenhuma equipa no Girabola mostrou interesse em si.Não diria último recurso.Fui contactado pelo director-geral do clube, o senhor Tony Estraga, que me convidou para jogar pelo Progresso. Depois de analisar o projecto e a proposta, aceitei e assinei o contrato. Sinto-me satisfeito, pois carrego o Progresso no meu coração. Por quantas épocas assinou?Assinei para uma época, isso é, até Dezembro deste ano. Depois disso, só o tempo dirá se assino para mais temporadas ou mudo para outra colectividade.    O contrato satisfaz, uma vez que a equipa a que pertence é de segundo escalão?Acredito que sim, pois, se assim não fosse, não jogaria por esta equipa, até porque cada um fica onde se sente bem consigo mesmo. Acredita na possibilidade do Progresso regressar ao convívio dos grandes em 2011?O Progresso está há mais de quatro anos na Segunda Divisão e, como tal, a ambição de todos, começando pelo jogadores, técnicos e direcção, é subir à I Divisão em 2011. As baterias estão viradas para esse propósito.Acreditamos ser possível esse desiderato. Além de si, o grupo conta com atletas de referência, como Delgado e Anry Milenze. Acredita que vocês sejam uma verdadeira mais valia?O Progresso conseguiu formar um grande plantel. Tem um balneário de se lhe tirar o chapéu, que admiro, dada a mistura entre atletas novos e os mais experientes.O grupo está a fazer um excelente trabalho, com o único objectivo de regressar ao Girabola já no próximo ano. Confiança no sucesso dos Palancas Negras Acredita na possibilidade de ainda ser convocado para a Selecção de Futebol de Angola, agora na era Hervé Renard?Costuma dizer-se que "a esperança é a última a morrer", mas parece que as minhas esperanças acabaram, pois a nossa selecção está em fase de renovação.O seleccionador nacional tem descoberto novos valores, tanto no mercado nacional como internacional, o que considero um bom começo, porquanto vai fazer com que tenhamos uma selecção forte, capaz de jogar em pé de igualdade com outras do continente africano e até mesmo do mundo. O técnico nacional faz um autêntico trabalho de renovação. Como um dos jogadores mais antigos do futebol doméstico no activo, que comentário faz sobre a renovação de que se fala?O técnico está há menos de um ano à frente dos Palancas Negras e tem vindo a mostrar que vai conseguir fazer alguma coisa boa para o bem do conjunto nacional. Vamos dar tempo ao tempo, pois ele tem dois anos pela frente e renovar um grupo não pode ser do dia para a noite.Isso quer dizer que temos de ter calma e torcer para que o trabalho seja coroado de êxitos. "Vou jogar até quando não poder mais" De certa forma, embora reconheça que, a cada dia que passa, as necessidades tendem a aumentar. Ainda assim, duma ou de utra forma, garanto que o que ganhei dá para me aguentar. Quanto tempo ainda pretende jogar como profissional?Não tenho um tempo determinado, pois sou da filosofia do "General", o basquetebolista Miguel Lutonda, que mesmo com 39 anos de idade foi convocado para a Selecção de Angola. É o meu caso. Vou jogar até não poder mais. Nesta altura, garanto que ainda tenho físico para jogar. Se daqui a quatro ou cinco anos não poder mais, vou pôr um ponto final à minha carreira futebolística.  Depois de se retirar, o que projecta fazer?Sempre pensei no desenvolvimento do futebol. Para o efeito, estou a criar condições para enveredar pela carreira de técnico da modalidade.Tenho como guia o professor Mário Calado, que tem sido uma pessoa muito especial para a minha pretensão. Uma boa parte da geração a que pertenço está a pendurar as botas a cada dia que passa, mas se começamos, também terminamos. Se ontem terminou o Hélder, amanhã pode ser o Stopira e assim haverá a oportunidade para surgirem novos talentos. A vida é um ciclo. >> Quem é quem ... Nome: Edgar Jerónimo "Stopira"Data de nascimento: 25.12.1978Naturalidade: Rangel (Luanda) Nacionalidade: AngolanaEstado civil - SolteiroFilhos: Três meninas Peso: 74 quilogramasAltura: 1,69 metroDesporto ideal para si? FutebolPrato preferido: Bitoque Tabaco: Não faço usoBebidas: Água e sumoDroga: Um mal por combaterPoligamia: Nada contra, respeitaNúmero do calçado: 42Maior defeito: Ciúme Perfumes: Hugo bossCor: Azul Segue à moda? NãoCalor ou cacimbo? CacimboPrincesa encantada: A mãe e a esposa