Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"A seleco de hquei em patins pode surpreender no Mundial"

Augusto Fernandes - 12 de Agosto, 2013

companheiro de Mateus Gonalves, Lusa Fanony, Jos Rodrigues e Amlia Pombo.

Fotografia: Augusto Fernandes

João Armando entrou para o mundo do jornalismo em Portugal na altura em que frequentava o segundo ano da faculdade. Inicialmente escrevia alguns textos para o jornal da faculdade e como escrevia muito bem foi convidado a escrever para uma revista que falava sobre música denominada “Clip” do grupo Impala liderado por Jacques Rodrigues.

De regresso à pátria em 2007, João Armando não tinha intenção de continuar no jornalismo. Entretanto “como o meu pai, que fazia o programa `Sábado Contacto’ para a LAC, tinha falecido, o Juca Romero apercebeu-se da minha presença em Angola e convidou-me logo para substituir o meu pai no programa” diz João Armando. Assim o nosso entrevistado passou a fazer parte da família daquela estação de rádio.

Inicialmente, limitava-se a fazer o programa aos sábados. Posteriormente foi-lhe feito o convite para fazer as manhãs de segunda-feira e acabou no “Taxi Amarelo”. Entretanto, ainda nas terras de Camões João Armando fez jornalismo desportivo em 1988 no projecto intitulado “Semanário Desportivo” com jornalistas portugueses, entre eles João Querido Manha e Daniel Reis. Depois trabalhou na secção dos desportos do jornal “Expresso”, no “Correio da Manhã”, Rádio Comercial e colaborações nos jornais “A Bola” e Record. Dai a sua vasta experiência no desporto.

O homem
do desporto na LAC

Mateus Gonçalves, outro gigante do jornalismo desportivo em Angola, sabia da vasta experiencia de João Armando e convidou-o a fazer parte do elenco que fala sobre desporto: “desde aquela data até hoje estou ligado à equipa do painel desportivo da LAC e faço todas as coberturas desportivas da LAC. Embora a LAC não seja uma rádio desportiva, faz coberturas desportivas no país e no Mundo. “Temos seguido de perto os CAN, Mundiais e outros acontecimentos desportivos importantes. Neste momento estamos a preparar a cobertura do Mundial de Hóquei que o nosso país vai organizar em Setembro próximo” disse. O nosso entrevistado diz que se sente muito bem na LAC e não se imagina a trabalhar fora dessa família.

Palancas negras
Mau momento do futebol angolano


Quisemos saber a opinião de João Armando sobre o que realmente se passa com o futebol angolano ao que respondeu: “um dos grandes e graves problemas do nosso futebol é a falta de plano a longo prazo. Quando não há formação de verdade, com formadores qualificados, com infra-estruturas de qualidade dirigidas à formação, um orçamento, o resultado é o que está a acontecer com o nosso futebol”. João Armando diz que “um dos grandes problemas dos nossos jogadores é o porte físico.

Por exemplo, se o Job tivesse recebido as cargas devidas na fase dos juvenis, com alimentação e vitaminas apropriadas, acompanhamento médico e outras condições propicias para a formatação de um jogador, tínhamos um atleta com potência para jogar em qualquer clube grande do mundo. A maior parte dos nossos jogadores da selecção tem um porte físico pequeno em comparação com jogadores nigerianos, marfinenses, camaroneses e outros. O porte físico é fundamental para conseguir bons resultados.”

 João Armando diz que “ em 2006 Angola era o 40º no Ranking da FIFA, fomos ao Mundial e era de esperar que continuássemos a crescer. Mas veja o que aconteceu. De lá para cá estamos sempre a descer. Se tivéssemos planos a longo prazo esta situação já estava precavida e pelo menos podíamos continuar onde estávamos. Portanto se não se fizer um trabalho sério a nível da formação é impossível ter uma selecção de verdade. Assim, enquanto estes problemas não forem resolvidos continuamos a ter uma Selecção Nacional muito deficiente.” E prosseguiu: “temos primeiro de apostar no homem e depois nas infra-estruturas e não fazer o inverso porque de nada nos servem as infra-estruturas se não tivermos quem as use convenientemente.

Girabola 2013
Kabuscorp tem sido mais eficaz

Do Girabola 2013, é de opinião que “ com as duas últimas derrotas do Bravos do Maquis, o titulo do Girabola é disputado a dois entre o 1º de Agosto e o Kabuscorp do Palanca. Mas atenção: a experiência mostra que normalmente quando se atinge a 19ª jornada a equipa que está acima dos 45 pontos normalmente é campeã. Têm de acontecer muitas anormalidades para que o Kabuscorp perca este campeonato. Além disto, da mesma forma que o Kabuscorp pode vir a perder pontos o mesmo pode acontecer com o 1º de Agosto e em termos de eficácia, o Kabuscorp tem sido melhor que o 1º de Agosto”.

 Prosseguiu: “com os pontos de vantagem e a motivação dão aos jogadores palanquinos muita força e vai ser extremamente difícil ganhar-lhes. No jogo entre si, o 1º de Agosto pode roubar três pontos ao Kabuscorp, mas mesmo assim fica longe do líder e a partir daí os militares passam a depender de terceiros” afirmou. Em relação a má classificação do Petro de Luanda, João Armando é de opinião que “o Petro de Luanda vive um momento de instabilidade. A mudança de direcção e a sua estrutura administrativa, as chicotadas a Maksimovic e a Miller Gomes estão a contribuir negativamente no rendimento da equipa. Creio que deviam continuar com o processo de renovação iniciado por Maksimovic.

Em vez disso, a equipa recorre a jogadores mais velhos para solucionar os seus problemas. No meio campo do Petro jogam Chara, Osório e Gilberto. Os três juntos somam quase cem anos”. Este ano as coisas não estão a correr muito bem para algumas equipas de Luanda nomeadamente o ASA, Benfica e o Santos. “Temos de ter em mente que algumas equipas das províncias estão a crescer muito em termos financeiros e organizacionais. Isto sem dúvida faz com que o despique entre as equipas da capital e das demais províncias seja mais realista, mais verdadeiro.

PERGUNTAS E RESPOSTAS
Naturalizações escondem algumas verdades

Jornal dos Desportos: Angola vai realizar o primeiro Mundial de Hóquei em Patins em África em Setembro próximo. O que espera do “cinco” nacional?
João Armando:
Creio que se está a fazer muita pressão sobre a equipa. Por isso acho que se deve retirar a pressão. Temos de ter calma, porque temos excelentes jogadores. É preciso reconhecer que existem selecções muito fortes que podem dificultar as nossas pretensões. Primeiro temos de criar as condições de chegar às meias-finais vencer o Chile e depois a Itália ou Moçambique. Portanto se não houver muita pressão a nossa selecção pode surpreender.

JD: A Selecção Nacional de basquetebol que este mês vai disputar mais um Afrobasket tem hipótese de ganhar o título?
JA:
Acredito que ainda somos os melhores de África. Aquilo que aconteceu em Antananarivo em 2011 foi um percalço ultrapassado e que começou com uma má preparação. Naturalmente temos de ficar de olhos na Tunísia, Nigéria, Camarões e outras equipas que tudo vão fazer para impedir que resgatemos a coroa perdida em 2011.

JD: O que tem a dizer sobre a naturalização de jogadores para potenciar as nossas selecções?
JA:
Em princípio isto não me aquece nem me arrefece porque é assim em qualquer parte do mundo. No entanto temos de olhar para o futuro, porque as naturalizações acabam por esconder algumas verdades que depois se não forem resolvidas a tempo podem dar resultados catastróficos. Por isso devemos ter planos a longo prazo nas camadas de formação em todas as modalidades.

POR DENTRO
Nome completo:
João Armando Ferreira Neves
Filiação: João Abel e de Ana Cristina
Nascimento: Ingombota (Luanda), a 25 de Abril de 1964
Estado civil: separado
Filhos: um
Altura: 1,69m
Peso: 82 kgs
Calçado: 41
Tempos livres: Sentar-se com os amigos a falar sobre desporto e ler
Música: Toda a que for boa
Filmes: Filmes que me façam sentir bem disposto
Prato preferido: Um bom calulú de peixe grosso
Bebida: Cerveja
O que mais teme na vida: Que o meu filho não seja feliz
Homossexualismo: Para a minha geração é difícil aceitar isso. Mas cada um tem a liberdade de escolher como levar a vida…
É ciumento? Todos são
Às vezes recorre à mentira? Há mentirinhas que nos fazem felizes
Cidade Angolana: Apesar da confusão e dos entretantos gosto muito de Luanda.
País que gostava de conhecer: Austrália
Clube do coração: Benfica de Lisboa e Petro de Luanda
Sonho: Que eu e o meu filho sejamos muito felizes.