Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Acredito que seremos campees

Manuel Neto - 16 de Outubro, 2010

Nari trinco do Interclube

Fotografia: Nuno flash

Quando começou a jogar futebol a título oficial?
Comecei nos iniciados do Petro de Luanda, incentivado pelo meu tio, vulgarmente conhecido por Miúdo Chico, na altura jogador daquela equipa. Infelizmente, por vários motivos, fui obrigado a desistir. Tempos depois, com a abertura da Escola da Fesa, eu e o Stélvio (filho do Ivo Traça, antigo futebolista do 1º de Agosto) entramos para os juvenis daquela agremiação, onde fiquei uma época.
Posteriormente rumei para Portugal, com o objectivo de continuar os estudos e a carreira desportiva.

Fale da experiência que teve no futebol português...
Foi proveitosa, uma vez que pude aliar os estudos à carreira desportiva. Aprendi muito, ao passar pelos escalões de formação da equipa do Oliveira do Douro (Porto), da Terceira Divisão. Posteriormente joguei, já como seniores, pela formação do São Juanense, da II Divisão daquele país, até a altura em que fui solicitado a vir para o Interclube.

Em que posições jogou nas equipas em que passou? Diz-se que você é polivalente...
Sou. Sei jogar a ponta-de-lança, a extremo e a lateral. Actualmente jogo como trinco, lugar que faço com destreza e, graças a Deus, tenho me saído bem. Com muita humildade, tenho dado um contributo valioso à minha equipa.

Enfrentou dificuldades no futebol português?
Não foram grandes, porquanto tive o suporte do meu pai, que me impulsionou bastante para conciliar o desporto com os estudos. Foi por esta razão que conclui o Ensino Médio em Gestão Autárquica. O apoio dos meus progenitores foi fundamental.

Quando ingressou no Interclube?
O Interclube estava interessado no Marco Airosa e, na altura, ele estava indisponível. Como tínhamos o mesmo empresário, este propôs ao Interclube o meu nome. Observaram o meu vídeo e, posteriormente, fui chamado à equipa. Fui treinando e, após uma avaliação dos técnicos, fechamos o negócio.

Fale do seu contrato...
Gostei. Deram-me uma residência provisória e penso que, com o tempo, poderei ter uma própria. Aliás, foi com o dinheiro do contrato que comprei a minha viatura.

Qual é a sua opinião sobre o presente Girabola?
Penso que está muito competitivo. Basta ver que, a faltarem poucas jornadas para o seu término, nada ainda está definido. Quando estivemos, pela primeira vez, em primeiro lugar, perdemos quatro jogos num ápice e baixamos muitos lugares. Isso desmotivou-nos bastante, ao ponto de não mais pensarmos no título. Posteriormente, unimo-nos, levantamos a cabeça e voltamos ao topo da classificação. Só isto, espelha a competitividade da prova.

Acredita no título?
Sim, porquanto somos uma grande equipa, que trabalha arduamente para atingir os seus objectivos. Apesar de a prova estar muito competitiva, acredito que seremos campeões. Digo isso sem desprimor para as outras equipas que também sonham com o ceptro.

Atleta defende maior
aposta na formação


Como foi recebido no Interclube?
Não esperava ser recebido de forma tão carinhosa! O Interclube tem um balneário muito forte e, aliado às suas excelentes condições de trabalho, facilitou a minha inserção no grupo.

Foi fácil conseguir a titularidade, uma vez que a equipa possui bons trincos?
Diz muito bem que a equipa possuía e possui bons talentos, tal como o Romi (actualmente no Libolo), o Daniel, José Augusto e o Jojó. Ainda assim, sempre tive os pés bem assentes no chão, trabalhando com afinco e, graças a Deus, tenho sido bem sucedido. Penso lutar para manter a titularidade.

Quais são os seus objectivos como futebolista?
Em primeiro lugar, é ser campeão e continuar a fazer bons jogos. Quero trabalhar arduamente para ser chamado à selecção nacional, este é o objectivo de qualquer atleta.

Nunca foi cobiçado por outra equipa angolana?
Nunca. Caso houver uma equipa interessada em mim, só poderei a satisfazer depois de uma boa conversa entre o Interclube e ela. É certo que, de momento, só penso no Interclube, sobretudo pelas excelentes condições de trabalho que possui. As condições melhoraram não apenas para os seniores, mas também para as camadas jovens.

Mantém o sonho de jogar no exterior?
Sim. Qualquer atleta sonha jogar ao mais alto nível e eu não fujo à regra. Penso, um dia, jogar na Inglaterra, na Espanha ou na Itália. Estou ciente de que não é fácil, mas acredito em mim. Tenho fé que um dia a sorte me bate à porta.

Infra-estruturas merecem maior atenção e proveito

Que avaliação faz dos escalões de formação do país?
As camadas jovens são os pilares dos seniores. Deve-se-lhes prestar maior atenção, pois tenho notado que existem muitas coisas básicas que falham. Falo por experiência própria. Conclui a formação de base no estrangeiro e acho que temos de mudar muita coisa, caso queiramos ter um futuro promissor no futebol. Em suma, devemos trabalhar seriamente nos escalões de formação para, em pouco tempo, termos mais Gilbertos, Mantorras e Akuás. Apesar da falta de recintos, talentos existem.

Como caracteriza a competição nestas categorias?
É muito reduzida. Com todo o respeito pelas pessoas que estão à frente disso, deveria haver mais competição e com melhores condições. Deste modo estaríamos a dotar os jovens de grande rotina competitiva que lhes permitisse colocar em evidência tudo o que aprenderam nos treinos e, consequentemente, sanar algumas lacunas que eventualmente possuam.

Fale sobre as infra-estruturas desportivas do país?
A julgar pela grande massa desportiva que Angola tem, deveríamos apostar mais nesta componente, muito importante para o desenvolvimento do desporto em qualquer sociedade. Apesar disso, já se deram passos importantes, como a recuperação e construção de alguns recintos desportivos. Aconselho às pessoas de direito a continuarem com estas iniciativas para se tirar delas melhor proveito.

A seu ver, elas não têm sido bem aproveitadas?
Acho que se deve fazer um melhor investimento nesta área, começando por novas construções, manutenção, se possível rentabilizar os seus espaços, dando oportunidade para treinos e jogos às equipas que necessitam, com menos burocracia. Se elas existem, devem exercer o seu papel.

“O essencial é trabalhar
com afinco e esperança”


Com que impressão fica da direcção do clube nesta fase do campeonato?
Tocou num ponto muito importante! A direcção sempre lutou para prestar maior atenção aos atletas. Nesta fase melhorou, pois está cada vez mais presente em todos os jogos, fazendo uma corrente positiva composta por um grande trio: direcção, equipa técnica e atletas. Quando assim acontece, o moral dos atletas é alto e só se pensa em ganhar.

Que avaliação faz do futebol angolano no geral?
Penso que, apesar de se notar certa apatia, está a evoluir, uma vez que as equipas passaram a investir mais nos atletas, buscando aqueles com experiência quer a nível internacional quer nacional. Fruto disso, este ano o Girabola está mais competitivo.

Fale da selecção de honras...
Atravessa uma fase lamentável. Somos angolanos e estamos sentidos. Penso ser urgente fazer-se uma paragem para reflectirmos seriamente sobre o seu futuro. É a bandeira do país que está em jogo e, quando isso acontece, devemos nos unir e procurar a melhor solução. Isto passa pela renovação da equipa, pois, às vezes, as pessoas olham para nomes que já deram muito pela selecção mas que, infelizmente, hoje já não são os mesmos. Aliás, os nomes não jogam. Acho que alguns dirigentes devem ser mais profissionais, dando mais apoio à selecção para, no futuro, colhermos dela os melhores frutos.

Acha que a saída de Hervé Renard pode agudizar a situação, numa altura em que lutamos por uma vaga no próximo CAN?
Hervé Renard estava a iniciar uma nova era para os Palancas Negaras, mas alguns problemas internos o obrigaram a desistir. Não devemos chorar pelo leite derramado e sim levantar a cabeça para uma nova era. Acredito que, com o apoio de todos e algum sacrifício, podemos dar um safanão à crise. O essencial é trabalhar com afinco e esperança.

Perfil
Bráulio Adélio de Olim Diniz é filho de Francisco António Diniz Neto e de Maria Luísa Pereira de Olim. Nasceu em Luanda, a 30 de Abril de 1987. Começou a jogar futebol nos escalões de formação do Petro de Luanda, passando depois pela Escola da Fesa. Algum tempo depois rumou para Portugal, onde a par de jogar o futebol, estudou Gestão. Em terras lusas passou pelas equipas do São Juanense e do Oliveirado Douro. Actualmente joga no Interclube, na posição de trinco.

Equipa – Interclube
Prato - Mufete
Bebida - Sumos
Ídolo - Chico Diniz e Sidorf
Música - Kizomba, semba e kuduro
Hobby - Estar com a família
Religião - Católica
Filme - Acção
Cidade - Barcelona
Calçado - 44
Altura-1,85
Peso-70Kg 
Como se veste ao fim-de-semana - Jeans, camisola e sapatilhas
Boleia ou volante -Volante
Princesa encantada -  Minha filha
Discoteca ou esplanada - Esplanada