Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Agente FIFA quer ajudar o Futebol Angolano

Manuel Neto - 15 de Fevereiro, 2018

Fotografia: Jos Cola| Edies Novembro

Que contributo pretende dar ao futebol angolano?
São vários. Sabem que um agente, sendo FIFA ou não, deve dar tudo de si para ajudar dentro da medida do possível todo o desportista que  necessite dos seus serviços. Por isso, tenho muito conhecimento para partilhar com as autoridades desportivas angolanas, a julgar pela experiência que adquiri a nível internacional.

O que espera das autoridades angolanas ligadas ao desporto e não só?

Procurei algumas vezes encostar-me às pessoas que achei serem úteis para melhor contribuir para este desporto em Angola, mas a dada altura fui mal sucedido e, isso levou-me a concluir que os angolanos ainda não têm a cultura de lidar com agentes desportivos.

No seu ponto de vista o que está na base dessa atitude? 

Noto que muitos pensam que o agente serve apenas para pedir dinheiro. Não é isso. Um atleta agenciado tem mais probabilidade de render na sua carreira. Esquecem-se que o agente serve para defender interesses de jogadores e igualmente dos clubes, mas é certo que o temor prende-se mais pelo facto de em Angola a maior parte dos clubes não cumprirem com as eventuais cláusulas  contratuais celebrados com os atletas.

Como pensa inverter o quadro?
Queremos que isso termine definitivamente, porque a meu ver tem sido também um dos factores que contribui para o fraco rendimento dos atletas.

Tem algum projecto em carteira para o futebol angolano este ano?
Temos uma actividade de parceria com a Escola Norberto de Castro, denomina-se Projecto de Solidariedade com Crianças do Huambo. Com este grupo vamos participar em vários torneios internacionais em Sub-17 de 28 de Março a 4 de Abril, onde  na primeira fase iremos à Suíça jogar, em Belenzona, onde já temos partidas marcadas com o Basileia, Caiserlauten, Metz, Strazburg e tantas outras equipas. Depois faremos uma digressão pela Itália, Alemanha e França.

Este projecto tem como objectivo o intercâmbio ou visa outros interesses?
Em principio é dotar as crianças de elementos suficientes para pô-las na montra no futebol mundial. Queremos que fiquem seleccionados pelo menos cinco atletas de acordo com a qualidade que apresentarem. Aliás, colocar atletas em grandes equipas europeias para nós não é novidade, visto que trabalhamos nisso há longo tempo e temos vários exemplos.

Pode citar quem são esses atletas e em que clubes estão?

Na equipa do Basileia temos o Pacheco, um atleta da selecção portuguesa de Sub-21. Temos ainda o ala esquerdo angolano Manzambi, 19 anos de idade, o João, do Grassoper, entre outros. Por isso, acredito que bem acompanhados podem dar um contributo valioso ao futebol angolano.


AGENTES FIFA
“A relação é fraca”


Falou de angolanos que estão a jogar na Europa e encontram-se bem identificados. A direcção da FAF está ao corrente desses atletas que evoluem no exterior?
Sim. Já levei por várias vezes os nomes, mas nada se vê em termos de interesse para que estes atletas participem nos jogos na selecção angolana, ou seja, pelo menos chamá-los para fazerem uma avaliação dos mesmos para uma melhor ilação daquilo que nos pode ser útil.

Este projecto fica apenas pela província do Huambo?

O Huambo é apenas para começar, visto que foi a província que mostrou maior sensibilidade para tal. O Norberto de Castro, sendo um homem do Futebol, tem igualmente os seus serviços no Huambo e foi a primeira pessoa a falar comigo. Quando estivermos a falar de formação em Angola, temos de estender um tapete vermelho a este senhor.

Defende mais apoio para as Escolas de Norberto de Castro?
Pena é vir o João Julião do exterior para apoiá-lo, ao invés dos locais. Penso que quando um dia este senhor desistir, Angola vai perder muito nesta matéria. Por isso, vamos começar com o Huambo e posteriormente estender o projecto a outras províncias do país.

Já contactou as autoridades das referidas províncias?

De facto falamos com algumas pessoas que mostram vontade pelo futebol. Mas é bem verdade que promessa não basta, temos mesmo que passar a prática para que a situação se resolva.

A relação com outros agentes é boa?
A relação com outros agentes  é muito fraca. Até ao momento não tive ainda contacto com nenhum deles, mas acho ser importante para trocarmos experiência.


“Sugeria o senhor
Norberto de castro”

Sei que tinha sido convidado à fazer parte da actual direcção da FAF, o que faltou para não se consumar o casamento?
Sim é verdade que dei o meu contributo ao longo da campanha das eleições quer fora querdentro do país, mas a dada altura fomos menosprezados pelo senhor Artur. Mas a vida é assim vamos continuar na luta.

A saída de Norberto de Castro lhe surpreendeu?
Foi com muita pena que o vi a retirar-se, tudo por injustiça da FAF, o que não é bom porque a outra parte do futebol angolano é que ficou a perder. Este elenco ganharia muito mais com a presença dele, mas é certo que o mais importante é que haja força para continuar a trabalhar.

Aceitaria o convite para liderar à FAF?
Não. Sugeria o Norberto de Castro, tendo em conta a sua experiência de trabalho. Preferia ser director e acho que com este senhor ganhava-se uma grande federação, com muito profissionalismo.

Está disponível para abraçar o projecto de um clube?
Caso fosse um projecto ambicioso e com a função de director geral e com um certo poder de decisão. Caso fosse com Norberto de Castro não olharia pelo cargo, porque só a parceria com ele já é um cargo.