Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Agradeo professora Isabel o incentivo prtica desportiva"

Hermnio Fontes - 09 de Janeiro, 2013

Lus Domingos Antnio Cazengue, conhecido no mundo do futebol por Luisinho

Fotografia: Jornal dos Desportos

Luís Domingos António Cazengue, conhecido no mundo do futebol por “Luisinho”, faz parte dos melhores avançados que o país teve nas décadas de 80, 90 e 2000, graças ao acompanhamento e incentivo da sua antiga professora da escola Ngola Kanini, Isabel Majolo, à prática desportiva. O ex-futebolista brilhou a nível nacional ao lado de Ndunguidi, Jesus, Akwá, Jony e Paulão. Na Europa, mais concretamente em Portugal, jogou ao lado de Figo, Rui Costa, Aloísio, Victor Baía e Quim. Com o seu 1,70 metros de altura, o antigo capitão e goleador do Petro de Luanda, Sporting de Braga (Portugal) e da Selecção Nacional, sempre soube aproveitar a sua boa táctica de jogo para chutar à baliza e dar glórias a quem o apoiasse.

Luisinho aprendeu o ABC do futebol na equipa da então Importang com apenas 11 anos, passou pela escola desportiva da TAAG, hoje ASA, e lá praticou nimi-basquetebol. Mas o bichinho do “desporto Rei”, que na altura ainda não tinha encarnado, aliado ao talento que tinha, chamou a atenção da sua antiga professora, que viu nele uma futura estrela do futebol. Regressou à Importang, onde foi inscrito nos “Caçulinha da bola”, e como nesta equipa havia professores bem dotados na matéria, teve uma base sólida para uma carreira. Ainda na fase de iniciação, é transferido para as escolas do Petro de Luanda, onde, por razões adversas, é impedido de jogar, mas autorizado a participar nos treinos do plantel.

Com 14 anos, em 1982, já com a situação resolvida e com um ano de treino pelos petrolíferos, teve a oportunidade de mostrar o seu talento e sagrou-se campeão juvenil. No ano seguinte, é chamado a representar os juniores mas, ainda assim, a direcção técnica achou por bem testá-lo nos seniores, com apenas 15 anos. Passados dois anos (1985) convenceu a equipa técnica principal do Petro de Luanda a alinhar na equipa principal, estreando-se diante da Selecção de Cabo Verde, no Estádio dos Coqueiros, numa partida que terminou empatado (1-1).

A partir dessa altura, Luisinho passa a fazer parte da equipa sénior do Petro de Luanda, na altura treinada por “Cínica”. As suas potencialidades, mesmo nos treinos de rotina realizados no campo do Areias, convenceu outros treinadores da mesma formação, como Alfredo Abraão, Carlos Silva e Carlos Queirós “Man Keras” que decidiram apoiá-lo. O ex-futebolista considera este “trio” de técnicos o maior de todos os tempos, a que se juntam os professores Santa Carlos e Manito, pelo facto de terem conseguido transformar novos valores em verdadeiros talentos do futebol.

MOMENTOS
Primeiros títulos nacionais e falecimento do pai

Em 1987, sagra-se campeão de Angola já como sénior, tendo feito quatro jogos e marcado um golo. Luisinho lembra-se que foi graças ao cruzamento de Savedra que conseguiu empurrar a bola para dentro da baliza do então Dínamo do Kwanza-Sul. A partir daí, os títulos não param, por mais quatro vezes campeão pelo Petro de Luanda, até ao triste acontecimento do falecimento dos seus pais, que o levou, inesperadamente, a ver a vida de forma diferente. A equipa principal do Petro de Luanda vive uma transformação com a chegada do malogrado técnico “Goiko-Zec”, que revoluciona o plantel ao dispensar algumas estrelas antigas, enquanto a Luisinho lhe é colocada a braçadeira de capitão da equipa.

Faz o primeiro jogo como capitão dos tricolores em Benguela, diante do Porto local. O Petro ganha o jogo por 4-3, e apesar do avançado não ter marcado qualquer golo, conseguiu fazer os passes para que Patrick chegasse ao “hac-trick”, que aliado ao outro golo fez o resultado final. A sua estreia pela Selecção Nacional aconteceu no estádio da Cidadela, diante dos sub-20 de Portugal, que tinham sido campeões do mundo, num amigável em que a jovem promessa mostrou as suas potencialidades, acabando por convencer os empresários nacionais e internacionais que assistiam ao jogo a apostarem fortemente na sua transferência para os clubes grande do futebol português.

Nessa altura efectua uma tentativa em Portugal com sucesso, regressando ao seu Petro de Luanda, onde encontra o seu antigo técnico Goiko-Zec, apenas para dar a conhecer oficialmente a sua saída do clube para o Alverca de Portugal, pela mão de Luís Filipe Viera, actual presidente do Benfica e que, na altura, era presidente daquele clube da II divisão do futebol português. O Petro, que na altura detinha o “passe” de Luisinho, fez com que as coisas não corressem bem para o menino promessa, ao exigir valores que o Alverca, apesar de na altura ter liquidez suficiente, não aceitou, para a conclusão da negociação.

Com a indefinição do Petro de Luanda a persistir numa segunda tentativa, em 1992, Luisinho, temendo terminar a carreira cedo devido ao conflito armado, decide permanecer em Portugal. Até que Valter Ferreira, um velho amigo e empresário já falecido, leva-o para o Clube Desportivo de Fátima, inferior ao Alverca, onde consegue uma nova oportunidade de poder jogar em Portugal. Mas, só com ajuda do presidente do Petro de Luanda, na altura Botelho de Vasconcelos, que se apercebe da situação do jogador e, de forma humana, aprova o despacho de transferência da carteira do atleta para o Desportivo de Fátima.

Luisinho agarrou a oportunidade pelo Fátima e, depois de um ano naquele clube, já estava a ser cobiçado pelos “grandes” do campeonato português. Nessa altura, já o antigo goleador petrolífero assinava pelo Sporting de Braga, hoje terceiro maior clube de Portugal, e que na altura ostentava o quinto lugar. Do Braga, Luisinho guarda grandes recordações. Atingiu o apogeu quando levou a equipa a uma final europeia. Em dois anos, fez mais de 50 jogos, e uma final de clube, participando em várias Taças de Portugal.

Depois dos momentos áureos da sua carreira pelo Braga, assina pelo Académica do Coliseu da II Divisão, onde é eleito o melhor marcador da Taça de Portugal na época de 2000. Depois de Portugal, o internacional angolano viajou para a Arábia Saudita, Canadá e Estados Unidos. Neste último país, aproveitou a sua estadia para efectuar uma formação na área técnica. Com futuro, volta a Angola para estar hoje ligado a uma escola de formação desportiva para a área do futebol.

PERGUNTAS E RESPOSTAS
Jornal dos Desportos: Como faz para conciliar a vida profissional e os estudos
?
Luisinho: Procuro sempre manter rigor nos horários e, com a ajuda da minha esposa, vou conseguindo conciliar as duas coisas. Faço tudo por gosto, porque tenho um carinho muito especial por tudo isso, o que acaba por me fazer muito bem.

JD: Qual é o curso que frequenta no ensino superior?
Luisinho: Estudo Comunicação Social e, daqui a dois anos, termino a minha licenciatura.
 
Após o fim da faculdade, qual a área em que pretende trabalhar?
Quero dar continuidade à área de comunicação e marketing, uma vez que tenho uma empresa de publicidade e porque sou grato pela oportunidade que a direcção da Rádio 5 me proporcionou, para prestar o meu contributo como jornalista desportivo para o futebol.

Quem mais admira no futebol nacional?
Os grandes mestres Ndungidi Daniel e Jesus, mas também os meus amigos Akwá, Jony e Paulão.

E no estrangeiro?
Luís Figo, Rui Costa e Aloísio, além dos guarda-redes Victor Baía e Quim.

Com que estrelas do futebol teve o privilégio de jogar?
Cá em Angola, ainda tive a sorte de jogar ao lado de Ndunguidi, na altura pelo Petro de Luanda. Também muitas vezes deixei a minha marca no estádio da Luz, em Portugal, quando na altura defendia o Sporting de Braga e, claro, muitas estrelas da época.

Na sua carreira, quais foram os contributos que deu?
Muitos. Sempre joguei com amor à camisola, até porque o futebol me fez ser um grande homem. A minha vida está ligada ao futebol, de tal maneira, que com 15 anos já tinha sido testado na equipa sénior do Petro de Luanda. Com esta oportunidade e muito sacrifício cheguei à Selecção Nacional e, inclusive, levei bem alto a bandeira nacional nos países onde joguei.

POR DENTRO
Nome completo: Luís Domingos António Cazengue “Luisinho”
Filiação: Matias António Cazengue e Fátima Cristóvão
Data e local de Nascimento: 11 de Agosto de 1969, no Kwanza-Norte
Filhos: Um
Estado Civil: Casado
Calçado: 44
Filmes: Variados
Hobby: Jogar futebol
Equipa(s) preferida(s): Petro de Luanda/ Sporting de Braga
Posição: Avançado
Defeito: Jogar à bola
Religião: Católico
Bebida: Água e vinho
Perfume: Boss-spirit
Acredita em forças ocultas: Não