Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Agradeo aos meus pais pelo apoio que me tm dado"

Joo Francisco - 26 de Novembro, 2012

Ivanádio Menezes, 18 anos, que começou a praticar basquetebol no quintal da sua casa, auxiliado pelo tio que o ajudou a fazer uma tabela, com recurso a uma jante de bicicleta pendurada no gradeamento para fazer os primeiros lançamentos de curta, média distância e não só, é hoje um dos mais utilizados extremos base nos sub-18 do 1º de Agosto e da selecção nacional.  “Não foi difícil a ganhar o gosto pelo Basquetebol pelo facto da minha mãe, Júlia Kipaca, ter sido jogadora federada da modalidade no 1º de Agosto e também ter representado a selecção nacional”, disse.

O basquetebolista disse que os seus pais o levaram para o 1º de Agosto, quando começou a dar os primeiros passos no basquetebol federado, aos 11 anos de idade. “Ao princípio as pessoas pensavam que era apenas uma paixão momentânea, mas acabei por provar que sabia o que queria, mesmo encontrando certas dificuldades no 1º de Agosto, até porque encontrei jogadores com mais idade do que eu e muito mais dotados”, reconheceu. As dificuldades encontradas foram tantas que no primeiro ano, a nossa estrela não conseguiu ser integrada na equipa principal, levando-o, segundo ele, a esforçar-se ainda mais, treinando no período matinal e jogando torneios de rua, com jogadores graúdos, no período vespertino, após os afazeres escolares.

Em 2006, Ivanádio Menezes conseguiu a sua primeira integração no clube “militar” e com isso a sua estreia com a “camisola número 6”, no Campeonato Nacional de iniciados de Benguela, onde o 1º de Agosto ocupou o 4º lugar. Para o atleta, não foi a classificação naquele Campeonato Nacional que mais o estimulou a continuar a sua carreira desportiva na “alta competição”, mas sim, o facto de a partir daquele momento começar a fazer parte da família do 1º de Agosto.

Primeiras
internacionalizações 

 Número 6 da selecção nacional sub-18/20, considera que um dos momentos marcantes da sua carreira desportiva foi a chamada para a sua primeira internacionalização, com 15 anos, na selecção de sub-16, em 2009, pelo técnico Apolinário Paquete.  “Graças ao treinador Apolinário Paquete e seu adjunto, Joaquim Pinto, comecei a acreditar mais em mim e a partir daí passei a ser integrado nos 12 melhores jogadores do meu escalão na selecção, para depois passar a lutar para os cinco iniciais”, confessou. 

Na óptica do jogador, foi a sua prestação naquela competição disputada em Harare, para apuramento ao Campeonato Africano, que possibilitou a convocação para outras selecções nacionais e participou em vários compromissos internacionais na altura. E logo a seguir foi convocado para a selecção de sub-16, para o “africano” de Maputo no mesmo ano (2009), ganhando a confiança do treinador. Outro momento marcante do atleta aconteceu em 2010, quando a Coca-Cola (Sprite), trouxe a Angola a antiga estrela da liga de Basquetebol Norte (NBA), Horace Grint, no projecto para promover a modalidade no continente africano, a qual, em mais de 100 concorrentes, elegeu três talentos do basquetebol angolano, entre os quais Ivanádio Menezes. Ivanádio Menezes, como prémio da sua prestação no draft, beneficiou em 2010 de um estágio nos Estados Unidos, na companhia de Aldair Carlos e Tandala Domingos, do Petro de Luanda e do Progresso Associação Sambizanga, respectivamente.
 
Outras referências
Após o regresso dos EUA, em Novembro do mesmo ano (2010), Menezes, mesmo com 16 anos, é convocado para a selecção nacional de sub-20, com vista à participação nos Jogos da SADC, dando também o seu contributo no cinco inicial para a conquista da medalha de Ouro de Angola naquela competição. Em 2011, o atleta disputa em Windhoek um torneio experimental que a FIBA-África está a implementar a nível de selecções de apenas três jogadores, que Angola também venceu com o auxílio de Ivanádio de Menezes. Na selecção nacional para aquele torneio de três, acompanharam Ivanádio Menezes, Reginaldo Kanza, Teotónio Dó e José Kipanda, com batuta de Sérgio Benitez.

A nível interno, o jogador, depois de se ter sagrado campeão de juniores de Luanda, foi também vice-campeão nacional do mesmo escalão na prova disputada em Benguela em 2010. No início do segundo semestre de 2012, o jogador é chamado pelo técnico Elvino Dias para capitanear a selecção de sub-18, no apuramento ao Africano de Maputo, onde Angola conseguiu a qualificação para a prova em Maio. Em Julho integra o estágio em Espanha para a final da prova que decorreu igualmente na capital moçambicana, onde Angola ficou na quinta posição. Com vista aos futuros compromissos, Ivanádio Menezes trabalha arduamente para os Jogos da SADC que se avizinham, tendo como ambição ajudar a selecção nacional a revalidar o título alcançado na edição passada.

A PALAVRA DO TREINADOR
“O jogador tem múltiplas potencialidades”


O seleccionador nacional dos escalões intermédios de basquetebol, Elvino Dias, acredita nas potencialidades do jogador no qual reconhece versatilidade, capacidade de penetração, forte lançamento de jogo exterior, boa cultura táctica e uma correcta leitura do jogo. Estes atributos, segundo o técnico, aliados a um bom espírito de grupo, dão a Ivanádio Menezes qualidades de um bom líder, com características do base Miguel Lutonda.“Ivanádio é um jogador muito astuto e experiente a jogar. É um jogador regular e exemplar nos treinos”, disse. Para o técnico Elvino Dias, Ivanádio Menezes está entre os titulares (no cinco inicial) para os Jogos da SADC e mais uma vez vai dar o seu contributo para Angola revalidar a medalha de ouro na prova a decorrer na capital zambiana em Dezembro próximo.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Jornal dos Desportos - Além do Basquetebol o que mais deseja fazer?
Ivanadio Menezes - Acabar os meus estudos, formar-me em gestão empresarial.
JD - Como está o Basquetebol nos escalões de formação?
IM - Já foi mais competitivo. Depois de ter atravessado uma ligeira “crise”, nos últimos tempos, graças ao empenho do órgão reitor da modalidade, a FAB, os níveis estão a melhorar.
JD - Está a melhorar em que sentido?
IM - Os clubes estão a apostar mais nos escalões de formação. Estes já se deram conta que é mais barato e gratificante fazer massificação e procurar extrair dela a qualidade para assegurar o futuro do basquetebol angolano, do que estar a contratar jogadores estrangeiros.
JD – Entre Conceição Sampaio, Paulo Madeira e António Henriques, quem dava um bom substituto de Gustavo da Conceição na FAB?
IM - Não sou a pessoa indicada para falar de política desportiva. Deixo apenas o apelo de quem quer que fique na presidência da FAB para que faça as coisas da melhor maneira, porque quando as coisas não correm bem, somos nós, os atletas, que saímos mais prejudicados.
JD - O que falhou para perdermos o título de campeão africano para a Tunísia?
IM - Falhámos no trabalho de casa. Esquecemo-nos que os outros países não ficaram parados. Só depois de perdermos o título é que começámos a ver a coisa de forma diferente.

POR DENTRO
Nome completo: Ivanádio Menezes.
Filiação: Rui Menezes e Júlia Kipaca.
Naturalidade e data de nascimento: Luanda, aos 23 de Maio de 1994.
Signo: Carneiro.
Altura: 1,92 metros.
Peso: 76 kg.
Calçado: 45.
Camisola com que habitualmente joga: Número 6 na selecção e número 7 no clube 1º de Agosto.
Prato preferido: Feijoada.
Bebida: Sumol de Ananás. 
Música: House.
Filmes: Acção e Comédia.
Tem namorada: Sim
Quantos filhos pretende ter: Dois
Recorre à mentira: Às vezes.
Ídolos: Le Bron James (NBA). Miguel Lutonda, Carlos Morais e Olímpio Cipriano.