Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Alfred atento aos golos e prestao do colectivo

Betumeleano Ferro - 24 de Fevereiro, 2013

Atacante camarons est feliz com a estreia na equipa do 1 de Agosto

Fotografia: Jos Cola

O camaronês Alfred chegou, viu e marcou na sua estreia no 1º de Agosto diante do Adema do Madagáscar. Mas ambiciona marcar muitos mais golos ao serviço do 1º de Agosto. O avançado anseia fazer balançar as redes adversárias muitas vezes para justificar a sua contratação. Alfred reconhece que isso não é fácil e admite que, muitas vezes, tem deixar de parte o seu propósito, para ajudar o colectivo a conquistar o objectivo traçado pela direcção “militar”. “Vim para marcar golos e este foi o objectivo que levou a direcção do clube a contratar-me. Mas o colectivo tem de estar sempre acima de tudo. Não conseguimos jogar sozinhos”, argumenta o reforço de 25 anos de idade. “Se todos estivermos unidos em campo as chances de apontarmos mais tentos do que os adversários vão ser maiores”, assume.A estreia, com golo, contra o Adema fez aumentar a sua confiança com as cores do 1º de Agosto. Alfred lamenta o facto de não ter participado no estágio realizado em Pretória, mas esta adversidade de modo algum estorvou o entrosamento do camaronês com os novos colegas. “Fiquei a trabalhar em Luanda com uns poucos companheiros que estavam na mesma situação. Trabalhei bem e já posso dizer que estou integrado e preparado para continuar a marcar”, diz, convicto. O avançado “militar” afirma que não definiu um número exacto de golos a marcar, mas promete estar sempre concentrado para aumentar o seu poder de eficácia na hora do remate final. “Eu tenho um nível de desempenho a atingir. Isto faz parte da rotina de um atacante. Marcar golos é algo normal para mim. Mas, neste momento, o mais importante é estarmos preparados para aproveitar todas as oportunidades que surgirem”, realça. Em todos os clubes por onde passou, o avançado procurou sempre deixar a sua marca própria, mas já percebeu que não precisa de ser egoísta para ser útil ao 1º de Agosto. “Temos um plantel de qualidade. Isto significa que nenhum de nós tem motivos para querer assumir, de maneira pessoal, a resolução dos jogos. Todos podemos contribuir com golos ou dar a marcar”, enaltece Albert. A exibição diante do Adema ajudou o camaronês a somar pontos perante a equipa técnica e até mesmo no seio dos adeptos, mas o jogador prefere esperar até terça-feira para saber se volta a ser titular ou se tem de começar o jogo com o Caála no banco de suplentes. “Estou satisfeito por ter marcado logo no dia da estreia. Mas isso não significa que vou entrar de início na próxima partida. Estou aqui para ajudar. Ficarei contente se poder contribuir, de alguma maneira, para os objectivos da equipa. Este é o meu objectivo neste meu primeiro ano”, vaticina.FRENTE AO ADEMAVantagem na eliminatóriadá tranquilidade ao atacante A vantagem de dois golos que o 1º de Agosto leva a Madagáscar pode ser determinante para vencer a eliminatória, “mas para tal temos que ser competitivos do princípio ao fim”, argumentou a este diário o avançado Alfred. “Uma superioridade de duas bolas não é fácil anular. Aceito que há equilíbrio nos nossos planteis, mas se respeitarmos o adversário, podemos também ganhar em casa deles”, prognostica. O jogador “agostino” ainda tem gravado na mente todo o filme da primeira mão. Por isso sabe qual a receita a seguir para impedir a recuperação dos malgaxes: “temos de manter a seriedade em todos os momentos, porque temos dois golos de vantagem. Isto numa eliminatória significa muito. É importante estarmos sempre concentrados”. Antes de chegar ao 1º de Agosto, Alfred passou pela RDC, Gabão e República do Congo, e representou clubes destes países nas afrotaças. Com base na experiência que adquiriu, o camaronês não vê motivos para o 1º de Agosto entrar remetido à defesa para conservar a vantagem de 4-2. O Adema de Madagáscar conseguiu reunir forças para reagir, depois de sair para o intervalo a perder por 3-0, mas Alfred não acredita que extramuros os “militares” voltem a permitir que o adversário renasça das cinzas, nem mesmo com a ajuda dos seus adeptos. “Eu continuo a achar que a nossa vantagem é boa e permite-nos entrar em campo mais descansados para fazermos o nosso jogo sem qualquer tipo de pressão. Até porque a outra equipa vai conceder-nos muito espaço, porque não tem como remeter-se à defesa. Tem de jogar aberta para tentar reverter o curso da eliminatória a seu favor. Temos a obrigação de aproveitar este possível adiantamento do Adema para marcar um ou mais golos”, aconselha.HUMILDADE“Temos de respeitaras opções do técnico”Os avançados justificam com golos o seu desempenho em campo. Todavia, o atleta agostino considera que a abnegação pode ajudar os dianteiros da equipa a tomarem a melhor decisão quando estiverem em campo. “Temos de estar todos unidos, porque quando se ganha é a equipa que ganha. Os três pontos são para todo o colectivo, e não para alguèm individualmente. Por isso, o empenho de todos e a união são importantes. Se todos percebermos isto, creio que não haverá problemas”, argumentou Albert.A existência de muitos estrangeiros no plantel às ordens de Romeu Filemon faz com que alguns deles, às vezes, fiquem no banco. Isto porque apenas podem entrar de início três dos cinco inscritos. Mas esta é uma questão que preocupa pouco o jogador de nacionalidade camaronesa. “Como em todos os clubes por onde passei, aqui também tenho de respeitar as decisões do treinador. Estamos todos aqui para defender as cores do 1º de Agosto. É impossível entrarmos todos em campo ao mesmo tempo. Alguém tem  sempre de ficar de fora. Temos de saber aceitar isto”, conclui Albert.1º DE AGOSTOReforço enalteceespírito de união A convivência com os novos colegas está a superar as expectativas do reforço Alfred. O atacante assegurou ontem a este diário que não estava a espera de encontrar tanta harmonia no plantel militar. Enquanto a equipa esteve a estagiar na África do Sul ele ficou em Luanda a trabalhar ao lado de Kabamba Musasa e Olivier, que não foi inscrito, mas uma vez integrado no grupo de trabalho sentiu-se como se há muito já fizesse parte dele. O sector atacante rubro-negro recebeu caras novas, com excepção de David, mas ninguém conhece os meandros do Girabola. O estreante camaronês sente que na hora da labuta todos procuram puxar pelo companheiro. “A concorrência entre nós é muito boa, todos trabalham para a titularidade, mas respeitando sempre o que os outros fazem.” Todos os avançados contratados pelo 1º de Agosto assinaram o livro de ponto diante do Adema, motivo que faz Alfred acreditar que os militares vão aparecer com a pontaria mais afinada. “Foi bom ver que todos nós começamos a marcar. Isto é importante para ajudar a equipa a atingir os seus objectivos em todas as competições em que vai participar”, sublinhou.