Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Andebol espanhol coisa nica"

Manuel Cardoso - 11 de Agosto, 2015

Ponta direita angolana ( esquerda) sente-se bem integrada na equipa espanhola

Fotografia: Rgerio Tuty

Isabel Guialo consta do grupo de quatro atletas angolanas, que militam na equipa espanhola de Atlético de Guardes. Há um ano em terras espanholas, a ponta direita diz que aprendeu muito. Isabel assegura que o andebol espanhol diferencia-se do de Angola pelo volume de treinos e a entrega das profissionais. Está na terceira equipa do campeonato espanhol, mas augura chegar ao título de campeã.

Qual é a sensação de jogar numa das melhores equipas de Espanha?

Qualquer atleta gosta de jogar fora. Para mim, foi muito importante jogar fora do país. Aprendo muito, é uma experiência única e sinto-me feliz. O andebol espanhol é coisa única e só quem está lá, sabe o sabor. Jogar em Espanha é muito diferente de jogar em Angola. É muito espectáculo, bonito, o pavilhão cheio de pessoas a torcer pela melhor equipa em campo. É lindo!

Há alguma conexão com o andebol angolano?
Não há comparação possível. É totalmente diferente, mas não devemos desprezar o nosso andebol. O nosso é o nosso. Só para exemplificar, a nível de treinos, fazemo-lo duas vezes ao dia e mais treinos extras, o que se reflecte na evolução.

Teve dificuldade em adaptar-se ao andebol espanhol?

A princípio não foi fácil o enquadramento. Sabia que tinha de trabalhar muito para conquistar um espaço na equipa. Felizmente, encontrei apenas uma jogadora na minha posição, como ponta, e não foi difícil superá-la. Impus a minha a capacidade e ganhei a titularidade. No geral, encontrei boas jogadoras.

Durante o tempo que enverga as cores de Atlético de Guardes, que marcas grava na memória?

A liga espanhola é composta por 20 equipas, das quais a Bera-Bera e a Rocasa são as nossas principais adversárias. No último campeonato, a minha equipa ficou em terceiro lugar, atrás de Rocasa e da Bera-Bera que é a campeã espanhola. Na competição europeia, fomos eliminadas na segunda fase, depois de enfrentarmos as equipas da Noruega e da Dinamarca, “as mães grandes” do andebol mundial. Na Copa do Rei, perdemos nas meias-finais diante da Bera-Bera por duas bolas de diferença.

Existem muitas jogadoras estrangeiras no andebol espanhol?
Existem oito jogadoras estrangeiras, mormente, uma cabo-verdiana, uma brasileira, uma portuguesa, uma da bielorrussa e quatro angolanas. Mantemos uma relação de cordialidade que passaram a chamar-nos “café com leite”, devido à nossa cor de pele.

O carinho limita-se ao campo ou estende-se à cidade de La Guardia?

O povo de La Guardia é muito acolhedor. Sempre que passamos pela rua, somos acarinhadas, chamam-nos pelos nossos nomes e dão-nos força. Somos reconhecidas pelas crianças, jovens e idosos, quando vamos à loja. Felizmente, estamos sempre juntas as quatro e nunca sozinhas.
As férias são importantes...
Gozamo-las no Porto, em Portugal, ou na região espanhola de Vigo.

Que caracterização se lhe oferece fazer sobre a selecção nacional feminina?

A nossa selecção está renovada, é jovem e com muita determinação. No torneio pré-olímpico, enfrentámos uma grande selecção africana e campeã em título: Tunísia. Sabíamos da nossa vitória por jogar em casa. O calor do público, que lotou o pavilhão da Cidadela Desportiva, aliado ao nosso trabalho foram os condimentos para a conquista da vitória. Pelo nosso feito, também nos consideramos campeãs.

Em quem se inspira, quando joga?
Desde pequena sempre me inspirei em duas jogadoras angolanas: Lourdes Monteiro e Wuta Dombaxi. São as que mais apreciei sempre que estivessem em campo.

Qual é o limite de idade para se aposentar ?
Se Deus quiser aos 30 anos. O desporto não é para toda a vida. Tenho objectivos. O desporto é um dos sonhos que está realizado. Penso formar-me em Gestão de Recursos Humanos e constituir família e ter filhos. O número de filhos só Deus sabe. Dois casais já é bom.

Qual é o seu prato preferido?
Aprecio o mufete.

O que faz nos tempos livres?
Gosto de leitura, principalmente, a Bíblia Sagrada. Oiço música romântica, semba e kuduro para aliviar o meu stress.

PERFIL

Isabel Guialo começou a jogar andebol no Atlético Sport Aviação, onde  teve como técnica na sua formação, Olga Mendes. Foi descoberta no desporto escolar pelo senhor Aragão, que a levou para o clube do aeroporto. O interesse pela modalidade nasce depois de observar as mais velhas a jogar, sempre que fosse ao campo do ASA. Em 2014, participou no campeonato mundial de Júnior da Macedónia. Actualmente, joga em Espanha no Atlético de Guardes como ponta direita. Gosta de cozinhar, tem o mufete como prato preferido e a Bíblia Sagrada é o seu livro de cabeceira.