Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Angola ainda longe do controlo Anti-doping

Leonel Librio - 23 de Setembro, 2010

Medicina desportiva uma unidade sanitria especializada no atendimento disse o Alcdes Silvano

Fotografia: Nuno Flhsi

O que é o doping?
O doping é uma prática proibida, consistindo no uso de substâncias de efeito negativo que, na maior parte dos casos, aumenta a performance desportiva do atleta.De acordo com alguns estudos, um dos efeitos negativos consiste em omitir a dor ou o limiar do cansaço, que constituem mecanismos de defesa natural que o organismo humano utiliza para alertar que o esforço desenvolvido ultrapassou a sua capacidade. Outra situação decorrente do doping indica que a dor coloca em perigo a vida do ser humano. Segundo estudos e pesquisas, outro efeito do doping consiste em inibir o efeito da dor, o que permite ao indivíduo que faz uso de tal prática, no que ao desporto diz respeito, deter vantagem em relação ao que não está dopado. De acordo com os estudos e pesquisas, o combate ao doping tem merecido maior atenção dos organismos internacionais ligados a matéria, entre os quais o Comité Olímpico Internacional (COI) e a Agência Mundial de Controlo Anti Dopagem (AMCAD), no sentido de combaterem esta prática fraudulenta e que não deve ser encorajada.

Como é feito o controlo do doping em Angola, uma vez não existirem condições para o efeito?
Ainda não estamos a fazer o controlo anti - doping. O que tem sido feito são acções educativas a atletas integrados em actividades desportivas, sobretudo às organizadas pelo Ministério da Juventude e Desportos e associações desportivas nacionais que participam em eventos desportivos internacionais. Aproveitamos, sempre que possível, estas actividades para passar conhecimentos que visem desencorajar esta prática. A nível do país já se fez o trabalho, do ponto de vista jurídico, no que diz respeito a adesão de Angola à Convenção de Genebra e a outras convenções internacionais que regulam esta matéria. Estamos na fase da preparação da Comissão Nacional da Luta contra a Dopagem, cuja proposta já foi entregue a quem de direito, aguardando-se a sua aprovação para a comissão em tempo oportuno iniciar o trabalho da preparação das condições materiais para os testes serem feitos, de forma regular, embora a parte laboratorial, que significa a feitura de análises, ainda não será feita no país.

Fale dos laboratórios…
Estes laboratórios são especializados e onerosos, em termos de custos de preparação e em pessoal técnico especializado para o efeito, que não está disponível no nosso país. Temos aqui próximo, há três horas e meia de viagem, na África do Sul, um laboratório creditado pelo Comité Olímpico Internacional e pela Agência Mundial de Luta Contra a Dopagem. A nível do Governo, já estão avançados contactos com este laboratório, no sentido de servir de nossa retaguarda para a realização efectiva dos exames anti - doping, cujas amostras serão recolhidas no país, de acordo com os protocolos internacionalmente aprovados para procedermos a esta prática de forma regular.

Para quando está previsto o início da realização dos testes no país?
Não posso precisar datas. É uma preocupação grande, porquanto há alguns anos que nos preparamos para isto ser feito. Fazemos esforços para ser o mais breve possível.

Qual é a dificuldade?
Primeiro, é necessário a criação do Comité ou Comissão Nacional que vai organizar, de forma mais genérica, a matéria do controlo anti – doping. Depois seguirá outra fase, que será a criação das equipas técnicas que vão fazer a recolha das amostras aos atletas, com base em critérios pré-definidos, normalmente por via de sorteio, que pode ser feito na fase do defeso, na pré-competitiva ou durante a competição. Os testes são feitos a qualquer altura, com o propósito de desencorajar este tipo de prática porque envolve substâncias que têm uma sobrevida no organismo humano que demora pouco tempo. Há outros que são de tempo médio mais prolongado.

Explique-se melhor…
Às vezes, o teste é feito numa altura em que a substância deixou de circular no corpo do atleta. Para as pessoas serem desencorajadas a este tipo de prática, foi decidido, pelos organismos internacionais, que os testes fossem feitos em qualquer época, tanto no período do defeso, na fase pré - competitiva ou no auge da mesma.

Como caracteriza a dopagem em Angola? O Centro Nacional de Medicina Desportiva possui algum dado sobre o assunto?
Não temos números porque não possuímos estudos feitos sobre o assunto. Sabemos é que vai havendo alguns casos de doping que são detectados quando os nossos atletas são triados nas competições internacionais. Embora sejam poucos, isto pressupõe haver casos de doping no país.


Como é feito o controlo do doping em Angola, uma vez não existirem condições para o efeito?
Ainda não estamos a fazer o controlo anti - doping. O que tem sido feito são acções educativas a atletas integrados em actividades desportivas, sobretudo às organizadas pelo Ministério da Juventude e Desportos e associações desportivas nacionais que participam em eventos desportivos internacionais. Aproveitamos, sempre que possível, estas actividades para passar conhecimentos que visem desencorajar esta prática. A nível do país já se fez o trabalho, do ponto de vista jurídico, no que diz respeito a adesão de Angola à Convenção de Genebra e a outras convenções internacionais que regulam esta matéria. Estamos na fase da preparação da Comissão Nacional da Luta contra a Dopagem, cuja proposta já foi entregue a quem de direito, aguardando-se a sua aprovação para a comissão em tempo oportuno iniciar o trabalho da preparação das condições materiais para os testes serem feitos, de forma regular, embora a parte laboratorial, que significa a feitura de análises, ainda não será feita no país.

Fale dos laboratórios…
Estes laboratórios são especializados e onerosos, em termos de custos de preparação e em pessoal técnico especializado para o efeito, que não está disponível no nosso país. Temos aqui próximo, há três horas e meia de viagem, na África do Sul, um laboratório creditado pelo Comité Olímpico Internacional e pela Agência Mundial de Luta Contra a Dopagem. A nível do Governo, já estão avançados contactos com este laboratório, no sentido de servir de nossa retaguarda para a realização efectiva dos exames anti - doping, cujas amostras serão recolhidas no país, de acordo com os protocolos internacionalmente aprovados para procedermos a esta prática de forma regular.

Para quando está previsto o início da realização dos testes no país?
Não posso precisar datas. É uma preocupação grande, porquanto há alguns anos que nos preparamos para isto ser feito. Fazemos esforços para ser o mais breve possível.

Qual é a dificuldade?
Primeiro, é necessário a criação do Comité ou Comissão Nacional que vai organizar, de forma mais genérica, a matéria do controlo anti – doping. Depois seguirá outra fase, que será a criação das equipas técnicas que vão fazer a recolha das amostras aos atletas, com base em critérios pré-definidos, normalmente por via de sorteio, que pode ser feito na fase do defeso, na pré-competitiva ou durante a competição. Os testes são feitos a qualquer altura, com o propósito de desencorajar este tipo de prática porque envolve substâncias que têm uma sobrevida no organismo humano que demora pouco tempo. Há outros que são de tempo médio mais prolongado.

Explique-se melhor…
Às vezes, o teste é feito numa altura em que a substância deixou de circular no corpo do atleta. Para as pessoas serem desencorajadas a este tipo de prática, foi decidido, pelos organismos internacionais, que os testes fossem feitos em qualquer época, tanto no período do defeso, na fase pré - competitiva ou no auge da mesma.

Como caracteriza a dopagem em Angola? O Centro Nacional de Medicina Desportiva possui algum dado sobre o assunto?
Não temos números porque não possuímos estudos feitos sobre o assunto. Sabemos é que vai havendo alguns casos de doping que são detectados quando os nossos atletas são triados nas competições internacionais. Embora sejam poucos, isto pressupõe haver casos de doping no país.

De que organismos ou convenção internacional, que tratam dos assuntos relacionados com a dopagem, Angola é membro?
Angola aderiu à várias convenções internacionais, com destaque para a de Genebra, que é uma das principais referências mundial. A adesão a esta convenção já foi ratificada pelo Governo Angolano.

Quais são as obrigações e benefícios que a integração a Convenção de Genebra Anti-dopagem traz para Angola?
Somos obrigados a passar a esta fase do controlo anti – doping. Para além do controlo que é feito a atletas, quando participam em competições internacionais, estamos a trabalhar no sentido de cumprir com o que está plasmado nas convenções internacionais. O benefício é a protecção dos que praticam desporto, por um lado, e, por outro, é o remover de um factor fraudulento. O doping introduz uma certa fraude, pois um indivíduo dopado vai competir em condição de vantagem em relação ao adversário que não está nestas condições.

O que o Governo faz para se acabar com as academias de musculação ilegais existentes um pouco por todo o país, tidas como focos de proliferação dos chamados "mega massa" para o crescimento dos músculos?
Nesta fase, fazemos acções educativas. Sempre que temos oportunidade de aceder aos meios de comunicação, passamos conhecimentos a todos os praticantes. Quando temos contacto com atletas inseridos em várias competições, temos tido o cuidado de reunir informações, de forma definida, que é passada em forma de jornais desdobráveis com informações úteis sobre o doping, tendo em vista o desencorajamento deste tipo de práticas.

Centro Nacional de Medicina Desportiva
sem fins lucrativos

Para além de Luanda, em que províncias o Centro Nacional de Medicina Desportiva está representado?
Está representado por um núcleo na cidade do Huambo e tentamos criar outro no Lubango. Temos pouca informação quanto a existência de núcleos noutras províncias, embora já há cerca de 3 ou 4 anos temos vindo a desenvolver um projecto no sentido de dotar alguns médicos das províncias com capacidade para efectuarem exames de avaliação médico/desportiva. Isto permite alargar a cobertura assistencial do Centro Nacional de Medicina Desportiva. Estamos a envidar esforços no sentido de, em todas as províncias, termos médicos que possam pelo menos atender a necessidade da avaliação médico/desportiva dos atletas inseridos nas competições nacionais e de recreação a este nível. Os casos de maior complexidade são transferidos para o Centro Nacional de Medicina Desportiva. Já desenvolvemos duas acções de formação de nível internacional. A primeira aconteceu em 2008 e a segunda no ano passado. Estamos a preparar mais uma, possivelmente para o próximo ano. Dependendo dos meios que tivermos a nossa disposição, continuaremos com o propósito de alargar o máximo possível o acesso à assistência especializada no domínio do desporto aos praticantes de todo o país.

O Centro de Medicina Desportiva é uma unidade rentável?
Esta unidade não tem fins de rentabilização, embora os seus serviços sejam comparticipados. Esta comparticipação tem apenas o objectivo de garantir a manutenção das instalações e a aquisição de meios gastáveis. É uma unidade tem como único propósito o de prestar assistência especializada aos praticantes desportivos.

Avaliação eficiente
para acabar com morte súbita

De vez em quando, a sociedade é surpreendida com a morte súbita de atletas em plena competição desportiva, com particular incidência para o futebol. A que se deve?
Deve-se a vários factores. Um deles tem sido a falta da avaliação médico/desportiva ou de uma avaliação médica deficiente. A avaliação médica tem como objectivo excluir a presença de contra indicações para a prática do desporto ou de situações que, do ponto de vista médico, coloquem em perigo o praticante desportivo. A avaliação médica tem como primeiro objectivo identificar e, uma vez excluída a presença desses factores, o atleta está liberto para a prática do desporto. Há outro factor que eventualmente poderá ocorrer, já que a avaliação é feita uma vez por ano, como se eventualmente ao longo do ano o praticante, seja do desporto de recreação ou para fins terapêuticos, desenvolver uma patologia neste tempo, que possa colocar em perigo a sua vida, é natural que na prática do desporto de competição possa ocorrer uma morte. Há um outro grupo de factores que concorrem para as mortes de atletas durante a actividade desportiva.

Qual?
Se está excluída a existência de patologia, não nos podemos esquecer que a prática do desporto não é uma actividade isenta de risco. Mesmo os desportos que não sejam de contacto, que acarretam perigo de quedas ou de contacto com o adversário, ou outra situação que possa causar um acidente durante a prática de qualquer modalidade, se não houver uma equipa médica de emergência com capacidade para oferecer aquilo a que chamamos de suporte avançado de vida, o praticante vai morrer.

Porquê?
Isto acontece porque as condições de segurança para a prática de qualquer modalidade, para além da marcação do campo, da presença dos árbitros, da polícia, a presença de uma equipa médica de emergência médica com capacidade de oferecer suporte avançado de vida, é uma das condições indispensáveis de segurança para a prática do desporto. Esta é uma das recomendações que fizemos, quando recentemente fomos solicitados pela Federação Angolana de Futebol para uma consultoria sobre esta matéria.

O que aconselharam?
Aconselhamos que a não existência de uma equipa de emergência médica é uma condição para a não realização dos jogos. Durante o Campeonato Africano das Nações-2010, em Angola, estiveram presentes as equipas de emergência médica, em prontidão para responderem a qualquer situação desta natureza. Por esta razão é que, apesar de a actividade física/desportiva promover a saúde, nunca se deve esquecer que não é uma actividade isenta de risco. Se não forem calculadas situações como a avaliação médica prévia e contínua durante o treinamento e no decorrer dos eventos desportivos, há o risco de ocorrer uma morte durante o exercício da actividade desportiva.

Como são efectuados os exames de avaliação médica na pré-época? Quem tem a responsabilidade de os fazer?
Os exames são habitualmente feitos no Centro Nacional de Medicina Desportiva. São da responsabilidade dos clubes que assumem os encargos inerentes a avaliação médico/desportiva, que é um serviço que envolve custos. Temos que usar reagentes e películas. O Centro Nacional de Medicina Desportiva assume a responsabilidade de ceder a parte técnica na avaliação para a prática do desporto.

Como são efectuados os exames nas províncias que não possuem representações do Centro Nacional de Medicina Desportiva?
Temos vindo a trabalhar com os médicos que funcionam nas províncias, em colaboração com o Ministério da Saúde, no sentido de termos a avaliação a nível das províncias, a nível dos hospitais provinciais.

O exercício da medicina desportiva ainda não está aprovado

Existe a legislação que estipula que apenas os especializados em medicina desportiva devem conceder aval aos atletas para a prática da actividade desportiva?
A Lei de Base do Sistema Desportivo de Angola dá alguns indicadores. O exercício da Medicina do Desporto é um dos regulamentos que ainda não está aprovado. Há propostas neste sentido, através de um Decreto, elaborado há bastante tempo, que aguarda pela aprovação superior para que, enquanto não for aprovado o regulamento sobre o exercício da Medicina no Desporto, nesta fase transitória, este Decreto possa dar as balizas sobre quem poderá exercer a actividade de Medicina no Desporto.

Qual a sua opinião sobre a existência de clubes, alguns dos quais participam em competições federadas, que não possuem departamentos médicos?
Aconselhamos as direcções dos clubes a investirem em departamentos médicos, porquanto a assistência médica aos atletas joga um papel importante para a obtenção de resultados satisfatórios, não só na prevenção de mortes mas também de lesões. Como sabemos, o atleta é contratado para a prática de qualquer modalidade e, se estiver lesionado, não produz. Os clubes só ganham se possuírem departamentos médicos à altura de responderem às necessidades. Nas situações em que se sentirem ultrapassados em termos de intervenção, podem contar com o Centro Nacional de Medicina Desportiva. Estamos aqui para prestar todo o apoio.