Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Angola ganha agncia anti-dopagem

Pedro Futa - 01 de Março, 2018

Prevenimos a competio de forma desleal e que os atletas consumam substncias nocivas.

Fotografia: Agostinho Narciso| Edies Novembro

Em que estado está o controlo do doping no país?
Desde que Angola aderiu à convenção da Unesco em 2005, com despacho no Diário da República em 2009, desenvolvemos algum trabalho.

Que tipo de trabalho desenvolvem?
Desde 2007, muitos testes foram feitos durante a realização dos campeonatos africanos de andebol, basquetebol, futebol e outras competições internacionais sob a égide das Federações internacionais.

Os testes são realizados apenas quando se organizam uma competição internacional?
Não. Desde 2008, fazemos teste fora de competição por cada praticante sob a égide da Agência Regional Anti-dopagem.

Há mecanismo para detectar o doping em Angola?
Fazemos apenas a colheita. A amostra é levada para o laboratório internacional.

Em que país?
Temos dois laboratórios em África, mormente na Tunísia e África do Sul, e um em Portugal. Infelizmente, por inconformidade, esses laboratórios estão fechados. Temos levado as amostras à Itália.

Quanto custa cada teste?
Por cada teste, o valor é de 500 dólares norte-americanos.

Quem as paga?
Para cada competição, a organização custeia e o Governo apenas paga a cota.

Exemplifique-se?
Para a  realização do Campeonato Africano de Futebol, quem paga os testes é a CAF. Na prova da São Silvestre de Luanda, os custos são da responsabilidade da Federação Angolana de Atletismo.

Os testes são de carácter obrigatório?
São sempre obrigatórios. Quem se recusa em fazer, é considerado positivo e penalizado.

Penalizam apenas o atleta?
Todos os agentes envolvidos são penalizados. Se for o médico a prescrever, ele e o atleta sofrem as consequências. Os treinadores, que aconselham, também são punidos.

Existem casos em que o atleta se considera inocente e culpa o médico que passou a receita?
Temos acautelado com base em sensibilização que os atletas em véspera do teste não devem tomar absolutamente nada que contem anabolizantes. Alguns atletas tomam por negligência. Já tivemos casos positivos por ingestão de produtos ervanários.

Como é feito a sensibilização?
Por meio do cartão de bolso do atleta, onde tem as recomendações e as precauções, os medicamentos que podem ter as substâncias proibidas no desporto, que necessitam de solicitação de autorização da sua utilização terapêutica, deverão ser utilizados os impressos fornecidos pela Federação Internacional.

Pode citar algumas substâncias proibidas?
São muitas, mas vou citar alguns agentes anabolizantes, por exemplo: androstenedial, androstenediona, nandrolina, estanazolol, testosterona, elembuterol, zeranol e substâncias com estrutura química ou efeito biológico similares.

E medicamentos
proibidos?

Produtos contendo opiáceos, por exemplo, morfina, petidina, pentazocina, efedrina e pseudofedrina. Alguns são contra tosse, antialérgicos e até contra os vómitos. É necessário muita atenção, porque podem tomar por negligência.

Quais são as formas mais fáceis de despistagem?
As formas mais fáceis tem sido durante os testes, mas através de comportamentos dos próprios atletas leva a desconfiança e exigimos na hora a realização.

Já houve casos positivos no país?
Houve poucos casos. Um caso positivo na natação, três no futebol, um na pesca desportiva e um no atletismo.

Qual é o intercâmbio que existe entre a estrutura (comissão) que controla o doping e as Federações Nacionais?
Depois da criação da Agência Angolana Anti-dopagem, teremos uma estrutura legislada. Todas as Federações e os clubes devem ter os seus regulamentos sempre com o ordenamento jurídico nacional.

Já tem a data para a criação da Agência?
Não posso precisar a data, porque vai à aprovação no Conselho de Ministros. Nesse momento, está a trabalhar-se na legislação criada em Março, aquando da comissão do Conselho Superior dos Desportos. Depois de ultrapassamos os trâmites legais, vamos dizer a data.

Que relação tem Angola com Agência que controla o doping no mundo (AMA)?

O país assinou a convenção com a Unesco. As Federações Nacionais e o Comité Olímpico Angolano assinaram o código mundial anti-dopagem.

Quais são os benefícios que o país obteve depois da assinatura?
Temos um desporto limpo e livre das drogas. Prevenimos a competição de forma desleal e que os atletas consumam substâncias nocivas.

EDUARDO ENRIQUE
Fisioterapeuta nega casos no país


Em entrevista ao Jornal dos Desportos, o Fisioterapeuta do 1º de Agosto, Eduardo Enrique, disse não acreditar que haja casos positivos de doping no país, devido aos próprios resultados.
"Desconheço casos de doping em Angola. Sei que há investigação, mas pelos resultados, não acredito que haja casos suspeitos. Os atletas não dão motivo", disse.
O fisioterapeuta e treinador de atletismo da equipa militar frisou a importância e a prevenção dos testes.
"O 1º de Agosto faz palestras para prevenir, é importante os testes.
Temos o exemplo do Quénia, onde desde que se passou a fazer-se os testes surpresas, foram apanhados 90 atletas por ano", afirmou.           
                                                                
PREVENÇÃO
Comité Paralímpico realiza palestras

O Comité Paralímpico Angolano realiza habitualmente palestras para a prevenção do teste anti-dopagem. A garantia é do técnico da selecção Nacional e coordenador técnico do CPA,José Manuel.
Em entrevista ao Jornal dos Desportos, o seleccionador nacional disse que a sensibilização é constante e os atletas fazem sempre os testes nas competições internacionais.
"Temos feito palestras com o médico João Mulima. Os atletas fazem testes sempre que vão a uma competição Internacional", disse.
José Manuel aconselha aos atletas a não enveredar por tais práticas, devido às consequências.
"Não aconselho a nenhum atleta a enveredar por esse caminho, porque as consequências são graves; prejudica a carreira e a saúde", aconselhou o seleccionador nacional.
Doping é o uso de drogas ou de métodos específicos que visam aumentar o desempenho de um atleta durante uma competição. O controlo de dopagem é feito através do exame anti-doping que consiste na recolha de uma amostra de urina do atleta imediatamente após o fim de uma competição.
Também é frequente a realização de exames surpresas. A Agência Mundial antidoping (AMA) é responsável por determinar as substâncias e combater a prática entre os atletas.   
         

ORGANIZAÇÃO
Petro de Luanda tem médicos em todas as modalidades


O chefe de departamento médico do Petro de Luanda, Nelson Bolivar, garantiu  à reportagem do  Jornal dos Desportos, que a equipa do Catetão tem médicos em todas as modalidades nucleares.
"O Petro de Luanda tem médicos em todas as modalidades até nas camadas jovens", garantiu.
Nelson Bolivar diz que não basta apenas as palestras nos clubes, a família deve ser um pilar para a educação do individuo.
"Temos dado palestra no clube, fornecemos brochuras, onde têm as recomendações e as precauções. Isso apenas não basta, a educação deve partir de casa. O clube fornece todas as orientações, mas existem pais que aconselham os filhos a tomarem medicamentos sem prescrição médica e alguns são apanhados no doping por negligência", desabafou.
O médico garantiu que e o Petro de Luanda é o maior parceiro do Centro Nacional de Medicina Desportiva.
"Somos o maior parceiro do Centro. Temos feito todos os exames e colaboramos sempre que for necessário", disse o médico.
     
LOURENÇO ANTÓNIO
Angolano compete em Nova Iorque  

O atleta do Petro de Luanda, na especialidade de meio fundo, Lourenço António, compete este ano na Maratona de Nova Iorque, em Agosto próximo, garantiu o fundista ao Jornal dos Desportos.
Lourenço António disse que este é o último ano a correr na prova de meio fundo.
"Depois do campeonato nacional, deixo a especialidade de meio fundo e vou passar para as provas de fundo, disse.
O fundista tem apoio da empresa Chá Da Esquina, que vai assumir todas as despesas. "Tenho o apoio de uma empresa angolana e a inscrição vai ser feita pelo técnico Eduardo Henrique a partir de Portugal”, disse.
Lourenço António diz que nunca foi submetido a teste anti-dopagem, mas tem a consciência dos riscos.
"Nunca fui submetido a teste anti-dopagem, mas tenho a consciência das consequências que o doping acarreta. Assisti a várias palestras no meu actual clube e sei que não posso tomar nenhuma substância ou medicamento sem consultar o médico", afirmou.              

SELECÇÃO NACIONAL
Job é o atleta mais testado no país


O capitão do Petro de Luanda e também dos Palancas Negras, Ricardo Esteves, mais conhecido por Job, é o jogador que mais testes anti-doping fez em Angola, disse o futebolista em entrevista ao Jornal dos Desportos.  
O atleta garantiu que é surpreendido com o teste anti-dopagem em todas as competições.
"Sempre que fui convocado à selecção nacional, surpreenderam-me com o teste anti-dopagem. A mais recente, aconteceu no último CHAN em Marrocos.
“Fui testado duas vezes. Todos acusaram negativos", disse.
O futebolista garantiu que o segredo está em seguir sempre a orientação do médico.
"Temos sempre palestras dadas pelo médico do clube e procuro seguir todas as orientações. Não tomo nada sem a orientação médica", garantiu.
Job aconselha a todos os atletas, que querem fazer carreira, a não enveredar por tais práticas.
"Acompanhei agora o caso do Guerreiro, jogador do Flamengo, que por pouco não ia participar no Mundial da Rússia por ter acusado positivo. Felizmente para o jogador, a FIFA analisou bem o caso e concluiu que não é uma substância nociva. O jogador foi ilibado. Aconselho a todos atletas a não seguir por esse caminho, pois pode também prejudicar a saúde e comprometer a carreira por períodos curtos ou longos", aconselhou.                             PEDRO FUTA