Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Angola pode resgatar o ttulo"

Srgio V. Dias/No Cuito - 29 de Agosto, 2013

Lder da Associao de Basquetebol do Bi acredita na conquista do ttulo africano na 27 edio do Afrobasket em Abidjan

Fotografia: Jornal dos Desportos

Após a disputa dos oitavos-de-final da 27ª edição do Campeonato Africano de Basquetebol, que decorre desde na Costa do Marfim, em que Angola venceu o Mali por 82-36, cresce a expectativa em torno do evento que pode testemunhar a eventual conquista do 11º título da Selecção Nacional, sob comando de Paulo Macedo. Príncipe Paulo, presidente da Associação Provincial de Basquetebol do Bié, encara de forma positiva a participação de Angola neste certame, pese embora a má prestação sábado último no jogo frente a República Centro Africana, em que o combinado nacional venceu por 85-80. Príncipe Paulo acredita no resgate do título continental, perdido há dois anos em Antananarivo, Madagáscar, para a Tunísia e expressou a felicidade dos bienos por terem testemunhado na província a primeira fase da preparação do combinado nacional. Eis a entrevista que nos concedeu na cidade do Cuito:

Como vê a participação de Angola no Afrobasket?
“Vejo a participação de Angola de forma positiva. Nós, os bienos, tivemos a felicidade de testemunhar a primeira fase da preparação da Selecção Nacional, na nossa província. Pela interacção que tive com os atletas e a equipa técnica, dirigida por Paulo Macedo, acho que está tudo preparado para que Angola resgate o título continental perdido há dois anos em Antananarivo. Penso que os percalços cometidos na primeira fase, principalmente no jogo com a República Centro Africana, vão ser ultrapassados nesta fase a eliminar”.

O que o faz ter a convicção na conquista do título?
“Tenho esta convicção não somente por considerar importante o estado técnico e físico dos atletas, mas também pela forte componente psicológica que estes demonstram. Na avaliação que faço, o nível psicológico dos atletas da Selecção é alto. Isso vai jogar um papel considerável a favor de Angola para o eventual resgate do título continental”.

Quais as selecções concorrentes ao título?
“A Costa do Marfim é um dos principais concorrentes de Angola, por actuar nesta Afrobasket na condição de anfitriã e porque pode contar com o apoio incondicional dos seus aficionados no certame. A Nigéria é outra selecção que não deve absolutamente nada a ninguém e mesmo os Camarões.  Todas essas selecções têm condições de dar réplica a Angola”.

Constatação
Fraco aproveitamento das infra-estruturas

O presidente do órgão que superintende o basquetebol bieno, não escondeu a inquietação sobre o aproveitamento das infra-estruturas que se constroem para eventos do género no país.

Está preocupado com o pouco aproveitamento das instalações desportivas?
“A minha tristeza reside, precisamente, no facto de não se tirar o melhor rendimento dessas infra-estruturas. Temos exemplos dos campos de futebol erguidos no âmbito do Campeonato Africano das Nações (CAN) em futebol de 2012, realizado nas cidades de Luanda, Cabinda, Benguela e da Huíla, assim como os pavilhões construídos para a edição de 1999 do Afrobasket, que o nosso país igualmente albergou. O quadro não tem sido dos melhores nesse campo de aproveitamento das infra-estruturas desportivas”.
 
Então acha que são feitos investimentos falhados?
“Não me refiro nestes termos. Considero o quadro negativo, porque se gasta muito dinheiro nessas estruturas desportivas e não se retiram benefícios para a prática das próprias modalidades, da mesma forma que não se incentiva a massificação a nível das várias províncias do país. Só com bom aproveitamento se pode obter selecções jovens que podem suportar as dos  escalões superiores. Se essas estruturas forem bem aproveitadas pode-se tirar grandes rendimentos”.

Qual é a melhor solução para o bom aproveitamento destas infra-estruturas?
“Para se fazer um bom aproveitamento destas infra-estruturas, penso que se devia traçar melhores políticas para o efeito. Por isso, aqui vai o apelo no sentido de se trabalhar mais para que se possam dar melhor destino às infra-estruturas construídas recentemente, aproveitando-as especificamente para as modalidades para as quais são construídas, para que tenhamos todas elas unificadas rumo a ascensão da senda mundial. Não se pode só aplaudir, viver o momento com organização de eventos de dimensão continental ou mundial e quando estas terminam acaba-se tudo. As competições vêm ao nosso país, mas não deixam o maior e melhor legado que é o aumento da prática destes desportos”.

Crença
“Mundial de Hóquei
traz ganhos ao país”


Num outro ângulo de abordagem feita sobre o Mundial de Hóquei em Patins,  que o país vai albergar entre 28 e 30 de Setembro próximo, Príncipe Paulo apontou os ganhos que Angola pode obter com essa grande montra do hóquei em patins mundial.

Como responsável desportivo como encara a organização da 41º Mundial em Angola?
“Este Mundial há-de trazer inúmeros ganhos para o país. Os benefícios não são só do ponto de vista desportivo, mas também financeiro e económico. Abrem-se oportunidades de negócios já que é um primeiro evento do género que se realiza no nosso país e no continente africano. Por isso, o país tem de estar preparado para tirar as maiores vantagens possíveis com a organização desse acontecimento, porque não são todos os dias que se organiza um campeonato de dimensão mundial. Eu penso que vamos ganhar muito com a organização dessa prova”.

No capítulo das infra-estruturas há também aqui um ganho acrescido com a organização desse Mundial? 
“Não há dúvidas. O país ganha não só a implantação de infra-estruturas desportivas, mas até turísticas dado que se construíram vários hotéis no âmbito da organização dessa prova”.

Prognóstico
Espanha é vista
como candidata

Príncipe Paulo considera a Espanha como a principal candidata ao título. Quanto a Angola diz não ser proibido sonhar, mas aponta a conquista de um eventual quinto lugar como ouro sobre azul.

No seu entender quais são as selecções candidatas ao título?
“A Espanha é, para mim, a mais séria candidata à conquista do Mundial. Digo isso, porque este país pode tirar algum proveito das condições climáticas que por altura da realização do Mundial o nosso país vai registar e também porque na minha óptica a Espanha tecnicamente apresenta-se melhor que Portugal, que é outra selecção de grande gabarito no mundial. Depois vem a Argentina”.

Em relação a Angola
que vaticínio faz?

“Sonhar não é proibido. Mas temos de ser realistas para depois não nos embalarmos em falsas expectativas. Acho que é sonhar demasiado colocar Angola entre os possíveis candidatos à conquista deste Mundial”.

Então qual é para si a classificação mais realista?
“Se os bravos rapazes angolanos conseguirem chegar a um quinto lugar já é muito bom para as ambições do nosso país. isso seria  uma grande vitória angolana”.