Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Angola precisa de ganhar dois jogos para atingir os quartos no mundial

Joo Francisco -On-line - 13 de Maio, 2013

Antnio Csar Gaspar, prelector da aco formativa.

Fotografia: Eduardo Pedro

Pareceu-nos um visionário pela forma como aborda o Hóquei em Patins. Trata-se de António César Gaspar, 54 anos, que convidado a ser o principal prelector da acção formativa da preparação dos jornalistas angolanos para a cobertura do 41º Campeonato Mundial de Hóquei em Patins impressionou-nos ao apresentar a fórmula para Angola atingir os quartos de final do evento para depois desta fase deixar a classificação final nas mãos dos jogadores onde até a vitória pode ser possível.

Para aquele categorizado treinador a selecção de Angola na série C com Portugal (cabeça de série), Chile e África de Sul (1º no mundial do Grupo B passado), precisa de ganhar pelo menos dois jogos (Chile e África de Sul) e esperar fazer uma surpresa diante de Portugal  para começarmos a pensar em lucros a partir dos quartos de final. “O campeonato Mundial de Hóquei em Patins que Angola vai realizar entre os dias 20 e 28 de Setembro de 2013 é sem sombra de dúvidas o ponto alto do ano no que concerne a eventos desportivos em Angola.

Por ser um Campeonato do Mundo – Grupo A e por ser o primeiro campeonato do mundo de modalidades de pavilhão em África.”Para António Gaspar “Angola tem assim a possibilidade de mostrar a todos a sua hospitalidade e principalmente a sua capacidade de organização que lhe permite a breve trecho abalançar-se a outras organizações do género em várias modalidades”.

“Em particular no que ao Hóquei em Patins diz respeito, vai servir para que a modalidade no país possa ser projectada para patamares mais alargados, pois que os efeitos colaterais devem ser aproveitados para estender a mais zonas a prática da modalidade”, acrescentou. Segundo ainda António Gaspar “a nível internacional servirá para definitivamente marcar a posição do país, engajado no desenvolvimento da modalidade e consequentemente aproximarmo-nos em termos competitivos dos melhores”, disse.

MOMENTOS
Disputa do título no primeiro ano,
de trabalho como treinador e projecto d’Agosto


 António Gaspar teve muitos e variados momentos que deixaram marcas, algumas positivas, outras negativas, sendo certo que todas elas têm sido determinantes no seu desenvolvimento enquanto ser humano e em particular como treinador. “Não posso esquecer o primeiro ano em que trabalhei e o objectivo era não ficarmos em último lugar e com disciplina e um forte sentido de missão fomos disputar o título.”

Outro momento que o treinador não vai esquecer são os que se seguiram ao Projecto D’Agosto, apresentado em Outubro de 2010 e que apontava (e aponta) para a construção do edifício da modalidade no clube. “O projecto D´ Agosto a que estou ligado está assim escalonado: 1º ano (2011) reservado a iniciação; 2º ano (2012) ao desenvolvimento e no 3º ano (2013) à consolidação. Sabemos o quanto é importante as vitórias, até porque ganhar é muito bom, e sem surpresas, começarmos o 3º ano por vencer a primeira prova da época”, disse.

O treinador do 1º de Agosto destacou também um percurso em que participou e acompanhou o início da saga das selecções nacionais de Portugal em que no escalão de juvenis participou no desenvolvimento de jovens praticantes que hoje fazem parte da selecção nacional sénior de Portugal, concorrente ao próximo Campeonato do Mundo, como Ricardo Silva, Valter Neves, Ricardo Barreiros, Ricardo Oliveira, Jorge Silva, entre muitos outros.

“Marcante também foi o facto de fazer parte da equipa técnica nacional das selecções portuguesas de juvenil e júnior que no mesmo ano, 2000. Foram ambas Campeãs Europeias, facto que ocorreu pela primeira vez na brilhante história do Hóquei Patinado de Portugal”, acrescentou.

FORMAÇÃO E TRAJECTÓRIA
Treinador de Hóquei
em Patins de nível III


António César Gaspar é formado pela Universidade Técnica de Lisboa no Instituto Superior de Educação Fisica de Lisboa. Para além da formação académica, possui o Nível 3 de Treinador de Hóquei em Patins (nivel máximo) da Federação Portuguesa de Patinagem. Também tem sido prelector de cursos de treinadores no âmbito da Patinagem.

Como praticante António Gaspar começou a praticar Hóquei em Patins no Malhangalene de Lourenço Marques (Moçambique), mas por ter sido “empurrado” para a baliza, mudou-se para o basquetebol do Clube Ferroviário de Moçambique, onde jogou dos 8 aos 18 anos de idade.
“Sou treinador desde 12 de Setembro de 1976, por isso faz 37 anos que me dedico a esta função, que se tornou profissão. E estou perfeitamente à vontade quando falo do Hóquei em Patins, pelo que se não disserem para parar posso ficar a falar eternamente (risos).”

PERGUNTAS E RESPOSTAS
“Qualquer uma das 16
selecções pode almejar
o título no mundial de Hóquei”

Jornal dos Desportos: Acha que Angola pode vencer o 41º campeonato mundial de hóquei em patins?
António Gaspar: Teoricamente, qualquer de uma das 16 selecções em confronto pode almejar o título. No caso concreto, Angola tem de atingir patamares classificativos e chegar às meias finais e aí encontrar-se nos quatro primeiros lugares(...).

Quer fazer um prognóstico em relação aos principais favoritos no mundial de hóquei em patins?
AG:
Com maior ou menor dificuldade a Espanha, Argentina e Portugal vão estar a disputar um dos 4 primeiros lugares. Depois em função dos resultados anteriores destes 4 países – Angola, Chile, Itália e Moçambique – sai o quarto elemento. Eventualmente poder-se-á considerar a Colômbia por troca de Itália ou Moçambique.

Depois com os jogos das meias finais – Argentina x Portugal e Espanha x Um dos 4 apontados, sairá os finalistas. Inclino-me para Espanha x Portugal. Pelo passado recente, pelos resultados e pela forma de encarar a competição desde a formação, considero a Espanha como a principal favorita ao título.
JD: Para si quais são as reais possibilidades de Angola nesta prova?
AG:
Desde que se apresente concentrada em termos competitivos, Angola pode almejar a melhor classificação de sempre, isto é, um dos 4 primeiros lugares.

JD: Fale do seu trabalho no 1º de Agosto

AG: Fui contratado para Coordenador Técnico do Departamento de Patinagem e Treinador Principal da equipa sénior masculina. Ao chegar a 2011 começámos a trabalhar com 2 equipas (seniores e juniores) num total de 28 atletas. Em 2012, na segunda época, conseguimos colocar de pé o edificio do Hóquei em Patins do CD 1º de Agosto e terminámos a época com 122 atletas distribuidos pelas equipas de seniores, juniores, juvenis e núcleos de patinagem. Neste ano de 2013, prevê-se que tenhamos para cima de 160 atletas, surgindo mais uma equipa – a de iniciados. Na continuidade, vamos arrancar com a equipa de Patinagem de Velocidade, uma das disciplinas da Patinagem. Colaboramos assim para contribuir para o desenvolvimento da Patinagem em Angola e, projectar a Patinagem como uma das modalidades de eleição no Clube.

JD: Além de treinar o 1º de Agosto o que faz mais?
AG: Para além de treinar o CD 1º de Agosto, colaboro (com a devida autorização da Direcção do clube) com a Comissão de Revitalização da Educação Física e Desporto Escolar (comissão dependente do vice-presidente e liderada pelo Dr. Rui Mingas), ministrando Acções de Formação para Professores Primários por todo o País e sou Docente no Plano Especial de Bacharelato, permitindo que os Professores de Ed. Fisica com o Curso Médio do Instituto Normal de Educação Fisica obtenham o Grau Académico Superior de Bacharelato.

POR DENTRO
Nome completo: António César Moreira Gaspar
Filiação: António Adriano Gaspar (falecido) e Maria Virgínia Moreira
Nascimento: 7 de Setembro de 1958 na cidade do Santo Nome de Deus de Macau
Estado civil: Divorciado
Filhos: Uma filha – Sara Alves Gaspar  - nascida em 1993
Peso: 80 kg
Altura: 1,74
Calçado: 42
Prato preferido: Todos com grão de bico
Bebida: Coca cola e/ou vinho tinto
Clube:  1º de Agosto
Alguma vez mentiu: Sim
O que faz nos tempos livres: Descanso – ver filmes ou ler um livro
Religião: Católica, não praticante
Perfume: Terre by d’hermes
Tem carro próprio: Sim em Portugal. Aqui é cedido pelo clube
Tem casa própria: Sim em Portugal. Aqui é cedida pelo clube
Sonho: concretizar os meus objectivos de vida
Tem ídolo? Quem?: Lou Carneseca (treinador de basquetebol da universidade Stº John)