Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Angola quer ser potncia

Paulo Caculo - 15 de Dezembro, 2014

Dirigente da FAFUSA fez retrospectiva da poca desportiva no futsal

Fotografia: M. Machangongo

O presidente de direcção da Federação Angolana de Futebol de Salão (FAFUSA), Noé Alexandre, assegurou em entrevista exclusiva ao Jornal dos Desportos, que o nosso país tem todas as condições para num futuro breve, tornar-se campeão africano da modalidade.

O principal gestor do órgão que superintende o futsal angolano, que falava no âmbito do balanço das realizações da Federação na época desportiva de 2014, justificou que o último histórico da participação internacional da selecção, no CAN de 2008, ajudou a confirmar o potencial de Angola ao lado dos demais países habituais concorrentes ao troféu continental.

“Temos um dos melhores futsal da nossa região (africana), com excepção de Moçambique. Sabemos que África do Sul está a crescer e a Líbia também, que sempre vai buscar jogadores brasileiros, ao Marrocos e o Egipto, este último que é a melhor equipa africana. Só não fomos ao Campeonato do Mundo em 2008, por 'banga', porque o candidato era o Egipto com quem empatámos e goleámos a África do Sul, perdemos com a Zâmbia, que levou uma equipa jovem (Sub-17), por vaidade, ganhámos Moçambique, mas perdemos o apuramento ao Mundial pela diferença de golos”, esclareceu o presidente da FAFUSA.

O “número um” do futebol de salão em Angola assegurou que no “africano” de 2008, os responsáveis da FAFUSA conseguiram medir a pulsação dos adversários, o que deixou a ideia de que o nosso país pode ser uma potência da modalidade no continente. “Neste ano (2008), passaram na nossa série o Egipto e Moçambique. Mas conseguimos na altura medir a pulsação dos nossos adversários e chegámos à conclusão, que temos potencial para ir mais longe.

As selecções que habitualmente competem nestes torneios, nunca ganharam Angola e tenho a certeza que com trabalho, podemos ser campeões ou vice-campeões africanos e fazer uma boa imagem no mundial de futsal”, acrescentou Noé Alexandre, que confessa ser este o grande sonho que alimenta os anos da sua gestão à frente dos destinos da modalidade.

ÉPOCA
SATISFATÓRIA


O presidente da FAFUSA garantiu, por outro lado, ter razões de sobra para encerrar o ano de 2014 convicto de que a Federação conseguiu cumprir com a maioria dos objectivos programados.
“Relativamente

ao balanço da nossa época 2014, quer para a Federação como para os nossos associados, foi um ano satisfatório, porque conseguimos cumprir  90 por cento daquilo que
                                             

estava programado, isso, em termos do calendário de provas. Ficou por cumprir apenas o projecto de formação”, confessou o responsável federativo.
“Temos nos batido muito para que a formação seja uma prioridade, mas não conseguimos cumprir com este grande propósito, porque o prelector brasileiro da selecção do Paraguai, com carteira FIFA, que achamos estava em condições de dar esta formação de nível 1 aos nossos técnicos e árbitros cobrou um valor demasiado alto, que representa um terço do orçamento da Federação. Este foi um dos aspectos que fez com que não realizássemos a formação”, acrescentou.

CONSTATAÇÃO
“Namibe é grande pólo de desenvolvimento”

O presidente da FAFUSA afirmou que o grande pólo de desenvolvimento do futebol de salão no país, está na província do Namibe. Noé Alexandre justificou a afirmação com o facto de residir no local as maiores movimentações da prática da modalidade. “Em termos de massificação, estamos bem e em função do despertar dos nossos projectos de massificação, para Fevereiro teremos o primeiro torneio infanto-juvenil, na província da Huíla, como resultado da massificação que tem sido feita ao longo dos anos. Isto fará que a massificação seja feita a nível da juventude”, anunciou o líder federativo.

“Também em Fevereiro vamos realizar o primeiro torneio municipal 'Juventude em Férias', em três municípios de Luanda, nomeadamente Kilamba Kiaxi, Neves Bendinha e Nelito Soares. A prática do futsal é feita em 15 províncias e apenas não temos o futsal em zonas de Angola onde não é possível, como no Zaire, Cuando Cubango e Cunene, porque não há quadras de salão”, esclareceu. Questionado sobre a província que maior movimenta o futebol de salão em Angola, o presidente da FAFUSA foi peremptório na sua resposta:  “o grande pólo de desenvolvimento do futsal é o Namibe, que quando há torneios de futsal outras competições têm de parar”, disse ele e sublinhou haver também bons níveis da prática da modalidade na Huíla, Luanda, Benguela e Huambo.
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AVALIAÇÂO
“Provinciais”
têm mais equipas

O número de equipas envolvidas nos campeonatos provinciais de futebol de salão tem crescido ano após ano. E a época de 2013/2014 ficou marcada pela participação de 67 equipas, facto que permitiu movimentar, segundo o presidente da FAFUSA, cerca de mil pessoas no futsal. “Começámos a época com a disputa da Supertaça, mas para os campeonatos tivemos inscritos 67 equipas, o que significa que movimentámos aproximadamente mil pessoas. Realizámos também torneios infanto-juvenis em Luanda, Namibe, Huíla e Benguela, como grandes pólos de desenvolvimento da nossa modalidade”, destacou Noé Alexandre.

O dirigente federativo lamenta apenas o facto de não ter sido possível realizar o torneio inter-regional feminino, como perspectivado, porque este ano a Federação pretendia realizar o campeonato a nível de selecções provinciais, mas a pedido dos associados não foi possível efectivar, dada a carência de patrocínios.

“A Federação carece de um sponsor e o governo provincial nem sempre está em condições de patrocinar tudo que é selecção provincial. A outra competição que estava programada é a prova internacional, que não realizámos, mas pensamos fazê-lo no próximo ano”, prometeu.                    
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FEMININO
Supertaça
é inovação


A disputa da Supertaça e Taça de Angola, em feminino, são as grandes inovações no calendário de competições da Federação Angolana de Futebol de Salão  (FAFUSA), no ano que caminha para o seu fim. O presidente da Federação, Noé Alexandre, assegurou que a iniciativa visou dar maior competitividade às provas no género .

“Até ao ano antepassado, não tínhamos realizado a Taça de Angola no género feminino e nem a Supertaça, mas assim que este grupo tomou posse decidiu organizar estas provas, para dar mais competitividade às meninas. Foi assim, que organizámos este ano, pela primeira vez, estas duas grandes provas na província do Bié”, esclareceu o líder federativo. De acordo com Noé Alexandre, as duas competições realizadas pela FAFUSA (Taça de Angola e Supertaça) superaram às expectativas dos responsáveis federativos.

“Estas provas (Taça de Angola e Supertaça em feminino) ultrapassaram às expectativas, porquanto tivemos de realizar provas a nível regional e ficava muito difícil equipas do Norte irem para o Sul, do Leste para o Norte e Centro, ou vice-versa. Assim, optámos por fazer por regiões e os vencedores destas regiões fazerem sistemas cruzados”, acrescentou.

Os membros da FAFUSA, segundo Noé Alexandre, acreditam que no próximo ano vai ser possível  cumprir com a intenção de disputar uma competição regional entre selecções provinciais, propósito que reafirmou não ter sido ainda possível materializar.  
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“Vamos fazer parte da FAF”

A Federação Angolana de Futebol de Salão (FAFUSA) está com os dias contados. Os seus órgãos directivos vão ser integrados numa vice-presidência da Federação Angolana de Futebol (FAF), a ser anunciada na próxima Assembleia Geral da FAF, prevista para o próximo ano. O ainda presidente da FAFUSA, Noé Alexandre, vai assumir a vice-presidência, aguarda com enorme expectativa a integração nos órgãos directivos da FAF, sobretudo por acreditar que junto daquele órgão, a modalidade que dirige pode ganhar  maior abertura e visibilidade para as competições internacionais.

“Estamos a trabalhar com a FAF para a nossa integração nos seus órgãos directivos. Vou integrar a Federação de futebol como vice-presidente para o futsal e tenho a certeza que a nível de competições internacionais vamos sair a ganhar, porque a FAF tem maiores aberturas para torneios internacionais junto da CAF”, admitiu o presidente da FAFUSA e  adiantou  ter realizado já quatro encontros com Pedro Neto.

“Está tudo muito bem encaminhado para que tal aconteça. Já houve quatro encontros com a presidência da FAF e o último encontro foi realizado no mês passado, onde estiveram também presentes os directores técnicos das modalidades e na próxima Assembleia da FAF iremos ser apresentados oficialmente como vice-presidente para o futsal”, garantiu Noé Alexandre.

Com a provável entrada na FAF, o líder federativo apenas vislumbra vantagens, a começar pela presença de Angola nas maiores montras, continental e mundial do futebol de salão. Noé Alexandre justifica o optimismo com o facto das provas internacionais a nível do continente serem organizadas pela Confederação Africana de Futebol (CAF).

“O grande problema da competição a nível de selecções é que a CAF olha pouco para o futsal e esta modalidade está integrada também na FIFA e as provas mundiais são realizadas pela FIFA. É pena que na nossa região, a CAF pouco faz para o futsal e preocupa-se apenas em realizar provas em cada quatro anos. Em 2016,  haverá o Campeonato do Mundo e fomos para o site da CAF e da FIFA e notamos que não há nada perspectivado em termos de competição para 2015”, referiu.

Dado o vazio de provas africanas e mundial no próximo ano, Noé Alexandre garantiu haver um plano para realizar um torneio internacional, como forma de manter as selecções do continente em competição, antes de entrarem para disputa das eliminatórias ao Mundial de 2016.

“Apenas haverá as eliminatórias para o Campeonato do Mundo 2016 e nós, em função deste vazio, tivemos em duas ocasiões encontros com a Comissão de Futsal de Moçambique e estes solicitaram que Angola interviesse junto da CAF, para em Novembro realizarmos um torneio internacional, por ocasião das comemorações dos 40 anos da Independência de Angola”, esclareceu e sublinhou em seguida que a prova vai  contar com as presenças do Zimbabwe, Angola, Moçambique, África do Sul e Namíbia.
Paulo Caculo

PRÓXIMO ANO
“Formar árbitros e técnicos é prioridade”

A Federação Angolana de Futebol de Salão (FAFUSA) prevê cumprir em 2015, o projecto de formação de técnicos e árbitros, com apoio do Ministério da Juventude e Desportos e da Direcção Nacional dos Desportos. O plano de formação, segundo Noé Alexandre, vai contar com os experientes Shéu Cahalo e Benvindo Inácio, antigos seleccionadores nacionais da modalidade.

“No próximo ano, vamos atacar o projecto de formação de árbitros e técnicos, e se conseguirmos reunir  dez equipas em cada um dos municípios, vamos formar nada mais  nada menos do que 90 pessoas. Já temos as pessoas indicadas para ajudar na formação, que são os senhores Benvindo Inácio e  Shéu Cahalo, antigos seleccionadores. Estas pessoas estarão à frente deste projecto de massificação e poderão atrair mais pessoas. São experientes, o Benvindo já teve formação no exterior e o Shéu Cahalo tem sido um ‘habitué’ em formações no Brasil, por conta própria,  vamos aproveitar a experiência destes dois técnicos para orientar o projecto de formação”, garantiu.

Noé Alexandre mostra-se optimista quanto ao futuro do futebol de salão no país. Destaca, sobretudo, a subida dos níveis de praticantes que a modalidade tem conquistado nos últimos tempos, facto que em sua óptica pode ajudar a atrair mais apoios aos clubes e às Associações.
“Na final do Campeonato Nacional, que se realizou na província do Huambo, em que participaram 23 equipas, tivemos a amabilidade e sorte de contar com a presença de Sua Excelência o ministro Gonçalves Muadumba, que se sentiu satisfeito com o nível de organização e desenvolvimento da modalidade. Deu-nos mais força e prometeu-nos mais apoio,  orientou que realizássemos os primeiros torneios municipais, que já falei. Vamos iniciar em Luanda, porque não temos condições ainda para estender o torneio às demais províncias”, referiu.

O presidente da FAFUSA disse que manteve um contacto com algumas equipas brasileiras, em Julho último, com quem acordou a possibilidade da Federação enviar alguns jogadores de referência para o Brasil, com objectivo de ganhar maior experiência competitiva, para ajudar as selecções em compromissos futuros.

“Esses jogadores irão numa primeira fase, para serem observados e iremos custear as despesas, mas caso a equipa manifestar interesse eles poderão fazer os seus contratos. O objectivo é que estes atletas na altura da realização das eliminatórias tendo em vista as competições internacionais de 2016, venham com rodagem competitiva de outro nível, para ajudar a selecção”.                   
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DENTRO DE DIAS
Seleccionadores
são conhecidos


Os treinadores para as selecções nacionais seniores masculino e feminino de futebol de salão vão ser apresentados esta semana. A garantida foi dada ao Jornal dos Desportos pelo presidente da Federação Angolana de Futebol de Salão, Noé Alexandre. Noé Alexandre considera haver  necessidade urgente de os seleccionadores nacionais serem conhecidos, dado o programa  para  2015, cujo regresso em grande para as competições internacionais, é prioridade do elenco federativo.

“Em função do programa estabelecido para 2015, já temos indicado os técnicos para as selecções masculina e feminina e estas equipas irão deslocar-se para Huíla, Namibe e Benguela. Estamos a encetar contactos com os possíveis candidatos, as equipas técnicas nacionais. Dado  o crescimento que o futsal atingiu hoje, estamos em condições de nas nossas equipas técnicas não ter só profissionais de Luanda, mas também nomes de pessoas das províncias onde os níveis da prática da modalidade se fazem sentir com qualidade”, disse o presidente da FAFUSA.

“O Conselho Técnico irá lançar os nomes dos técnicos para as selecções de futsal masculino e feminino. Precisamos de começar a trabalhar, sobretudo nesta altura em que a nossa integração na FAF nos pode  permitir ter maiores competições por disputar, já que as demais selecções têm maior contacto com a FAF. Temos a certeza que vai haver maior abertura em termos de participação em competições internacionais. Enquanto tínhamos como meta apenas Brasil  e Portugal, com a FAF podemos chegar a outros países e continentes”, perspectivou Noé Alexandre.                                                  
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PROVÍNCIAS
Associações carecem de verbas

Uma das grandes promessas cumpridas pela Federação Angolana de Futebol de Salão (FAFUSA), no âmbito do plano de acção traçado em 2013, foi a realização de visitas de auscultação às 15 Associações provinciais da modalidade. O presidente de direcção, Noé Alexandre, acredita ter sido muito importante para a Federação constatar a realidade que atravessa cada um dos associados.

“Tem sido hábito, anualmente, realizarmos visitas de auscultação aos nossos associados e constatamos que os problemas têm sido os mesmos. Os governos províncias não apoiam as Associações, que sobrevivem das quotas dos clubes. Este tem sido um problema enorme que dificulta naturalmente a consolidação do calendário de provas locais”, assegurou o presidente da FAFUSA e sublinhou que a vertente financeira “é o problema mais bicudo” que enfrentam as Associações.

Em termos de infra-estruturas, a situação é diferente, acrescenta Noé Alexandre, pois alguns governos provinciais têm apoiado as Associações com a atribuição de instalações para sede, mas ainda assim, muito dificilmente a direcção destas Associações conseguem manter os funcionários por falta de verba para os pagar.

“A Federação tem só um orçamento anual de dez milhões kwanzas e não tem sido suficiente para custear todas as despesas da Federação e associados. Mas ainda assim, apoiamos as Associações com esta verba proveniente do Ministério da Juventude e Desportos. De igual modo, também temos feito entrega de troféus e de valores pecuniários, na medida do possível, sobretudo quando não temos patrocinador.  De um modo geral, tem sido mesmo com esse dinheiro do orçamento que custeamos as deslocações para que as equipas consigam realizar as suas provas”.                               
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