Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Angola viveu Jornada Desportiva de Solidariedade Anti-Imperialista

01 de Abril, 2015

Em Fevereiro de 1976, Angola albergou uma grande manifestação desportiva numa jornada a que se chamou de “Jornada Desportiva de Solidariedade Anti-Imperialista”, e que trouxe até nós desportistas da Guiné-Conacry, Congo Brazzaville, Nigéria, Cuba, antiga União Soviética e Argélia que competiram em diversas modalidades.

O basquetebol nacional esteve representado pelas selecções masculina e feminina, a primeira dirigida pelo professor Victorino Cunha.  Angola jogou e perdeu com a Nigéria no primeiro jogo por 62-71, em masculino, enquanto que as senhoras também consentiam  derrota, frente ao conjunto congolês por 44-64.

Nesta partida, Angola alinhou com Rui Marques, Mário Rocha, Mário Octávio, Guimarães, Hilário, Batalha, Ginjão, Didi e Gika, num jogo em que Mário Palma mostrou os seus dotes de árbitro, ao fazer parelha com o nigeriano BF Davies.De acordo com o relatos da época, a maior estrutura dos nigerianos pesou nas contas finais.

“Os gigantes nigerianos começaram por ganhar os ressaltos defensivos e mesmo até no ataque, mau grado a bola na movimentação defensiva da nossa formação, tiravam partido da sua maior altura.  A equipa angolana acusou nitidamente falta de competição e entrou em campo com bastante nervosismo”, escrevia o Jornal de Angola na sua edição de 3 de Fevereiro.Na derrota com o Congo, Angola alinhou com Alzira, Yola, Milá, Paula Freire, Bucha, Suzi, Palmira, Luísa e Isabel. A selecção feminina de Moçambique que também participou nessas jornadas jogou com uma equipa B de Angola, em Viana e em Saurimo, vencendo primeiro por 69-17 e 71-27.

DUAS SELECÇÕES DE ANGOLA
Apenas “prata da casa”
nas jornadas de futebol


O programa do futebol compreendia um jogo entre a Selecção Nacional e a sua congénere de Moçambique, mas a ausência do país vizinho levou a que a selecção B de Angola fosse a alternativa oportuna, após o Congo ter ficado impedido de se deslocar à capital angolana por problemas de transporte, não obstante todos os esforços envidados para tal.

No então Estádio Municipal dos Coqueiros, engalanado para as festividades, a equipa principal venceu por 2-1. Mesmo com o recurso à “prata da casa”, os dois conjuntos proporcionaram um espectáculo agradável, com bons lances de futebol, muita aplicação dentro das normas.

O jogo decorreu com muito equilíbrio do primeiro ao último minuto com os AA a imporem domínio territorial e BB sobre a defesa, mas sempre com a mira no contra-ataque. Os lances de perigo sucederam nas duas balizas mas com Manecas a ter mais trabalho que Ângelo.No jogo, o marcador só funcionou no segundo tempo, com Geovetty, com um dos seus fortes remates a inaugurar o placard aos sete minutos, vantagem que os BB vieram a anular aos 35 minutos, com golo de Arnaldo.

Nos minutos finais da partida, Arlindo Leitão marcou o golo vitorioso da selecção AA.Embora o encontro fosse de carácter particular, alguns jogadores que antes da Independência Nacional já davam cartas, acabaram por estar em evidência, casos de Mascarenhas, Rabida e Arnaldo na equipa BB, e ainda Manecas Leitão que foi o mais aplaudido, enquanto Santo António, Vinhas e Geovetty sobressaíram pelos AA. Os dois conjuntos alinharam com os seguintes atletas:

SELECÇÃO AA
- Ângelo, Jaime, Armandinho, Santo António, Vinhas, Geovetty, Augusto Pedro, Ginguma, André, Matreira, Melo e Queirós.
SELECÇÃO BB- Manecas, Catarino, Juca, Bento, Luizinho, Beto, Nelito, Ernesto, Chiby, Arnaldo, Rabida, Mateus, Figueiredo, Lala e Sardinha.

figura
Jornalista
ARLINDO MACEDO

Arlindo Mecedo, radialista de mão cheia, expõe  a sua visão sobre as diferentes etapas do nosso desporto, nos 40 anos de independência. Dono de um forte manancial de conhecimentos sobre o sector, aponta os grandes feitos alcançados até à presente data. Entretanto, não esconde o  lado crítico e aponta falta de visão dos novos dirigentes federativos, a saída do país de Veselin Vesko e a morte técnica do INEF como elementos responsáveis da decadência do desporto nacional. 

Onde  estava no dia 11 de Novembro de 1975?
No Lobito, aprisionado pela Unita, com uma perna partida. Diziam que me tinham baleado no Balombo, enquanto eu tinha caído de motocicleta. Mas fora uma denúncia maliciosa de um contemporâneo de escola, que fez o mesmo a outros, tendo acabado morto quando o quadro inverteu, com os cubanos já em terra.

Que acontecimento desportivo mais o marcou nestes 40 anos?
O CAN em Angola e o mundial de futebol na Alemanha vividos por dentro
ambos ex-aequo.A par destes acontecimentos, ambos futebolísticos, quais terão os outros que o marcaram a nível de outras disciplinas?

O primeiro campeonato africano de juniores, em basquetebol, o despertar do basquetebol angolano. Angola tinha feito a estreia na Afaba, em Marrocos 1979-80 com a geração do António Guimarães, Tonecas, Carlos Cunha, Hilário, Mário Octávio, etc

O que gostava que tivesse acontecido no nosso desporto, mas que não ocorreu nestes 40 anos?

A cura completa do futebol. Adoeceu de vez com a partida de Veselin Vesko. A chegada ao mundial foi um feito excepcional, graças a uma mão cheia de bons jogadores feitos fora, que não voltamos a ter iguais como Akwá, Mantorras, Gilberto, Flávio. Choro com as acções que não se tem a coragem nem determinação de operar no futebol. A última grande medida foi a obrigação de relvados depois 2004, tomada pela direcção encabeçada por Justino Fernandes.

Como jornalista de mão cheia, como avalia o seu contributo no processo evolutivo do nosso desporto?
Bolei a Rádio Cinco. Mas já não é o que eu concebera. Tornou-se quase um antro, apesar do desespero da Administração da RNA para higienizar aquilo. Precisamos de jornalistas que abracem o desporto, ao contrário de adeptos que se apoderam dos microfones. Antes disso, chefiei praticamente todo o curso da Rádio Cinco e contribuí na formação de colegas mais novos como Manuel Rabelais, Mateus Gonçalves ou António Clara. Em termo de coberturas jornalísticas, fiz até hoje todos os Jogos Olímpicos, de 80 a 2012, menos os de Los Angeles'84 devido ao boicote

Considera positivo o nível de evolução do nosso desporto nos 40 anos ou nem por isso?
Eu vejo o desporto a afundar, desde a morte técnica do INEF e a chegada dos novos presidentes de Federações sem estofo nem visão, nem programa sério.