Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Angolano em Frana quer jogar na Seleco

02 de Janeiro, 2012

Jogador gostava de alinhar um dia nos Palancas

Fotografia: kindala Manuel

Como e quando é que saiu de Angola?
Saí em 1990. Tenho pouco conhecimento de como ocorreu essa minha saída e o que era Angola naquele tempo, tendo em conta a minha idade na altura, mas informações que me são transmitidas pelos meus parentes dão-me a entender que o país estava a passar por uma fase de transição política.

Como conseguiu entrar no futebol francês?
O enquadramento foi fácil e natural. Nunca fiz outra coisa senão mesmo praticar futebol, por isso não tive nenhuma outra base de comparação, sobretudo quando se começa a carreira aos dez anos.

Está disposto a vestir a camisola da Selecção Nacional de futebol de Angola?
Claro! Sou e serei sempre angolano e é com muito orgulho que vestirei a camisola nacional se um dia a oportunidade me for dada. Porém, todas as minhas iniciativas para me aproximar da equipa nacional nunca tiveram resposta.

Alguma vez teve contactos com o futebol angolano?
De maneira concreta, não. Saí de Angola muito pequeno, com um ano. Mas tenho acompanhado a nossa Selecção Nacional através da televisão e pela Internet, sobretudo os grandes campeonatos tais como o Girabola, o CAN, sem esquecer evidentemente o Mundial de 2010.

Sabemos que está em curso um processo de naturalização como português. Isso pode ser impedimento para representar os Palancas Negras?
Penso que não, a lei angolana admite a dupla nacionalidade. O meu avô materno era português, como é o caso de muitos outros angolanos. O mais importante é a escolha que cada um faz. E a minha já foi feita e é clara. Integrar os Palancas Negras. Sei que muitos dos jogadores que actuam nos Palancas Negras, e que não interessa aqui citarmos os nomes, estão na mesma condição que eu.

Qual é a sua actual nacionalidade?
Tenho dupla nacionalidade neste momento. Sou angolano e português.

É um goleador?
Sim e não, porque tudo depende do esquema da minha equipa. Portanto, tudo depende da posição na qual me encontro a jogar no momento, pois sou um jogador que me empenho profundamente, que gosta dos espaços e um jogador que cria e conclui as suas acções. Daí, concluir que sou um goleador nato seria um pouco exagerado, porque realmente não ocupo a posição do “número nove”, para ficar parado na grande área.

Em que escola de futebol francesa foi formado?
Na França a idade ideal para integrar as escolas e centros de formação situa-se entre os 14 e 16 anos. No meu caso, integrei a escola de futebol Nevers Foot aos 14 anos, isto é, de 2003 até 2005. Depois disso, entrei em dois centros de formação aos 16 anos, que contribuíram muito para a minha vocação profissional. Refiro-me ao Stade de Reims, de 2006 até 2008, e ao CS Sedan-Ardennes, de 2008 até 2010, altura em que fiz 21 anos.


“Acompanho o Girabola
 pela Internet e televisão”

Tem alguma noção do Girabola?
Tenho sim, porque acompanho o  Girabola pela Internet e pela televisão na medida do possível. Por exemplo, não pude assistir até ao fim ao Girabola de 2010 que o Inter ganhou, mas dessa edição, tive a possibilidade de ver um jogo excelente. Sei também que o Petro Atlético de Luanda já ganhou o campeonato por 15 vezes. Há jogos que não tenho a possibilidade de ver, por causa de má conexão da Internet. Gosto da equipa do 1º de Agosto, uma das grandes formações do país e que também já venceu a prova muitas vezes.

Porque saiu do Reims, para ir jogar no Imphy-Decize?
Abandonei o Stade de Reims porque o director do centro de formação do CS Sedan-Ardennes me propôs e um projecto mais ambiciosos em relação ao que o Stade de Reims propunha. Foi assim que aceitei assinar pelo Club de Imphy-Decize, o que foi mais uma escolha desportiva, pois penso que na vida vale a pena às vezes recuar um passo, para depois dar dois passos decisivos em frente.

Alguma vez foi tentado pelos grandes clubes da Europa?
Claro que já! Sabe que o maior sonho de qualquer atleta no mundo é evoluir nos melhores clubes da Europa, e eu não sou uma excepção. 

Qual é o objectivo fundamental na tua carreira?
O objectivo é usufruir de uma carreira no mais alto nível futebolístico. Ser excelente nesta profissão que escolhi, utilizando todo o meu potencial e meios, afim de recolher os frutos de todo o investimento pessoal e profissional.  Basicamente, o ideal era combinar o trabalho com o prazer. Por isso, o meu objectivo é triunfar.

Aceita jogar em Angola no Girabola?
Aceito sim senhor, mas o meu interesse está mais focalizado nos Palancas Negras. A minha experiência europeia é sem dúvidas uma mais-valia.

Nos clubes da região em que joga existem outros atletas angolanos?
Sim. Na AS Beziers Football existe um jogador luso-angolano como eu.

>> Perfil

Nome completo: Fernando Miranda

Filiação: Miranda Sousa Neto e Maria Amorim

Naturalidade: Luanda

Data e local de nascimento: 28/04/1989, Ingombota

Nacionalidade:Luso-Angolano

Estado civil: Solteiro

Filhos: nenhum

Altura: 1,76m

Peso: 71kg

Calçado: 42

Tabaco: Não fumo

Bebida: Não bebo

Prato preferido: Arroz com frango e kizaka