Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Antigo basquetebolista concorre sua prpria sucesso no COA

Joo Francisco -On-line - 27 de Maio, 2013

Mundo a nossa capacidade de organizar grandes eventos

Fotografia: Jornal dos Desportos

O deputado Gustavo Vaz da Conceição, presidente cessante da Comissão Executiva do Comité Olímpico Angolano, é candidato à sua própria sucessão na direcção da instituição para o período 2013-2017, cujas eleições se realizam na primeira semana de Junho.

A motivação para o desporto do antigo jogador da Selecção Nacional de Basquetebol, Gustavo da Conceição, vem de longa data, tanto como praticante ou como dirigente durante seis anos na Federação Angolana de Basquetebol (FAB) e oito anos no COA.

“A minha motivação pelo desporto resulta da minha trajectória desportiva, que se confunde com a história da minha meninice, da minha juventude e da fase adulta da minha própria vida.

Comecei a praticar desporto a sério no momento em que cheguei ao ensino secundário, no antigo Liceu Salvador Correia, em Luanda, por volta dos dez anos, vindo de experiências no desporto escolar, particularmente nas modalidades de atletismo, futebol e basquetebol, tendo jogado oficialmente nestas duas últimas modalidades”, começou assim a descrever o seu percurso que, ao que tudo indica, está muito longe do fim.

O percurso do ex-presidente da FAB, como atleta e no dirigismo desportivo é tão vasto que um dia, segundo ele próprio, pode ser objecto de uma autobiografia.

“Fui e sou desportista, tendo passado pelo estatuto de atleta, incluindo atleta de alta competição, de treinador e de dirigente desportivo.

Vivi inúmeros momentos importantes nestes diferentes domínios, que é impossível descrever numa entrevista desta dimensão. Um dia escrevo um livro de memórias onde abordo este assunto”, revelou.

Para Gustavo da Conceição, muitos momentos estiveram no centro da sua trajectória, mas destacou apenas os momentos associados às vitórias desportivas que viveu, às vitórias eleitorais que obteve e às vitórias no domínio da afirmação profissional que conseguiu, que marcaram de forma indelével o seu percurso.

“Mas reconheço que também algumas derrotas e as poucas decepções que me proporcionaram momentos de reflexão e aprendizagem constituem registos que de alguma forma fazem parte desta trajectória”, sublinhou.

GERAÇÃO DE OURO
Desde o Atlético de Luanda
às selecções nacionais


Gustavo da Conceição pertence a uma antiga geração, que acompanhou a transição do que se fazia no tempo colonial para o que desportivamente produzimos com a ascensão à independência.

“Portanto, desde os anos 70 até hoje, é fácil imaginar que acumulo um inesquecível manancial de dados, informações, histórias e pessoas que não cito porque cometia a injustiça de não poder nomear todos.” 

“Desde as histórias ligadas ao Clube Atlético de Luanda (CAL), onde joguei futebol e me iniciei no basquetebol, ao Benfica de Luanda, onde fiz o primeiro jogo oficial, passando pela TAAG e pelo 1º Agosto, agremiações onde enquadrei o grupo de “atletas fundadores” e somando uma década de selecções nacionais, tudo constitui um dia aquilo que espero poder escrever como as memórias da minha vida desportiva”, lembrou.

OLIMPISMO

Escola da vida

O homem que agora divide a sua vida entre a política e o desporto, valoriza sobretudo a sua experiência e vivência olímpica que acredita serem úteis e importantes para que o olimpismo continue a afirmar-se em Angola.

“O espírito de equipa e a vontade de superar dificuldades foram as principais marcas do elenco anterior do COA”, sublinhou.

Em relação aos pontos fracos do seu mandato cessante, Gustavo da Conceição apontou “as insuficiências administrativas” como principal obstáculo.

De acordo com o provável candidato único à Comissão Executiva do COA, que leva o país até aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016, está sempre preparado para novos desafios. 

“Como desportista ou simplesmente enquanto cidadão estou pronto e disponível para fazer qualquer coisa que acrescente valor a este projecto”, concluiu.

PING PONG
“Mundial de Hóquei
é a montra de Angola ”


Jornal dos Desportos: Angola vai realizar o Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins. Qual é para si a importância deste acontecimento?
Gustavo da Conceição: É mais uma montra onde Angola se apresenta à comunidade internacional. Por isso constitui uma oportunidade que não devemos negligenciar.

JD: Acha que Angola pode vencer o Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins?

GC: Não, porque existem selecções tradicionalmente mais fortes e que, em termos de competição, estão noutra galáxia. Estou a pensar em Espanha, Portugal, Itália, entre outros.

JD: Quais são as possibilidades reais de Angola neste Mundial?  
GC:  Em minha opinião, as possibilidades de Angola são as de superar os seus melhores resultados de sempre.

JD: Acha que o País consegue responder de forma positiva à organização do Campeonato Mundial em termos de infra-estruturas? 
GC: Acho e acredito que deste ponto de vista já ganhámos.

JD: Quais são os verdadeiros ganhos para o País com a realização do Campeonato do do Mundo de Hóquei em Patins?  
GC: Valorizarmos um desporto em que Angola pode continuar a afirmar-se internacionalmente e mostrarmos ao Mundo a nossa capacidade de organizar grandes eventos.

HISTORIAL
COA foi fundado em Fevereiro de 1979


As Federações nacionais de Andebol, Atletismo, Basquetebol, Futebol, Ginástica, Hóquei em Patins, Judo, Natação, Voleibol e Xadrez foram as fundadoras do Comité Olímpico Angolano (COA), a 17 de Fevereiro de 1979, tendo como presidente Augusto Lopes Teixeira,  para um mandato bastante curto, de 1979 a 1980.

O COA foi reconhecido provisoriamente pelo Comité Olímpico Internacional (COI) na reunião da Comissão Executiva em Nagoya, em Outubro de 1979. O reconhecimento oficial foi em Fevereiro de 1980 na reunião internacional do COI em Lake Placid City (EUA).

O COA teve quatro presidentes, Augusto Lopes Teixeira (1979-1980), Germano Araújo (1980-1993), Rogério Torres Cerveira Nunes da Silva (1993-2004) e Gustavo Dias Vaz da Conceição (2005-2008) e (2009-2012).  Gustavo Dias Vaz da Conceição foi um dos cinco secretários-gerais do COA (1993-2001).

Os outros foram Óscar Fernandes (1979-1980), Fernando de Matos Fernandes (1980-1991), Diogo José de Menezes (1991-1993) e Mário Rosa Rodrigues de Almeida (2001-2004) e (2005-2012), ainda em funções. Fernando de Matos Fernandes e Diogo José de Menezes já faleceram.
O COA tem como patrocinadores oficiais TPA, BCI, Sonangol, Endiama, ENSA, Angola -Telecom, RNA e Grupo Refriango.