Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Antigo internacional v realizado o sonho de um Mundial em Angola

01 de Março, 2013

Foi a partir do Sporting de Luanda que o agora dirigente comeou a experincia profissional

Fotografia: M.Machangongo

Oactual vice-presidente da Federação Angolana de Patinagem para a Massificação, Damásio dos Santos Júnior, 52 anos, conhecido no mundo desportivo como Kaissara, um dos melhores hoquistas do seu tempo, disse ao Jornal dos Desportos que a sua adesão ao hóquei em patins se deveu às expectativas geradas pelos preparativos para o Mundial de 1974, que Angola devia albergar. Devido à situação política que se gerou após o 25 de Abril, a prova acabou por ser transferida para Portugal, mas o então adolescente de 14 anos já tinha ganho o gosto pela modalidade e acabou por se tornar numa das principais referências do hóquei em patins em Angola.“O Campeonato Mundial de 1974, que esteve inclusive na origem da construção da Cidadela Desportiva, onde o evento devia ser realizado - que só não foi devido às convulsões que deram origem à Independência do País -, fez com que o hóquei em patins passasse a existir na altura em todos os bairros urbanos e suburbanos de Luanda, devido ao material (patins, sticks, bolas) que foi colocado no nosso mercado, no âmbito dos preparativos”, afirmou.  Kaissara recorda que foi depois daquele frenesim, já em 1975, que o pai levou um par de patins para casa, com o qual começou a praticar, primeiro no quintal e depois na rua, para acabar no campo do Atlético Sport Aviação (ASA), recinto com maior segurança, aonde, na altura, afluía a maioria dos patinadores para receber instrução de um monitor, que dava aulas de iniciação à patinagem. “Em finais de 1975 e princípios de 1976, ao nos mudarmos do Cassequel do Buraco para o Alvalade, inscrevi-me no CDUA (Clube Desportivo Universitário de Angola), que deu depois origem à Escola de Hóquei do Cassenda, onde comecei a minha carreira oficial na patinagem, inicialmente como corredor”, conta.TRAJECTÓRIAJá com o “bichinho” da modalidade entranhado no corpo, Kaissara começou a dar nas vistas aos 15 anos, como um patinador muito rápido e versátil. “Em 1976, fui o vencedor das primeiras corridas de patins realizadas em Angola depois da Independência, na Cidadela, já em representação do CDUA”, lembra. Ao ganhar a sua primeira corrida, passou a fazer parte dos planos da equipa de hóquei em patins do CDUA, na altura comandada pelo angolano Necas Ferreira, sagrando-se várias vezes campeão nacional de juvenis e uma vez em juniores, na única época que fez pela agremiação nesse escalão.Ainda em idade júnior, devido à versatilidade sem igual na quadra, passou a ser uma peça fundamental da equipa do CDUA, que se transformou na Escola de Hóquei do Cassenda, voltando a ser Campeão Nacional até 1982, também sob a batuta de Necas Ferreira. Volvidos 39 anos sobre o ambiente que o levou ao hóquei em patins, o antigo internacional angolano vê, como dirigente federativo, Angola preparar-se para albergar o primeiro Campeonato do Mundo da modalidade a realizar-se em África.MOMENTOS“Angola é respeitada no mundo do hóquei”Para Kaissara, as participações de Angola nos Campeonatos do Mundo de Hóquei e Patins que se seguiram sempre às Taças das Nações de Montreux, foram os momentos mais marcantes da sua carreira e fizeram com que Angola angariasse o respeito que hoje ostenta. “Os meus momentos altos e baixos foram sem dúvida aqueles em que representei Angola em quatro campeonatos mundiais”, afirma o antigo internacional, que destaca o jogo com a Itália, em 1982. Nessa partida com a então campeã do Mundo, que detinha o melhor jogador do momento, Angola esteve a vencer por 5-0, mas acabou por perder por 7-6, “por falta de experiência”, no dizer de Kaissara.“A partir daquele momento, o hóquei em patins angolano começou a ser respeitado e falado a nível mundial”, acrescentou o jogador. O Mundial de 1982 foi ganho por Portugal. Os anfitriões, recorda Kaissara, “possuíam então um ‘dream team’, em que pontificavam jogadores como Chana, Cristiano, Sobrinho, Leste, Realista e o melhor guarda-redes do mundo na altura, Ramalhete, que é o actual Presidente do Hóquei Clube Benfica de Lisboa”. Portugal dominava o hóquei em patins mundial e os jogos com Angola serviram para avaliar a evolução da modalidade no nosso País aos olhos das outras Nações. “No primeiro jogo com Portugal, Angola perdeu por 21-1, em Montreux. No Campeonato do Mundo que se seguiu, Angola perde por 11-5 e na mesma prova a selecção angolana voltou a encontrar-se com a selecção das quinas, com quem perdeu já por apenas duas bolas de diferença, 4-2. Esses dados espelham os francos progressos alcançados pelo hóquei em patins angolano num único ano”, referiu. Kaisara integrou as selecções nacionais de seniores em quatro Taças das Nações e outros tantos Campeonatos do Mundo, realizados em Lisboa e Barcelos (Portugal), Paris (França), Nolara (Itália) e San Juan (Argentina).RECONHECIMENTOJogador revelaçãoda Taça das NaçõesEm 1982, Kaissara fez parte da primeira Selecção Nacional de Angola, que participou na Taça das Nações em Montreux (Suíça), tendo conquistado o troféu de jogador revelação do torneio. Neste mesmo ano, integrou a equipa nacional que participou no Campeonato Mundial, disputado nas cidades portuguesas de Lisboa e Barcelos. De regresso ao País, ainda em 1982, transferiu-se para o Sporting de Luanda, equipa com a qual venceu os Campeonatos Nacionais até 1984. “Foi a partir do Sporting de Luanda que vivi a minha experiência profissional no hóquei italiano e mundial. Fui o primeiro angolano a ser autorizado oficialmente a ingressar no profissionalismo numa equipa do exterior do País, concretamente em Itália, ao abrigo de um contrato entre os leões da capital e o Seregno Hóquei Club de Milão, onde joguei duas épocas, e terminei a minha carreira no Modena Hóquei Club de Bologna, em 1992”, frisou. POR DENTRO Nome completo: Damásio Dias dos Santos Júnior  Local e Data de Nascimento: Sambizanga (Luanda), 9 de Junho de 1960Estado Civil: CasadoFilhos: TrêsAltura: 1,63 mPeso: 75 kgPerfume: KourusCor preferida: VermelhoPrato preferido: Funji de CaluluBebida: Bom vinho e whiskyTempos livres:Leitura Clube do Coração: 1º de Agosto e BenficaCidade: LuandaPais: AngolaJá alguma vez mentiu: Só bluff Sonho: “Ser campeão do mundo de hóquei em patins como dirigente. Já que não fui como jogador.”