Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Apuramento ao girabola nagativo

Textos: Avelino Umba - 27 de Agosto, 2010

Francisco Inock quer mais apoio ao futebol

Fotografia: Eduardo Cunha

Como está o desporto na província de Malange?
Não está bem saudável. Podemos assumir que estamos com problemas graves, pois há três ou quatro anos disputamos os apuramentos ao Girabola, mas fracassamos por falta de apoio local. Os responsáveis das equipas como a da Baixa de Kassange, na pessoa do seu presidente, João José Rafael “Almeida”, fazem tudo no sentido de o futebol não desaparecer na província. A massificação, em particular, é o único programa que está a bom caminho, pois temos cerca de 300 crianças inscritas. Só o basquetebol congrega cinquenta crianças; o xadrez tem 30 crianças de diferentes escolas da urbe.

E quanto a outras agremiações?
Também fazem o possível, mas quando chega o período de participar da Segundona, desistem por falta de meios financeiros. Esse é o grande mal do país, sobretudo, da Federação Angolana de Futebol (FAF) que já devia encontrar um outro modelo de disputa para que as equipas vindas de determinadas regiões não desistam. Estou convencido de que os moldes em que se praticam o futebol em Angola, sobretudo, no apuramento, são extremamente negativos, porque as equipas de Malange, por exemplo, para jogarem nas províncias de Cabinda ou do Zaire, concretamente, na cidade de Mbanza Congo, acarretam elevadas despesas. A verdade é que a sua série é constituída pelas províncias da Lunda-Norte, Lunda-Sul e Moxico. O actual molde prejudica as equipas da nossa província e mostramos manifestar o nosso desagrado.

Estádio

Como estão servidos em termos de infra-estruturas desportivas?
Não estamos bem servidos, pois temos discutido com o Governo provincial sobre os projectos apresentados inerentes a infra-estruturas desportivas. As grandes infra-estruturas, que se fizeram em algumas províncias de Angola, deviam ser divididas pelo país, pois o desporto não se faz sentir a cem por cento em determinadas províncias beneficiadas, ao passo que Malange está com um movimento muito acentuado na massificação desportiva, sobretudo, nas modalidades de basquetebol, xadrez, karaté, futebol-salão, judo, entre outras, sem infra-estruturas adequadas.

Sentem-se desmoralizados?
Vamos ter de esperar. Quem sabe, dentro de cinco anos o desporto em Malange consiga discutir os lugares cimeiros! Malange participa regularmente nos campeonatos nacionais de vários escalões com as modalidades de andebol, judo, xadrez, futebol. Só isso não nos satisfaz, porquanto queremos cada vez mais. Falta-nos o apoio do empresariado local.

O vosso objectivo é resgatar a imagem de Malange, perdida no tempo?
O Governo provincial apoia institucionalmente o desporto. Não é responsabilidade do governo provincial apoiar os clubes, por que são instituições colectivas privadas. Os clubes são associações que se regem ao abrigo da Lei das Associações. No entanto, cabe a cada direcção de clube encontrar meios financeiros para suportar os custos de participação. Os clubes, que assumem atletas profissionais, devem ter dinheiro para honrar os contratos. Não é responsabilidade do Estado assumir os custos de salários, alimentação ou de transportação. O que pode haver é uma solidariedade como havia no Governo provincial anterior, que apoiava financeiramente os clubes sempre que fosse possível através de uma verba definida. Estamos a discutir as propostas apresentadas ao Governador provincial no sentido de apoiar o desporto e a cultura que  consideramos sectores vitais da sociedade.

Afinal, que apoios os clubes recebem do Governo?
O Governo provincial dá alguns apoios para realizar algumas actividades, mas no que toca ao futebol, nem um Lwei. Em tempos idos, Malange organizou o Campeonato Nacional de Xadrez. O governo local apoiou essa actividade, mas quando se fala de futebol, modalidade rainha que arrasta multidões, não há apoios.

Falta de apoios financeiros
causa desistência do zonal

Das três equipas inscritas no zonal de apuramento para Girabola’2011, nomeadamente, Baixa de Kassanje, Pekandek e Ritondo, as duas últimas desistiram da corrida. O que se lhe oferece dizer?
Lamento por esse facto, pois os clubes desistentes não tiveram suporte financeiro para os devidos encargos. Conhecemos muitas equipas que passaram por esta situação e sabemos que entrar numa determinada competição sem apoios financeiros é bastante complicado.

A direcção que dirige tem algum orçamento para o efeito?
Nunca tivemos. Aliás, nenhuma Direcção Provincial da Juventude e Desportos tem orçamento para tal.

Há intercâmbio e troca de experiências com outras províncias?
Os jogos amigáveis de andebol e de outras modalidades com as províncias do Kwanza-Norte, Uíje, Lunda-Norte e Lunda-Sul, no âmbito de intercâmbios entre as regiões, no qual a descoberta de hábitos e de costumes, é um facto.

O Estádio 1º de Maio é o único para prática de futebol de alta competição na província de Malanje. A quem está adjudicada a gestão?
Estádio está sobre gestão e manutenção da Direcção Provincial da Juventude e Desportos, no qual os clubes o utilizam a custo zero.

O número de bancadas parece não satisfazer a demanda dos espectadores. Existe algum projecto para a sua ampliação?
Há de facto um projecto de requalificação, no qual consta a construção de novas bancadas e a pista para atletismo, o que seria muito importante para o Estádio 1º de Maio. Outrossim, esse Estádio devia passar a um segundo campo, pois na altura da construção de Estádio que albergaram o CAN’2010, quer o Governo Provincial quer o Central deviam contemplar a província com um novo estádio em Malanje.

Malanje reaparece na arena desportiva nacional a passos de camaleão. O que estão a fazer para que o desporto seja um facto, a exemplo de outras províncias?
Temos um programa de massificação desportiva na província, razão pela qual aparecemos todos anos nas competições de xadrez, andebol e de outras modalidades. Mas precisamos de fazer muito mais e estou crente que vamos fazer. Temos muita força nas modalidades acima citadas, embora reconheçamos que em Angola o desporto está mal.

Há falta de quadros na terra da palanca

Que política está traçada para que o desporto se estenda a toda a província?
A política é do Governo Central através do Ministério da Juventude e Desportos, o qual contratou três empresas para construírem campos polivalentes para a prática do desporto no âmbito do “Programa Despontar”, nos municípios de Quela, Kangandala, Calandula e Cacuso. As empresas não cumpriram com os prazos estabelecidos, razão pela qual podemos levar o caso ao tribunal dentro de dias. Não existem campos nos municípios. A realização de alguns jogos nos municípios fazem-se graças às boas relações com a Direcção Provincial da Educação que nos autoriza a utilização de campos de determinadas escolas como a do Quéssua.

Quais as modalidades mais notórias que se praticam na região?
Para além do futebol, o xadrez, andebol, basquetebol e Karaté-dó são as mais notórias na província.

Que perspectivas existem para o desenvolvimento do desporto?
Perspectivamos a massificação, a exemplo das províncias de Cabinda e de Benguela e outras que trabalham nesse sentido, de forma a tirar o desporto local do marasmo em que se encontra, sobretudo, o futebol, basquetebol e andebol.

Quais são as grandes dificuldades que a província enfrenta?
A falta de quadros é o primeiro calcanhar de Aquiles. Todos desapareceram da província durante o conflito armado que assolou o país. Com o advento da paz, está a fazer-se alguma coisa para colmatar os défices que a província vive nas modalidades de futebol, basquetebol e andebol.