Jornal dos Desportos

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Entrevistas

As pessoas mostraram-se interessadas em conhecer a Provncia de Cabinda

Joaquim Suami, em Cabinda - 14 de Julho, 2017

Os cabindenses j demonstraram que no brincam em servio.

Fotografia: Jos Soares | Edies Novembro0

Depois da experiência no Tour Africa International, que avaliação se lhe oferece fazer?
Foi um Tour fantástico. O percurso foi excelente. Quando sai de Cabinda para Luanda, as coisas foram rápidas, ou seja, foi fácil da fronteira do Yema até a capital do país. No regresso, foi complicado por causa do cansaço. Foram muitas horas de estrada. Uma parte da via em Mbanza Congo e na RDC não é boa. Senti dificuldades, mas consegui chegar a casa são e salvo. A experiência vivida vai ficar na minha memória em toda a vida. Representei a minha província. Durante a aventura turística desportiva, conheci pessoas excelentes. Antes de me juntar ao grupo, conhecia apenas duas pessoas, depois conheci mais de 25 elementos quando nos agrupamos no Lobito, antes da nossa partida. Todos são amigos, irmãos e filhos, algo que nunca irei esquecer.

Atribui valores supremos aos colegas de estrada...
Quero deixar um abraço aos colegas da Associação Amigos da Picada. Trataram-me bem e com muito afecto; deram-me força, coragem, mesmo sendo o mais velho do grupo, mas com pouca experiência. Cuidaram de mim. Agradeço de todo o coração. Não quero falar em nome individual para não me esquecer de alguns. Orgulho-me de todos que fizeram parte do tour.

O que mais lhe marcou nessa aventura?
Durante o descanso, conversávamos com as pessoas das vilas e das cidades. Notei admiração por verem tanta moto. As pessoas perguntavam-nos de que país éramos. Destaquei-me no grupo, por lhes explicar sobre a província de Cabinda. Muitas perguntas foram-me feitas sobre a circunscrição.E as pessoas mostraram-se interessadas em conhecer Cabinda, não só pela existência de petróleo, mas para turismo. Manifestaram interesse em conhecer a floresta de Mayombe e outros pontos de lazer espalhados por Cabinda.

Concretamente, que mensagem deixou às pessoas?

Falei da madeira, agricultura, infra-estruturas sociais, económicas e desportivas; do ensino, da cultura e dos usos e costumes da terra. Em Moçambique, por exemplo, fiz amizade com um jornalista da televisão local que ficou admirado com a província de Cabinda. Para ele, não é fácil sair de Cabinda até a Moçambique de moto. Mostrou-se interessado em visitar a nossa província para conhecer as potencialidades locais.

Que critérios são necessários para fazer parte dos Amigos da Picada em Cabinda?
O interessado deve cumprir uma série de regras. É uma instituição reconhecida, organizada e não é de brincadeira. Para receber o colete preto com as cores dos países, onde se passa, deve percorrer os 10,3 mil quilómetros de moto por estrada. Só depois, no regresso a Angola é-lhe atribuído o colete. Tudo passa pelo comportamento, disciplina pessoal e qualidades demonstradas durante o tour.

O que significa o colete preto com as bandeiras dos países onde passaram?

Este colete significa para mim a bandeira nacional; deram-mo com honra e pediram que seja usado com dignidade em nome do grupo. Agora, os que fizerem parte dos Amigos da Picada em Cabinda devem saber que este colete tem peso. Não o posso entregar a qualquer pessoa para usar, mesmo que seja um familiar. É um símbolo do grupo. Só os elementos do grupo devem usá-lo.

Que constrangimentos registou durante o tour?

Por falta de experiência de alguns motoqueiros que se estrearam, tivemos alguns acidentes, dos quais um considerado grave. Com a ajuda de um médico, foi mandado de regresso via área para Angola. Um outro teve de abandonar o Tour por infelicidade de um familiar.

Em que país se sentiram mais acolhidos?

Moçambique. Neste país irmão, fomos bem acolhidos e recebidos pelo Ministro dos Desportos, um homem com espírito de ajudar as pessoas. Foram bons dias e bons momentos.

E na África do Sul?

As pessoas receberam-nos bem. O frio foi o nosso principal adversário. Mesmo com casaco, sente-se frio.

Para quando a realização de um outro tour?

Está combinado a realização do Raid-Angola em Cabinda, no mês de Novembro do corrente ano, em saudação ao 42º aniversario da independência nacional. Já estamos a trabalhar na criação de condições para que o evento aconteça. A actividade não serve apenas para se conhecer a cidade de Cabinda, mas os principais locais turísticos de Cabinda. Desde já quero agradecer o Comandante Provincial da Polícia Nacional em Cabinda, o Comissário Eusébio pelo apoio que me proporcionou durante todo o Tour Africa International. É um gesto de louvar. Espero que outras pessoas sigam a iniciativa.