Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

As vitrias escondem verdades

Silva Cacuti - 18 de Abril, 2012

Antnio Custdio um nome que dispensa apresentaes nas lides do andebol

Fotografia: Jornal dos Desportos

Jornal dos Desportos-Qual é a percepção do actual estado do andebol em Luanda?
António Custódio - Às vezes as vitórias escondem certas verdades, mas posso dizer que o andebol em Luanda não vai muito bem porque analisando o número de equipas seniores que temos hoje, já diz tudo. Não podemos resumir competições a três equipas. Veja no provincial, com a saída do Petro para compromissos internacionais ficou o 1º de Agosto, ASA, Marinha, Progresso, entra uma e sai outra, vimos a entrada do Progresso mas o Ferroviário desistiu. Enquanto não trabalharmos seriamente na formação não teremos muitas equipas seniores e aí vai ser difícil manter o nível das conquistas que as equipas de Luanda já granjearam.

JD- A vossa abordagem ao andebol de Luanda identificou as grandes preocupações dos clubes. Quais são?
AC- Os clubes, devido às suas dificuldades financeiras, queixam-se de tudo. Tivemos o cuidado de notar com interesse as reclamações com a questão organizativa da competição em Luanda, cujos moldes beneficiam duas ou três equipas que têm atletas seleccionáveis, que vão às competições internacionais.

JD- Que alterações pretendem?
AC- Refiro-me a dar maior competitividade à própria competição. Não devíamos resumir o campeonato a dois ou três meses, devíamos tentar fazer uma competição, nem que seja com alguns torneios, juntando-se ao empresariado e vermos formas de manter em competição os clubes pequenos que têm muita dificuldade quando vão aos campeonatos nacionais. Por exemplo, o “nacional” começa em Setembro e se o provincial termina em Abril, eles têm até ao início do nacional atletas parados, enquanto os clubes que dão atletas à selecção ou vão aos campeonatos africanos têm os seus atletas a jogar e quando chegarem aos nacionais têm as suas atletas mais rodadas. A grande preocupação é melhorar a competição em Luanda, dar mais valor à modalidade, porque em termos do número de praticantes ela está a desaparecer, mas não nos apercebemos porque temos as vitórias que vão cobrindo esta situação. Um dia se não ganharmos com a selecção, se o Petro não trouxer vitórias, então veremos que há necessidade de trabalharmos mais na base a fim de criarmos alicerces para o futuro.

JD- Explique melhor em relação ao modelo de competição.
AC- Nós esperamos que a Lei do Mecenato recentemente aprovada funcione em pleno para podermos junto de alguns empresários usufruirmos do seu interesse em ajudar a modalidade. Há situações em que temos que voltar. Nos anos passados, dada a redução de equipas, fazíamos campeonatos unificados seniores e juniores. Queremos regressar a este molde, para dar mais competitividade. Repare que com três equipas seniores, mesmo que façamos três voltas não dá para que um clube se apresente para os nacionais em condições. Este ano, por exemplo, o nacional vai jogar-se antes dos jogos olímpicos e de Setembro em diante os atletas ficam no defeso e os clubes que não têm atletas na selecção pagam atletas sem estarem no activo, mas sem culpa dos jogadores, por falta de competição. É aí que queremos cobrir o vazio. Chegar a uma empresa e engajá-la na realização de um torneio alusivo a uma das suas festas, numa altura em que as equipas grandes não estão porque cederam atletas à selecção, as equipas pequenas participam nestes torneios e ganham rodagem competitiva para quando chegarem aos nacionais poderem estar em igualdade de rodagem competitiva com as maiores equipas.

JD- Luanda tem nova divisão administrativa e que acções contemplam o vosso programa para que se atinja toda a província com a prática do andebol?
AC- Temos no nosso programa previstos trabalhos junto das administrações municipais, para em conjunto vermos formas de criar pólos de desenvolvimento. Vamos direccionar-nos, com a ajuda das administrações e apoio de algumas empresas que abraçaram o nosso projecto, para os colégios e escolas, trabalhar com os professores de Educação Física, que devem receber incentivos para activar a modalidade na escola e, sob nossa orientação, realizar torneios interescolares. Os clubes que vão à busca de atletas talentosos identificados nos pólos, forneçam material desportivo para o crescimento do pólo.



PROGRAMA        
Apal vai encarar clubes com mesma igualdade


JD- O vosso programa fala em desburocratizar as inscrições de atletas e outros agentes. Qual é a realidade actual sobre este assunto?

AC- Neste momento, as equipas seniores estão a jogar com listas, atletas não estão inscritos porque faltam contratos, falta isto e falta aquilo e às vezes para as equipas pequenas há dificuldades na compra de boletins para inscrição. Queremos acabar com as dificuldades dos clubes por esta ou aquela razão. Queremos fazer uma associação de clubes, a Apal não pode ser vista como um muro de dificuldades. Se o clube está com dificuldades vamos ajudar, não complicar. Se virarmos as costas ao nosso associado não estaremos a cumprir os desígnios da nossa candidatura.

JD- Vocês preconizam alterações no regulamento de transferências com o objectivo de proteger os clubes pequenos que formam grandes atletas. Já estão previstas acções concretas?
AC- É um capítulo que queremos rever para que ninguém fique prejudicado, principalmente estes clubes que formam grandes atletas.
Vamos fazer o acompanhamento dos clubes, tentar orientar o que devem fazer para proteger os seus interesses, porque às vezes falta informação a estes clubes.
Vamos ver o que podemos fazer para mudar o regulamento. Por isso, muitas vezes nas reuniões vamos pedir que os clubes enviem pessoas que possam tomar decisões para podermos ajudar neste sentido.

JD- Como fazem para que o empresariado se aproxime da Apal, a fim de ajudar na consumação do vosso programa e que incentivos vocês têm?
AC- Vamos criar torneios, oferecer publicidade nos nossos eventos, mas queremos também intercâmbio com as demais associações, tentar criar planos conjuntos de formação, intercâmbio desportivo, entre outras acções.



CAMPANHA
“Nosso programa não é de fantasias”

JD- O andebol produz figuras cujos feitos ficam na memória dos praticantes. Como encaram estas pessoas ou instituições?
AC– Vamos ter atenção a este assunto. Achamos que devíamos deixar de criar taças só quando estas pessoas desaparecem. Queremos ver o porquê do semi-desaparecimento da Taça Paulo Bunze. Será que não podemos criar um torneio Palmira Barbosa, um torneio para homenagear um Godinho, um Micá, um Mascote, um Edgar. Se organizarmos um campeonato, na abertura ou no encerramento podemos homenagear figuras da modalidade, enquanto estão vivas, para que possam ver a gratidão pelo seu legado.

JD- A campanha eleitoral termina hoje. Que dizer dos contactos mantidos com os eleitores?
AC– Os clubes são iguais a outros eleitores. Mostrámos o nosso programa e tentámos mostrar o que nos levou a esta candidatura. Esperamos que analisem o nosso programa e no dia D escolham a lista A como a lista que melhores garantias dá para melhorar o desenvolvimento e prática do andebol. O nosso programa não é de fantasias, é exequível e confio plenamente nele como uma alternativa para os problemas da modalidade na capital.


ELENCO


Mesa da Assembleia Geral

Presidente: Salustiano Ferreira

DIRECÇÃO
Presidente: António Custódio
Vice-presidente: Albertino Oliveira

CONSELHO FISCAL
Presidente: Elisa Webba

CONSELHO DE DISCIPLINA
Presidente: Dulcínio Nascimento

CONSELHO JURISDICIONAL
Presidente: Frederico da Silva Rego

CONSELHO DE ARBITRAGEM
Presidente: Filipe Neto