Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Asma desminte contactos com os Militares

Armando Sapalo - Dundo - 14 de Novembro, 2017

Ekrem Asma reforça ambição para a próxima temporada futebolística

Fotografia: Domingos Cadência | Edições Novembro

Que avaliação faz da participação do Sagrada Esperança no Girabola Zap 2017 e do seu primeiro ano de trabalho como treinador principal da equipa?
Os desafios de um treinador de futebol, nunca se esgotam numa só temporada, uma vez que a continuidade depende muito do que vai produzir na época seguinte, porque é lá onde estão as principais exigências, tanto da direcção do clube, como dos adeptos. Ainda assim, para responder à pergunta, é claro que o balanço que fazemos é bastante positivo.

Foi essa posição, que a direcção do clube pediu ao técnico, quando assumiu o comando da equipa?
Não. Assumi a equipa técnica do Sagrada Esperança, entre os finais do mês de Dezembro de 2016 e princípios do mês de Janeiro de 2017. A direcção pediu-me para construir um plantel, que permitisse alcançar o quinto lugar na tabela de classificação. Com o apoio inquestionável da direcção, dos meus colaboradores e toda nossa estrutura, superamos a meta, e por isso,  estamos todos muito felizes.  

Conseguiu superar a meta protagonizada pela direcção, e mais do que isso, alcançou um feito que não acontecia há 12 anos, ou seja, subir ao pódio depois do Sagrada Esperança conquistar o título do Girabola em 2005. Com essa performance, os lundas podem pensar numa equipa mais forte e capaz de conquistar o título em 2018?
Quando cheguei ao Sagrada Esperança, aliás, disse isso, numa das entrevistas que concedi a este jornal, que é uma grande equipa, com capacidade para tudo no futebol angolano. Para mim, a conquista do terceiro lugar não é motivo de surpresa, porque desde o princípio, acreditei na grandeza do clube, na minha capacidade, na boa colaboração dos meus colegas e da própria direcção que sempre soube fazer funcionar tudo, deu-nos as condições necessárias. Para muitos angolanos, pode ser surpresa o Sagrada Esperança conseguir o terceiro lugar depois de muitos anos, mas não para mim. Agora, quanto à luta pelo título, no próximo ano, essa é a minha palavra e ambição.

Há razões para tanta
confiança?

Há. Uma equipa que consegue o terceiro lugar, quando muitos esperavam uma classificação diferente, acredita que pode fazer mais do que o terceiro lugar. Uma equipa com a grandeza do Sagrada Esperança, não pode apenas participar no campeonato. O Sagrada Esperança tem uma estrutura que ultrapassa a Lunda-Norte. É um clube de títulos, que não só deve lutar para "matar moscas", mas também elefantes. Por isso, dentro de uma ou duas temporadas, o Sagrada Esperança pode voltar a ser campeão, a começar no ano 2018, que pode ser um ano de glória, em que o título deve ser a meta. Não é bom para uma equipa como o Sagrada Esperança não lutar por títulos. Este, deve ser o foco, e sem receios de olhar para trás.

PREPARAÇÃO DA ÉPOCA
“Organização é fundamental”


Acha, que o Sagrada Esperança tem estrutura técnica e humana, para alcançar esse desiderato?
 Sim. Digo que tem, porque é possível criar e reforçar a estrutura, que você fala. Ou seja, os investimentos para ser campeão, começam com a organização de todas as estruturas e a comunicação entre a direcção, equipa técnica e jogadores. Esses dois elementos são determinantes. 

Quer explicar melhor, essa questão que considera indispensável para a conquista do título, especificamente, no Sagrada Esperança?
A organização e comunicação numa equipa de futebol, concretamente, para quem tem ambição de ser campeão, não é apenas um problema do Sagrada Esperança. Deve ser a base de todas as equipas angolanas, que tenham esta pretensão. Eu explico-me: Uma direcção, juntamente com o treinador, começa a organizar o campeonato antes do seu início, e muito mais para um clube que aposta em ser campeão. Não se pode organizar a casa, no mês de Fevereiro, altura em que é aberta a época em Angola.

E, qual a altura ideal para o arranque dos trabalhos, na nova época?
Para nós, Dezembro é o mês ideal para iniciar todo o trabalho, porque entendemos que antes disso, o projecto foi apresentado e discutido há muito tempo. Desta forma, não é difícil ser campeão. Agora, a comunicação é aquela interacção constante que deve existir entre todas as estruturas, em que a equipa técnica sinta a ambição dos dirigentes. É importante dizer, que isso de o Sagrada Esperança lutar para o título, não depende de mim. O que eu tenho, é a ambição de ser campeão. Tudo, depende da direcção. É ela quem projecta e define onde queremos chegar, para depois o técnico olhar para as suas capacidades, aceita o desafio ou não.

RENOVAÇÃO À VISTA
Técnico e direcção acertam detalhes


O contrato de trabalho com o Sagrada Esperança termina em breve. Chegou a receber proposta de renovação?
A minha situação, em termos de continuidade no Sagrada Esperança, não depende apenas de mim, mas muito mais da direcção da equipa. Eu quero ficar, porque tenho o sonho de ser campeão em Angola, e no Sagrada Esperança. Eu sou muito feliz aqui no clube, não tenho nenhum problema. Se a direcção quiser que eu fique, com certeza que fico. Eu não só quero ficar, como também desejo ganhar o Girabola. O mais importante para mim, enquanto profissional, é elevar o meu nome e o do Sagrada Esperança, para uma equipa com uma história muito bonita. Eu não tenho chances de decidir sozinho. Eu tenho contrato até dia 30 de Novembro deste ano. O resto vamos ver.

Mas chegou ou não a receber proposta para a renovação do contrato?
Já recebi. O presidente e o vice-presidente do clube falaram comigo. São pessoas muito sérias e que eu respeito muito. Eu disse-lhes que quero ficar, mas ainda não tenho o contrato em minhas mãos. Na terça-feira, dia 14 (hoje), tenho uma reunião em Luanda para saber sobre o meu futuro. Penso, que nesse momento, sou o melhor treinador para o Sagrada Esperança. Os anteriores também foram bons. Sinto que estou a altura de assumir os desafios dessa equipa, e em 2018 posso lutar por algo melhor.

O facto de na sua época de estreia, a direcção do clube dar apenas um ano de contrato, sentiu que faltou confiança nas suas capacidades?
Acho que sim, mas isso é normal, porque foi o meu primeiro ano, e a direcção do clube é soberana. É difícil exigir mais, perante a direcção, senão as condições de trabalho, e isso, sempre recebi da direcção. Eu pedi duas épocas, na altura, mas a direcção entendeu que devia ser uma. Quando a direcção não conhece o treinador, dificilmente tem uma proposta que passe de um ano. Hoje, conheço o Girabola melhor do que antes, por isso, acredito no futuro. Em onze meses, o Sagrada Esperança nunca desceu do quinto lugar.

Tudo indica que vai continuar no Sagrada Esperança. Já tem sinais que em termos administrativos possa começar a preparar a próxima época em Dezembro? 
Sim, já tenho sinais, porque tenho  muita confiança no presidente Osvaldo Van-Dúnem e no vice-presidente José Ramos. Eu já lhes disse, que o meu futuro está no Sagrada Esperança. Para mim, o Sagrada Esperança não tem muita diferença do Petro de Luanda e do 1º de Agosto. Caso continue na equipa técnica, já sei a nível do plantel quantos jogadores vou dispensar, e quantos contratar.

Plantel precisa
novos atletas


Caso renove o contrato, quais as posições do plantel, que mais preocupam a equipa técnica? 
Pretendemos reforçar a equipa com seis ou sete jogadores, para que possamos lutar pelo título. Tudo depende da direcção, mas eu já disse que precisamos de seis ou sete jogadores, de acordo com a minha filosofia. Eu não preciso de grandes nomes, ou buscar jogadores no 1º de Agosto, ou no Petro de Luanda, nem muitos estrangeiros. Eu preciso de jogadores da minha cabeça, e preferencialmente angolanos. Um ou outro estrangeiro, pode entrar no meu plantel. Se isso acontecer, a contratação de seis a sete jogadores, tenho confiança que vamos fazer uma boa época, ou o Girabola ou a Taça de Angola, vamos conseguir.

Já identificou estes seis ou sete jogadores? Quais são as posições e de que nacionalidade são?
Já tivemos uma pequena reunião, quatro dias antes de terminar o Girabola, mas nada ainda está definido a 100 por cento. Desculpa a frontalidade, mas o sistema das equipas angolanas (risos) é assim, tudo se decide nos últimos minutos. Eu tenho sempre o exemplo da Alemanha, que podia ser um excelente modelo para Angola. Na Alemanha, onde fiz toda a minha formação, essas questões de contratação de jogadores começam  seis meses do fim de uma época. Já sabemos quem vem, as exigências do seu contrato e muito mais. Resolve-se isso, cinco a seis meses antes. Eu vivo e trabalho em Angola, por isso, respeito esse sistema porque tudo depende da economia. Eu já fiz o meu trabalho, já expliquei os nomes, as posições, mas tudo depende da direcção. A única coisa que posso adiantar-lhe agora, é que preciso de dois bons avançados, que já identifiquei, embora, possa aparecer mais outro.