Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Associao de Benguela est a prestar mau servio

Gaudncio Hamelay, no Lubango - 10 de Junho, 2011

Mota Gomes quer apoios de todos para desenvolver o atletismo femenino

Fotografia: Jornal dos Desportos

Como avalia o trabalho da Federação de Atletismo durante o presente mandato?
Sou suspeito para fazer uma avaliação, porque sou membro da Federação. Herdámos uma gestão com muitos problemas e o trabalho tem sido difícil, mas com sabedoria, ultrapassamo-los.

A superação dos problemas é extensiva à preservação da imagem do país além-fronteiras?
Em termos internacionais, conseguimos regularizar as situações ligadas à Federação Angolana de Atletismo, participamos regularmente em todos os eventos regionais. Actualmente, conseguimos mais um trunfo: o certificado internacional da corrida São Silvestre. Tudo isso pesa na balança na hora de avaliar o trabalho da Federação. Contudo, um trabalho de fundo não se faz em três ou quatro anos, tempo insuficiente para desenvolver todos os projectos e programas definidos. Vamos ver se efectivamente continuamos por mais um mandato. Se assim for, talvez venham outras melhorias. É verdade que também não podemos avançar da forma como queremos, enquanto tivermos problemas de infra-estruturas.

O que tem a ver o problema de infra-estruturas?
O caso mais concreto é a província da Huíla. Não há uma pista de atletismo. Isso reflecte-se no desenvolvimento do atletismo na região e no país. A falta de infra-estruturas é um dos factores negativos que contribuem para o não crescimento do atletismo no país. Auguramos que no próximo ano, o Governo olhe para esses aspectos com mais profundidade e possa colocar uma pista de atletismo em alguns pontos estratégicos do país, visando o desenvolvimento da modalidade.

Como estão em termos do cumprimento do programa de acção gizado para o vosso mandato?
Cumprimos na íntegra o programa planificado. Tentamos trazer para Angola o Centro Regional de Desenvolvimento de Atletismo, que se encontra em Dakar, Senegal, mas, até ao momento, não é possível, porque é uma decisão que compete ao Estado angolano. Mas, se conseguissemos trazer o Centro, seria uma mais-valia. Vamos continuar a trabalhar para melhorar o estado do nosso atletismo.

Que passos foram dados para que o Centro Regional venha para Angola?
Trouxemos o presidente da Confederação Africana da Atletismo e tivemos uma entrevista com o ministro da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba. Infelizmente, a Federação não tem meios financeiros para desenvolver um projecto dessa envergadura. Este é um projecto que envolve o Estado angolano. Já fizemos sentir a necessidade de ter esse Centro no país, mas até ao momento as coisas estão estacionárias.

Em termos de expansão, quantas províncias começaram a desenvolver o atletismo?
Além de Luanda, temos a província de Kwanza-Sul, que faz um trabalho de realce na massificação, o Namíbe, Huambo, Huíla e Bié.

DIFICULDADES DAS PROVÍNCIAS

Que dificuldades encontram para implementar o atletismo noutras províncias?

Não têm pistas. No desporto de alta competição, concretamente no atletismo, há um tipo de treinamento específico e o meio principal para se desenvolver é a pista. Portanto, se, em Luanda, onde há pista, temos alguns problemas, quanto mais nas outras províncias! A falta de apoio financeiro também contribui para o baixo número de praticantes no país, porque os atletas de alta competição têm de ser acompanhados durante toda a época desportiva. A Federação Angolana de Atletismo faz algum esforço, como estágios no exterior para as selecções nacionais. Mas isso não chega. Temos de incentivar as províncias que desenvolvem o atletismo, para darmos alguns estímulos aos atletas, muitos dos quais abandonam a modalidade de forma prematura.

Que razões estão na base de Benguela não dispor de atletismo?
Benguela tem grandes potencialidades, mas a associação local presta um mau serviço ao desenvolvimento do atletismo, porque não tem sabido puxar algumas mais-valias para a colectividade, embora a única pista que havia em Catumbela tenha sido estragada. A associação local não fez nada e nem se pronunciou, desenvolve poucas actividades. Portanto, essa letargia contribui para o fraco desenvolvimento.

Qual é a política da Federação para aumentar a qualidade dos técnicos?
Proporcionamos cursos de primeiro nível. No último mês, mandámos dois técnicos para Portugal, onde estão a beneficiar de formação de formadores, visando a geração de outros técnicos no país. Há um instrutivo da Federação Internacional de Atletismo, que orienta a realização do curso de primeiro nível por formadores do país interessado. Neste momento, temos dois formadores, um de Benguela e outro de Luanda, que vão começar a efectuar alguns périplos pelas províncias, ainda este ano ou na próxima época, para ministrarem cursos básicos de formação de monitores para o atletismo.

COMPETIÇÕES INTERNACIONAIS

Como está a preparação da prova de Macau?
Os atletas continuam a fazer a sua preparação normal, porque temos a disputa da Taça de Angola e Campeonato Nacional por equipas nos próximos dias. Portanto, os atletas podem melhorar as marcas pessoais nessas provas. Depois, vem o Campeonato Africano. As provas vão ajudar a melhorar as performances dos nossos atletas.

Quando começa a escolha dos atletas para o campeonato africano?
Após a realização do Campeonato Nacional. Já temos uma pré-lista de atletas convocados e estamos à espera que o Ministério da Juventude e Desporto decida o número de atletas que podemos levar. A selecção já está feita.

Que disciplinas pretendem     levar?
Apostamos nas provas de pista, mormente, 100, 200, 400, 800, 5000 e 10.000 metros.

SECTOR FEMININO

Que comentários se lhe oferece fazer sobre o sector feminino?
O sector feminino está abaixo do normal, como consequência da falta de massificação nos clubes. Lançamos um apelo às escolas e outras instituições para que apostem nessa categoria. A Federação vai apostar nas mulheres no próximo ano para resgatar o prestígio atingido no passado. A Huíla teve grandes atletas e hoje nem se vê nas provas de estrada de meia-maratona.