Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Atacante diz estar feliz no Bizertin

Morais Canâmua- Lubango - 17 de Março, 2014

Atleta desmente rumores que recebeu valores do Interclube e não honrou o compromisso com a formação do Rocha Pinto

Fotografia: Jornal dos Desportos

O ex-atleta do Recreativo do Libolo, Aguinaldo Policarpo, disse em entrevista ao Jornal dos Desportos, em Bizerta, que se sente bem no Clube Atlético de Bizertin da Tunísia, para onde se transferiu há cerca de quatro meses.

O atacante afirmou que foi bem recebido e sente-se bem. Tem sido muito bem acarinhado. Em relação à sua adaptação, realçou que tem sido conseguida “graças ao carinho dos dirigentes e ajuda dos colegas”,  aspectos que sem dúvida concorrem de forma favorável para a sua adaptação.

A actuar na formação principal da província de Bizerta, da Tunísia, a única representante no campeonato nacional da primeira divisão daquele país, Aguinaldo é já uma das referências da equipa e tem sido bastante acarinhado na cidade em que reside.

Fruto das excelentes prestações, o atacante angolano conquistou já o coração dos adeptos locais. Dos seis jogos com a camisola do Bizertin, apontou quatro golos e foi sempre fundamental nas vitórias da sua equipa.

Em relação à forma como se consumou o “casamento” entre ele e o seu actual clube, Aguinaldo revelou que “praticamente foi amor à primeira vista”. Sublinhou que começou a ser sondado no jogo que o Recreativo do Libolo efectuou no ano passado diante do Esperance de Tunes, no qual “rubriquei uma boa exibição”. Juntam-se a estas exibições, a prestação no jogo com o Benfica de Luanda, no qual “tive a sorte de marcar dois golos”, disse.

“Depois contactaram-me e só tive que esperar pelo término do meu contrato com o Recreativo do Libolo, para acertar as coisas com o presidente do Bizertin”, disse, argumentando que a adaptação ao novo estilo de futebol foi fácil.

“Não foi muito difícil, apesar de que aqui o futebol é muito mais táctico. Procurei adaptar-me e hoje estou totalmente integrado no grupo”, disse o ponta-de-lança. Referiu, por outro lado, que além dele existem outros estrangeiros na equipa, com destaque para o senegalês Mbengue Youssoupha. “Formamos uma família, na qual todos respeitam o trabalho de cada um”, acentuou.

Aguinaldo confessou que pode crescer muito como jogador e atingir performances mais altas. Na sua opinião, “o campeonato tunisino é mais competitivo que o nosso Girabola e tem maior visibilidade” e isso, sublinhou, “pode proporcionar uma grande possibilidade de regressar à Europa num campeonato de referência”, salientou.

O atleta reconheceu que pode crescer muito mais e está confiante em relação ao seu futuro. “Tenho evoluído muito, o que tem contribuído para a aposta do treinador e isso me tem dado alento para jogar e marcar muitos mais golos e ajudar a equipa”, assinalou.Por último, enaltece o campeonato nacional, prova que o catapultou.

“Não desprezo o nosso Girabola”, porque “joguei nele cerca de dois anos e sei que é um campeonato de referência na África Austral e não só. Tem muita qualidade e tem evoluído cada vez mais, além de nele estarem a evoluir muitos jogadores bem cotados no continente”, defendeu.

CONFISSÃO
“Não devo nada ao Interclube”


Aguinaldo mostrou-se surpreendido com as informações postas a circular de que antes de rumar para a Tunísia, tinha firmado um acordo com o Interclube e recebido algum valor monetário. O atleta mostrou-se surpreendido com tais rumores.

“Isso não passa de comentários carregados de má fé, e que visam manchar a minha imagem”, dizendo de seguida que, na realidade, “tinha de facto um acordo verbal com o Interclube, mas como surgiu uma oportunidade que me podia dar maior estofo na minha carreira, vida profissional e minha família, decidi abraçar esse projecto e não o do Interclube”, clarificou.

Aguinaldo afirmou que, antes de tomar esta decisão, procurou os dirigentes do clube da Polícia para dar a conhecer o que estava a acontecer. “Conversei com eles e esclareci a situação e eles, obviamente, aceitaram de bom grado”, destacou.

Quanto à quantia que supostamente recebeu, o antigo atacante do Recreativo do Libolo limitou-se apenas a dizer que entregou tudo e não tem nada do Interclube porque não é jogador do Interclube.


ÉPOCA FINDA
Atleta justifica saída do Libolo


O facto de o seu contrato com o Libolo ter terminado e com a agravante de não fazer parte dos planos do novo técnico, foram as razões que estiveram na base da sua saída do Recreativo do Libolo, clube em que se sagrou bicampeão em 2011 e 2012, tendo sido inclusive, no primeiro ano, apontado como o melhor marcador do grémio libolense e melhor jogador da prova.

“Eu sentia que já não era opção do treinador e isso entristecia-me. Não gosto de me sentir triste. Como queria jogar, preferi mudar de ares quando o contrato chegou ao fim”, disse. Disse igualmente que ainda assim, “procurei sempre dar o meu melhor trabalhando no duro e honrando a camisola que vestia”.Aguinaldo referiu que saiu sem mágoas de ninguém, fez boas amizades no Libolo, tem uma grande amizade com o presidente Rui Campos e com outros membros da direcção do clube.

 O mau desempenho das equipas angolanas nas Afrotaças mereceu também uma referência de Aguinaldo que considera “um revés para o futebol angolano”, já que das quatro ficou apenas uma.

“Não é bom para o nosso futebol”, lamentou. Mais adiante disse que gostou da prestação do clube Desportivo da Huíla, “por ser uma estreante e ter feito bom jogo diante do Bizertin, que é uma equipa com muita experiência nestas andanças”, salientou.

Aguinaldo louvou o Petro de Luanda por ter conseguido passar para a eliminatória seguinte e fez votos que “vá o mais longe possível”, para, tal como disse, “salvar a honra do futebol nacional”.

Por fim, desejou boa sorte ao Clube Desportivo da Huíla nas competições internas depois de ter sido eliminado pelo Clube Atlético de Bizertin, equipa que representa, apesar de não ter sido utilizado nos dois confrontos por se encontrar lesionado


SELECCIONADOR NACIONAL
“Filemon foi a escolha certa”


Abordado sobre a aposta em Romeu Filemon à frente dos destinos técnicos da Selecção Nacional, Aguinaldo não vacilou e disse de imediato que “foi uma escolha bastante acertada e sábia”.

“É um treinador metódico e bastante estudioso”, além de ser angolano. Para ele, “é sempre bom que seja angolano, porque conhece melhor os jogadores”.

Aguinaldo prometeu trabalhar sempre com a mesma determinação para ser uma das opções do técnico nos próximos compromissos e disse mesmo que sente pena pelo “facto de Angola ainda não ter visto o verdadeiro Aguinaldo”.

Ainda assim, espera mostrar, “caso merecer a confiança do técnico”. Disse estar disponível a voltar a vestir a camisola nacional, porque, segundo ele, “era uma honra muito grande porque amo o meu País e vou trabalhar para que isso aconteça o mais rápido possível, para mostrar o meu real valor”.