Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Atleta angolano troca futebol brasileiro por polaco

Hermínio Fontes - 08 de Abril, 2013

José Francisco João, Condor Futebol Clube da III divisão do Brasil

Fotografia: Jornal dos Desportos

O angolano José Francisco João, 25 anos, ou simplesmente Larito, como é conhecido no mundo futebolístico, actualmente ao serviço do Condor Atlético Clube da III Divisão do Estado do Rio de Janeiro (Brasil), prepara as malas para no mês de Maio viajar para a Polónia, na Europa do leste, onde tenta a sorte numa equipa da primeira divisão.

O sonho de jogar numa equipa da primeira divisão da Europa, lá nas bandas do leste, onde o frio não poupa ninguém, é nesta altura o principal desafio do jogador e também uma grande oportunidade para o internacional angolano ser bem sucedido no mundo do futebol profissional.

Para que tudo aconteça a seu favor, precisa do aval da direcção da sua actual equipa no Brasil, o Condor Futebol Clube, cujos responsáveis estudam os desejos do jogador angolano e as possibilidades de um negócio que pode beneficiar todas as partes.

José Francisco João diz que neste “negócio” das transferências a serem concretizadas em Maio, ele não é o único jogador visado da equipa brasileira, Condor Futebol Clube. Para além dele, outros nomes fazem parte da lista de transferências para a Polónia.

Mas o jogador angolano, que tem vindo a ter um maior crescimento táctico e técnico na posição de médio volante, é dos apontados para brilhar na equipa polonesa, ou em qualquer parte do mundo.

Quem vê jogar Larito diz que tem excelentes qualidades de líder em campo, executando com muita responsabilidade as funções de organizar as jogadas de ataque, ao mesmo tempo que mantém uma certa ordem no sector mais recuado da sua equipa.

Antes de Larito viajar de Angola para o Brasil representou a Escola de Futebol “Os Cordeirinhos Futebol Clube” do Cazenga, em Luanda, tendo posteriormente, no período em que se observou a “febre” de emigração dos jovens em Angola, viajado para Portugal. Em Portugal deu continuidade à prática do futebol, melhorando os seus conhecimentos que lhe permitem hoje ser um dos jogadores da III divisão do futebol brasileiro mais “cobiçados” pelos grandes, seguindo as pegadas do jovem Geraldo, ex-Curitiba. Com João Francisco


RETROSPECTIVA
Época passada podia ter sido melhor

Larito considerou que a prestação do Condor Futebol Clube, em que enverga a braçadeira de “capitão” da equipa, no campeonato brasileiro, na época passada, podia ter sido melhor.

“Tivemos uma participação acima dos 40 por cento, podíamos fazer muito mais, ainda não demos o melhor de nós. Não conseguimos estar entre os grandes”, disse.

Quanto à nova época (2013), o médio está preparado para os novos desafios que tem pela frente. “Como jogador, a minha obrigação é treinar e corrigir as falhas para poder superar em cada jogo. É por esta via que assumo as minhas responsabilidades. Estou pronto para continuar a defender as cores da minha equipa e levá-la a lugares cimeiros.”

“Se por acaso chegarmos a ser aprovados para os testes na Polónia é muito melhor para mim”, acrescentou. O jogador disse que também foi contactado pela equipa técnica do Santos Futebol Clube de Angola, no Rio de Janeiro, onde efectuou o estágio de pré-temporada para o Girabola’ 2013, um sinal de que existem também interesses de equipas angolanas no seu “passe”.

SONHO
Representar os Palancas Negras

O angolano que deseja um dia vestir as cores da Selecção Nacional é de opinião que o mau momento que os Palancas Negras atravessam, depois da fraca prestação no último CAN da África do Sul, que fez baixar vários lugares no ranking da FIFA, é apenas uma fase.

“O futebol angolano continua a evoluir bastante e deixa orgulhosos todos os que estão no exterior. Precisamos de mais humildade, amor à pátria e aprendermos com a crítica. Devemos entender que necessitamos a cada dia de aprender muito mais, para que possamos prestar melhores serviços. Somos um povo com grandes estrelas no futebol a nível continental há muitas décadas, mas há necessidade de corrigirmos as falhas e prepararmos o futuro”, considerou.

Larito, como qualquer atleta, mantém o sonho de um dia ser convocado para integrar o onze inicial da Selecção Nacional de Futebol de Angola, mas reconhece que até agora ainda não foi contactado, nem contactou nenhum dos responsáveis do Departamento das Selecções Nacionais.

“Ainda não tive a oportunidade de falar com os responsáveis do Departamento das Selecções Nacionais, nem fui ainda sondado mas acredito que quando tiver este privilégio estou pronto para dar o meu contributo. Estou convicto que os olheiros da Selecção estão atentos a todos os jogadores que actuam no exterior do País e vai chegar a minha vez um dia (...)”, diz o jogador do Condor Futebol Clube.

“Com o meu empresário e com os dirigentes do clube tenho falado muito a respeito do meu futuro, que está relacionado com a possibilidade de passar pela Selecção Nacional. Estamos a criar corredores para que isto se efective. Enquanto aguardo uma oportunidade, continuo a dar o meu melhor na minha equipa e à espera, para mostrar o meu valor”, concluiu.

PING – PONG
Jornal dos Desportos – Tem informação do futebol profissional da Polónia?
Larito: Muito pouca, mas vou-me inteirando da realidade desportiva daquele país. Hoje o mundo está globalizado e com a Internet temos todas as possibilidades de estarmos por dentro da realidade.

JD: É o primeiro angolano a poder ter oportunidade de actuar na Polónia?
L: Não posso confirmar. Tenho conhecimento que os jogadores nacionais têm actuado mais na zona ocidental do continente europeu. Quem sabe, encontro um ou outro “muangolé” e se isto acontecer, é melhor para mim.

JD: A Europa do leste é uma região de muito frio. Isto não o intimida?
L: O frio pode ser vencido. Tenho informações de muitos atletas que conseguiram adaptar-se e comigo não é diferente. Estou confiante no meu profissionalismo e como dizia o meu mestre de futebol, Carlos Cordeiro: o sofrimento ensina-nos a vencer os obstáculos da vida.

JD: Quantas épocas pode assinar se for apurado nos testes para o futebol polaco?
L: Não quero exagerar. Vou esperar o momento certo para que as coisas aconteçam. E tudo depende de como a minha direcção vai planificar. Peço a Deus que me ajude a realizar mais este desafio.

JD: Acha que é mais fácil ser visto pelos olheiros da Selecção actuando no Brasil do que na Polónia?
L: É igual, porque as estrelas mantêm sempre o seu brilho. É por esta via que eu espero identificar-me. O facto de ser estrangeiro e ser indicado para assumir as funções de “capitão” de uma equipa brasileira é muito gratificante, e agora, com esta possível ida à Polónia, melhor ainda.

POR DENTRO
Nome Completo:
José Francisco João
Data de nascimento: 29 de Outubro de 1988
Local de nascimento: Luanda
Estado civil: Solteiro
Filhos: Um
Altura: 1,85m
Calçado: 45
Cor preferida: Branca
Prato preferido: Funge com carne seca e feijão de óleo de palma
Bebida: Sumo de manga
Tempos livres: Ler a Bíblia
Perfume: 212
Conselho: Dedicação e sacrifício é a chave do sucesso