Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Barros quer brilhar nas ltimas provas

GAUDNCIO HAMELAY | NO LUBANGO - 01 de Setembro, 2018

O campeo nacional em ttulo e actual lder do Campeonato Angolano de Velocidade em motos EVO600 centmetros cbicos,

Fotografia: Jornal dos Desportos

O campeão nacional em título e actual líder do Campeonato Angolano de Velocidade em motos EVO600 centímetros cúbicos, Victor Barros, do Team Cuanza-Sul, foi relegado para a quarta posição, com 24 pontos no cômputo das duas provas, tendo estabelecido a marca de 1:10.549, na tradicional corrida dos 200 km da Huíla.  Ao balancear a sua participação no evento, que é disputado anualmente no mês de Agosto, no âmbito das Festas de Nossa Senhora do Monte, Victor Barros, afirmou que a sua prestação no certame foi negativa, porque não conseguiU alcançar os objectivos por si traçados e pela equipa, que passava por conquistar o troféu da presente edição.  Em entrevista ao Jornal dos Desportos, revelou que viveu várias peripécias ao longo do percurso, com destaque para a mota que partiu o motor, tendo ficado privado em terminar a primeira manga. Atente a entrevista:

Jornal dos Desportos - Que apreciação faz do Campeonato Angolano de Velocidade, quando falta 4 provas para o término?
Vícto Barros - \"Tínhamos tudo para vencer a prova. Fizemos bons treinos e estivemos sempre a liderar os treinos. Consegui fazer o melhor tempo na polé position, para ficar em primeiro lugar. Na primeira manga fiz o recorde da pista, só que infelizmente quando ia passando pelo Adilson Pinto “Rango”, o piloto huilano, a minha mota partiu o motor. Então fui obrigado a parar. Não terminei a primeira manga. Já na segunda manga, corri com uma mota suplente do meu Team, cuja marca é diferente, a condução também e senti algumas dificuldades. Mas deu para pontuar. O importante é pontuar, porque o campeonato é longo. Temos mais 4 provas daqui para frente. Vamos fazer o possível. Agora não me resta mais nada a não ser ir reparar o motor da minha moto, para ver se na próxima prova eu consiga fazer um bom resultado\".

JD -Está de algum modo desiludido com a sua prestação na prova dos 200 km da Huíla, inserida nas festas da Nª Sr.ª do Monte?
V:B - \"Sim. A minha prestação foi negativa, porque não consegui alcançar o meu objectivo e da minha equipa. Mas isso é próprio, porque nós estamos preparados para isso. As avarias acontecem e a gente vai fazer de tudo para a próxima correr bem e continuar a pontuar, para voltarmos a ser campeão nacional. Isso é o mais importante\". 
 
JD - Acha que a corrida está a perder, a cada ano, algum valor em função da fraca assistência do público?

V.B \"Já esteve mais fraco. Mas acredito que está a renascer de novo. Já temos mais pilotos em pista. Acredito que o nosso país esteve numa fase de crise económica financeira mundial. E acredito que o pessoal já acostumou-se com a crise e continua a fazer investimentos, porque estavam com dificuldades de adquirir o material por causa das divisas, muito pessoal e equipas ficaram parados por falta de pneus e material, que vem de fora, porque localmente não temos. E agora o pessoal consegue, vira-se e o material está a vir devagar. Já vimos aí três pilotos que estavam parados, sobretudo o Dimas Mateus “Cow Boy” que foi campeão em 2014. Ficou dois anos parado. Agora já voltou as pistas. Acredito que daqui há mais duas ou três provas, vai aumentar ainda mais o número de pilotos\". 
JD - Sei que começou a pilotar muito cedo. Ao chegares a essa categoria, achas que o sonho foi concretizado?
V.B \"Até agora o sonho já foi atingido, porque o objectivo é ser sempre um campeão. Eu já fui campeão nacional por duas vezes. Mas o sonho também não vai ficar por aqui, porque o meu querer é vencer sempre. Vamos dar luta até onde der, ganhar mais um título e oferecer a equipa assim como o meu patrocinador, que faz muito para estarmos aqui. Sabemos que não é fácil no nosso país, manter uma equipa com dois pilotos. Então é muito complicado. Mas a gente está a fazer de tudo, para conseguir manter o Team Cuanza Sul ao nível do que é ou se pretende: ser cada vez competitivo e ganhador\".

JD - O que o motivou a praticar essa modalidade considerada de risco?
V.B \"Acho que já nasci mesmo com esse dom. Também quando eu era criança, via corridas. Há pilotos nacionais, sobretudo o Hélder Coelho “Vuty” que foi até meu colega. Quando era miúdo era fã dele e continuo a ser. Vuty é um grande campeão e foi uma das pessoas que me motivou muito, ao ver a ganhar grandes prémios em motocross\".

JD - Como caracteriza o actual momento do desporto motorizado no país em particular na tua especialidade?
V.B \"Já tivemos pior. Digo isso, porque já chegamos a correr 6 a 7 motas. Muitos pararam por falta de assistência, porque o país entrou numa fase de crise e as pessoas não conseguiam adquirir material. Os pneus compramos fora do país ou bem dizer qualquer material que a gente precisar, tem que vir do estrangeiro. E há equipas que não conseguiram suportar isso e tiveram que parar. Mas agora estamos a ver que já chegamos a 16 a 17 motas numa corrida. Temos duas classes. Isto quer dizer que está a renascer de novo o desporto motorizado\".

JD - O que dizer da vitória do \"Rango\" nesta corrida dos 200 km da Huíla?
V.B \"Foi uma vitória justa. Ele está de parabéns. É um miúdo que começou bem e muito forte. Anda muito bem e já é a terceira prova que ganha cá na cidade do Lubango. É um miúdo forte. Por isso, temos que lutar para tentar vencê-lo. Dou os meus parabéns, porque andou muito bem. Esta de parabéns, a equipa dele, o pai dele, que faz muito para lhe manter nas competições\". 

JD - O campeonato angolano de velocidade é realizado em várias partes do país. Qual é a avaliação que faz das pistas?
V.B \"A minha avaliação é positiva, porque consigo adaptar-me a 80 por cento quase em todas as pistas nacionais. Existe uma pista que acredito que todo o piloto reclama, que é a pista da praia Morena. O asfalto não está em condições. E fazer uma prova lá, implica termos que arriscar muito. É o único circuito que vejo com muitas dificuldades\".

JD - Como descreve o desporto motorizado no Cuanza Sul?

V.B \"Neste momento está parado, porque não temos pistas. A nossa estrada está mal. A nossa equipa, todos os anos, organiza o Grande Prémio Cuanza Sul. Só que somos obrigados a realizá-lo em Luanda, porque não temos circuitos locais na província. A pista não está em condições. Este ano vamos realizar novamente o Grande Prémio Cuanza Sul. Em princípio, está previsto para o autódromo de Luanda, nos dia 22 e 23 de Outubro. Contudo, o governo da província ligou para a associação provincial dos Desportos Motorizados do Cuanza Sul, para fazer os possíveis de organizarmos a prova localmente. Vamos aguardar. Mas é possível.