Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Basquetebolista rpida e mimada

Joo Francisco - On-line - 11 de Março, 2013

Len jogar consideravam-na uma jogadora rpida, na sua posio de base/extremo

Fotografia: Jornal dos Desportos

Podia ter conseguido o que as outras colegas alcançaram nas selecções nacionais de basquetebol, mas Isabel Helena Victor Miguel, “Lenú”, como é conhecida nos meios desportivos, por ser muito mimada, depois de convocada para importantes compromissos era sempre preterida pelas equipas técnicas.

A “base”, agora com 50 anos, em termos federados integrou o grupo de jogadoras que fundaram a equipa de basquetebol feminino do 1º de Agosto. E quando quis passar para o Interclube, viu a sua desvinculação impedida pela equipa técnica e o clube “militar”.

Lenú começou a carreira nos anos 74/75, na equipa da Igreja de São Domingos, em Luanda. “Na altura, era cadete. Por ser muito rápida e boa lançadora, fui escolhida pelo professor Faria Fernandes, dos Bombeiros, para participar nos torneios de lançamento ao cesto denominado ‘Rei dos Vassalos’ que era disputado na Escola General Geraldo António Victor, na Makambira, ao lado da Igreja de São Domingos”, recorda.

Em 1977, Lenú vai para o 1º de Agosto pela mão  do primo  José Romero, irmão do falecido treinador do Petro Atlético Vladimiro Romero. Aí faz parte do grupo de jogadoras que fundam a primeira equipa de basquetebol da agremiação militar, na companhia de outras jogadoras como Tumba Maiace, Elisabeth Rank Franck, São Sampaio, Trajano, Lena, Suzy, Dulce, Elisa Paula, entre outras.


Melhor marcadora com 245 pontos
Naquele tempo, Lenú  fazia dupla categoria, cadetes e séniores. Foi várias vezes campeã pelo 1º de Agosto, onde – lembra-se – num Campeonato Nacional disputado na cidade do Huambo, chegou a ser melhor marcadora, com 245 pontos.

Naquela altura, nos anos 78/79,  a equipa adversária da baixa luandense que mais fazia frente ao 1º de Agosto, era o Ferroviário de Angola,  que tinha em Palmira Barbosa – a mesma que é agora deputada e se notabilizou no andebol – uma das melhores jogadoras, com quem travava sempre grandes duelos. Quem então presidia a agremiação militar era o já falecido coronel Che Guevara, das antigas FAPLA.

Joana Adriano e Adriana Sebastião “Didi” eram as jogadoras do Petro Atlético de Luanda que Lenú considerava de verdadeira “rivais” porque lhe faziam “sombra” em campo. Já em relação às equipas das outras províncias, as Kwenhas do Namibe era considerada a equipa mais aguerrida pelas outras participantes nas provas oficiais.

“Uma vez, cheguei a partir a cabeça num choque com a Palmira Barbosa num torneio disputado no CODENM. Ela, como eu, era agressiva. Envolvemo-nos numa disputa de bola e fomos parar aos arames que delimitavam a quadra de jogo”, recorda-se ainda.


MEMÓRIAS
“Nas seleções nacionais estava sempre de castigo”


Para a antiga base, os melhores e piores momentos da sua carreira desportiva viveu sempre que era chamada para a Selecção Nacional pelo professor António Henriques “Tonecas” e “Beto” Portugal.

“Fui sempre chamada às seleções nacionais, mas os treinadores, Tonecas e Beto Portugal, punham-me sempre de castigo, talvez porque era muito mimada. Por isso não tive tanto êxito como as outras tiveram. Os técnicos preferiam colocar em campo as jogadoras que melhores garantias davam. Eram as opções técnicas da altura”, revelou.

As pessoas que viram Lenú jogar consideravam-na uma jogadora rápida, com muito poucas concorrentes na sua posição de base/extremo. Aliás, as falhas que tinha, frequentemente, debaixo da tabela, deviam-se à demasiada rapidez com que chegava a essa parte do campo e à dificuldads que tinha, depois, em equilibrar-se.

No 1º de Agosto, a antiga camisola número “nove” tinha poucas concorrentes na sua posição. “Sinto um misto de orgulho e tristeza por ter dado o meu contributo ao desporto angolano, em particular no basquetebol feminino do 1º de Agosto, sem nunca isso ter sido reconhecido. Acho que é uma dívida que têm para comigo”, desabafa Lenú. 

Helena Miguel deixou de jogar oficialmente em 1984, há 29 anos. Depois do 1º de Agosto tentou ingressar no Interclube, mas a transferência nunca chegou a ser concretizada, por recusa do 1º de Agosto, cuja equipa era treinada, na altura, pelo professor Fernando Barbosa (“Barbosinha”). O clube não aceitou dar a carta de desvinculação e a jogadora acabou por desistir. 


PING PONG
“Fazer desporto
por amor à camisola”


Jornal dos Desportos – Além do basquetebol, o que fazia na altura em que praticava desporto?
Lenú
– Era estudante no Liceu Salvador Correia e frequentava a Igreja de São Domingos, onde fazia parte das classes do coro e pertencia à “Legião de Maria” coordenadas pelo padre Anastácio Cahango e Xingo Yahongo.

JD – Como conciliava a actividade desportiva com as outras?
Helena Migue
l – Ia à escola no período da tarde, treinava à noite e aos domingos ia à missa e frequentava a Igreja.

JD –  Como era o desporto no seu tempo?
HM
- Quando comecei a jogar, o Pavilhão da Cidadela era dividido em dois. Numa metade jogavam duas equipas e na outra as outras formações. A equipa do São Domingos era a única unificada, com meninas e rapazes juntos. Chegávamos a jogar com os rapazes.

JD – Que diferença com o desporto actual?
HM
– Antigamente fazíamos desporto por amor à camisola. Agora não é assim, o desporto só é valorizado quando se paga. Preferia que continuasse como era antes.  

POR DENTRO

Nome completo – Isabel Helena Victor Miguel.
Filiação – Simão Miguel e Catarina do Amaral Correia Victor Miguel.
Local e Data de Nascimento – Luanda, em 26 de Fevereiro de 1963.
Estado Civil – Solteira.
Filhos – Dois.
Altura – 1,74 metros.
Peso – 78 kg.
Camisola com que habitualmente jogava – 9.
Calçado – 39.
Tempos Livres – Brincar e passear com os netos.
Música – Variada.
Prato – Massa com peixe seco.
Bebida – Cerveja, de preferência “Cuca”.
Carro próprio – Tenho.
Casa – Também.
Perfume – Toda a linha “Paco Rabane” para mulher.
O que mais teme na vida – Perder o que mais gosto...
Recorre a mentiras – Às vezes...
Clube do coração – Não tenho, por desgosto...
País de sonho – Cuba.
Sonho – Formar os meus netos.