Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Benfica no desce de diviso

Manuel Neto - 01 de Setembro, 2012

ngelo diz que Libolo e 1 de Agosto so as nicas equipas em condies para conquistar o ttulo

Fotografia: Jornal dos Desportos

Campeão em clubes diferentes – Atlético Sport Aviação e Recreativo do Libolo – para além de uma Supertaça ganha ao serviço do 1º de Agosto que se junta à outra vencida em defesa dos aviadores, o guardião Ângelo disse ontem ao Jornal dos Desportos, que o mau momento que o Benfica de Luanda atravessa no Girabola, onde ocupa o 12º lugar com 26 pontos, vai ser ultrapassado, pois existe uma forte corrente nas hostes da águia luandense.
Ângelo, à semelhança dos seus colegas, promete redobrar esforço no trabalho para que o Benfica consiga a permanência na Primeira Divisão e realça o apoio que tem recebido da direcção do clube, pois esta tem sido bastante sensível no que à sua formação académica diz respeito. 


O guardião que conserva boas recordações das suas participações no CAN de seniores, em 2008, no Egipto, de Sub-17 e no Mundial de Sub-20, em 2001, na Argentina, disse que o campeonato está bastante competitivo e que se pode fazer muito mais para que a prova nas próximas épocas seja “muito mais forte”.

Que avaliação faz do Girabola deste ano?
“Acho que cada ano que passa o Girabola se torna mais competitivo, dado o grande investimento que a maior parte dos clubes faz. Mas é certo que podemos fazer muito mais para o seu melhoramento. Mas digo sem receio, que a prova deste ano está muito competitiva”.
   
Estamos na fase derradeira da prova e o Benfica de Luanda está na zona de despromoção. Ainda acredita na permanência na prova?
“Como disse acima, o campeonato não está fácil para nenhuma equipa, por isso tudo estamos a fazer para mantermos a equipa na Primeira Divisão. Acredito que vamos conseguir, tendo em conta o redobrar de esforço que se faz sentir por parte de todos componentes do clube. Em suma, a águia está unida para vencer todas adversidades e vai conseguir”.

O que lhe faz manter esse optimismo todo?

“O Benfica tem um bom balneário, dos melhores, que todo atleta gostaria de encontrar, embora ainda enfrentemos problemas de infra-estrutura, como um campo para treinos. Mas acredito que a direcção do clube está a trabalhar no sentido de ultrapassar essa situação”.

Pela diferença pontual entre as equipas que estão no topo, acha que o Recreativo do Libolo pode ganhar o campeonato à vontade?

“Podemos dizer que sim, mas desde que saiba gerir a ponta final da prova. Aliás, a única equipa que matematicamente ainda está em condições de chegar ao título é o 1º de Agosto, mas tudo depende das facilidades que o Libolo conceder. Mas apesar disso, acredito que a equipa de Calulo tem mais possibilidade de revalidar o título”.


DEVIDO AOS ESTUDOS
Ângelo reconhece baixa de forma

O Girabola está a seis jornadas do fim. Ao contrário das épocas anteriores, este ano, o Ângelo não demonstrou o seu brilho habitual. O que esteve na base desta baixa?
“Concordo convosco, mas devo dizer que este ano não me dediquei com profundidade ao futebol, porque tive de dar prioridades aos meus estudos. Por isso, tenho enfrentado algumas dificuldades, mas tudo tenho feito no sentido de dar o meu contributo ao grupo”.

Com a formação académica como uma das prioridades, afinal que objectivos persegue no Benfica, depois de ter representado equipas que lutam pelo título?
“Neste clube tenho vários objectivos, entre eles o de dar o meu contributo ao grupo para que o mesmo cumpra com êxito os planos traçados para esta época”.

Tem sido fácil conciliar os estudos com a actividade desportiva?

“Não tem sido fácil, mas devido a minha força de vontade, tudo tenho feito no sentido de não prejudicar nenhumas das actividades e graças a Deus tudo tem corrido bem e espero que assim seja até o termo da formação, embora às vezes passo por ligeiras dificuldades. Contudo, não posso desistir, tenho que concluir a minha formação académica para que no futuro tenha uma vida sem sobressaltos. Sabem que a vida de atleta é muito curta e quando não nos preparamos para enfrentar a vida após o término de carreira podemos enfrentar muitos dissabores, conforme a experiência nos tem mostrado e não gostaria de passar por estas vicissitudes.

Tem recebido apoio da Direcção do clube?

“Muito apoio, uma vez que nós abordamos profundamente este aspecto no acto da celebração do contrato e até agora não tenho razoes de queixas, porque tenho sido apoiado moral e financeiramente, assim como tenho direito a dispensa nos dias de provas.”

Qual o curso que segue e em que centro académico?
“Estou a formar-me em ciências criminais no Instituto Superior Técnico. É um curso de minha preferência, uma vez que tenho uma grande paixão por ela”.

Tem casa própria?

Tenho duas casas, mas ainda não são as casa do meu sonho e vou continuar a lutar para conseguir a do sonho que na minha óptica não será fácil. Mas eu acredito que este sonho um dia será realizado enquanto houver vida.

 O que é que mais o marcou ao longo da sua carreira?
Tenho muito boas recordações, começo pelo título de campeão conquistado com a equipa do Recreativo do Libolo, que penso um dia reporta-lo em livro, os titulos que ganhei no Asa e no 1º de Agosto. E por último as minhas participações nos CANs  de  sénior no Egipto, Sub-17 e Mundial de  Sub-20 na Argentina.


LIBOLO
Clube de Calulo
bastante elogiado

O Ângelo conquistou o seu segundo título do Girabola ao serviço do Recreativo do Libolo. Que recordações guarda da sua passagem pela equipa de Calulo?
“Tenho muito boas recordações do Libolo, a começar pelo bom ambiente reinante no seio do clube. Aliás, é um grupo que luta sempre pelo título e tem um orçamento para tal, o que leva todos a trabalharem duro para estarem bem, por isso deixa sempre alguma saudade”.

Os três anos em Calulo não foram seguramente fáceis…
“Fiquei no clube durante três anos, foi uma fase boa, dado a experiência vivida, mas é verdade que é uma vida muito dura, porque fica-se muito tempo fora da família, sobretudo na fase de estágio e nada mais se consegue fazer, porque lá não há universidades ou institutos superiores, elementos que tanta falta fazem na formação do homem. Em suma, foi um enorme sacrifício ficar durante três anos separado da família, mas como o futebol tem dessas coisas, tivemos que aguentar”.

Será que esse sacrifício é que lhe fez abandonar o clube?

“Não é bem isso. Tive outras situações familiares, mas é verdade que a dada altura senti que faltava alguma coisa para acrescer à minha vida, que era a formação académica, algo que em Calulo não podia fazer por falta de condições. Senti que tinha que fazer mais para atingir os meus objectivos, que era de me formar para assegurar o meu futuro e consegui. Apesar disso, um dia penso em voltar ao Libolo, caso for necessário.

Como futebolista já se sente realizado profissional e economicamente?
“Penso que como profissional, atingi o auge da minha carreira, visto que pude jogar em vários clubes do país e na Selecção Nacional, salto que todo atleta que se preze anseia. Mas economicamente não, porque vocês sabem que o desporto em Angola ainda não nos oferece uma vida de glória. Mas devo dizer com humildade que o que ganhei dá para remediar a vida”.


O que se lhe oferece dizer sobre o futuro da Selecção Nacional com a contratação do técnico Gustavo Ferrín?

“É uma selecção que está em renovação e penso que acontece numa altura própria. Espero que esta renovação seja bem feita e que todos contribuam para o melhoramento da mesma, sem pressas de resultados, sob pena de mutilar-mos o trabalho que o técnico tenha preconizado. Quanto ao técnico, acho ser ainda muito cedo para falar dele. Prefiro vê-lo na prática, ou seja, ao longo do seu trabalho”.