Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Benfica sem medo do futuro

Paulo Caculo - 20 de Junho, 2016

Dirigente do Benfica garantiu serenidade do grupo em relação a segunda volta do Girabola Zap

Fotografia: Miqueias Machangongo

O vice-presidente do Benfica de Lunda, Mário Rocha, afirmou ontem, em entrevista exclusiva ao Jornal dos Desportos, que a crise de resultados enfrentada pela equipa de futebol na primeira volta do Campeonato Nacional é, apenas, uma fase passageira e que rapidamente o conjunto voltará aos triunfos.

“Faz parte do futebol. É normal e as melhores equipas também passam por estas má fases”, apressou-se a frisar, antes mesmo de justificar as razões que, na óptica da direcção, estarão na base da imagem negativa espelhada pela equipa nas últimas seis jornadas do Girabola Zap.

“Estivemos mal nos últimos seis jogos. Não ganhámos. É uma má fase, repito, mas que a equipa saberá ultrapassar. Estamos em  crer que o Benfica está a passar apenas por uma má fase, mas temos também a consciência plena que as coisas vão mudar para o melhor”, esclareceu, ainda, o vice-presidente das águias, que admite ser uma primeira volta para esquecer.

“A julgar pelos resultados, podemos considerar o balanço desta primeira volta do campeonato como negativo, porque não estava dentro das nossas previsões estarmos hoje com 19 pontos”, acrescentou.

Mário Rocha esclarece, por outro lado, que a crise de resultados que o conjunto vive no momento “nada tem a ver com falta de incumprimentos” com os jogadores, pois garantiu que os salários têm sido pagos dentro da regularidade que se exige.

“Um eventual atraso salarial de um mês é perfeitamente normal e não pode ser este o motivo. Mas, continuamos a ter confiança nos nossos jogadores e na nossa equipa técnica, porque são estas mesmas pessoas que trabalham hoje no Benfica e que no passado transformaram o clube na dimensão que tem actualmente. É apenas uma má fase. Temos conversado com o grupo e procurado entender onde podemos melhorar e isso nos dá esperanças de que dias melhores virão”, disse o responsável directivo das águias, visivelmente confiante quanto ao futuro.

“O Benfica não tem medo do futuro. E a forma como trabalhámos, permite-nos perceber que rapidamente vamos sair desta fase menos boa e voltar a ser, novamente, uma equipa extremamente competitiva”.

CRENÇA
“Vamos sacudir a crise”


Mário Rocha considera haver no seio do Benfica de Luanda trabalho de qualidade e condições psicológicas para o conjunto dar o desejado "pontapé" na crise de resultados que enfrenta no Girabola Zap.
O responsável das águias atribuiu, ainda, a quebra de resultados ao facto de Zeca Amaral ter perdido muitos atletas influentes na manobra ofensiva e defensiva da equipa titular, por razões adversas.

"Houve alguns jogadores que baixaram de rendimento e houve também situações de jogadores que, por razões lesão, deixaram de estar disponíveis para o treinador. A equipa não esteve bem. Mas também houve jogos em que não merecemos perder e posso citar exemplos; no jogo com o Interclube, dominámos durante quase todos os 90 minutos, mas perdemos;  com o Petro de Luanda perdemos o jogo com dois golos de bola parada, uma situação um pouco inexplicável. Portanto, nem sempre conseguimos traduzir o nosso domínio em golos", justificou Mário Rocha.

De acordo ainda com o vice-presidente do Benfica, o grupo é de uma estrutura psicológica inabalável, razão pela qual as pessoas encaram sempre as contrariedades de forma optimista, sem perder a esperança e a confiança em tempos melhores.

"Acreditamos que vamos sacudir a crise. Vamos inverter o quadro.  Temos consciência do trabalho que desenvolvemos todos os dias em prol do clube. Nos últimos três anos, temos sido uma equipa extremamente competitiva. Ganhámos um título na Taça de Angola, em 2014, e estivemos muito próximos de conquistar o Girabola, em 2015. Os projectos desportivos estão ligados aos títulos, mas o ganhar não depende só da vontade das pessoas, mas também do factor sorte. O futebol, infelizmente, tem também este lado", lamentou o vice-presidente das águias.

REFORÇOS
Equipa precisa de goleadores


A equipa do Benfica pode ser reforçada com um ou dois avançados na segunda volta do Girabola Zap. Mário Rocha garantiu ser esta a principal preocupação da equipa técnica para o segundo turno do campeonato, dadas as debilidades espelhadas pelo ataque durante as primeiras 15 jornadas. 

O responsável das águias afirmou que a equipa está a cumprir um estágio no interior do seu centro de treinamento, em Cacuaco, tendo em vista a melhoria dos níveis. O diálogo, segundo o vice-presidente do Benfica, tem sido um dos recursos encontrados pela direcção para ultrapassar a má fase.

"Estamos a conversar com a equipa técnica, para tentar perceber efectivamente onde podemos melhorar", confirmou Mário Rocha, garantindo haver necessidades da equipa reforçar-se com mais um ou dois avançados.

"É provável que contratemos mais jogadores para reforçar algumas posições em estamos com algum défice. E um dos principais problemas do Benfica tem sido a finalização. Não temos conseguido traduzir em golos as oportunidades que criámos".

TREINADOR
Zeca Amaral
é para durar


O vice-presidente do Benfica recorreu a uma expressão inglesa para assegurar que o futuro de Zeca Amaral continuará a passar pelo clube. Ou seja, Mário Rocha assegurou que o treinador vai cumprir a totalidade do contrato ainda em vigor.

"O professor Zeca Amaral tem contrato até final de 2016. É uma pessoa que conhecemos há muito tempo, conhecemos o seu valor e encaixa-se perfeitamente nos projectos do Benfica de Luanda. Portanto, utilizando uma expressão de um dirigente desportivo inglês muito consagrado, consideramos Zeca Amaral «forever»", aturou, sorridente.

Mário Rocha deixou perceber, no entanto, a confiança e o prestigio granjeado pelo experiente treinador no seio da agremiação desportiva. O técnico já provou, ao serviço do Benfica, a imagem de “gentleman”. As qualidades de exímio comunicador, os frutos do seu trabalho e a enorme competência ajudaram-no a gozar, muito cedo, de condições para trabalhar sem sobressaltos.

O dirigente das águias acredita, piamente, que para a direcção do clube tudo que Zeca Amaral ajudou a conquistar para o clube até hoje traduz confiança e ajuda a reacender as esperanças pela materialização dos objectivos.

O grande desafio de Zeca Amaral, no entanto, será tentar justificar o estatuto e a confiança depositada pela direcção encarnada no seu trabalho, colhendo na segunda volta os pontos necessários que ajudem a equipa a recuperar a posição de candidato ao título do presente campeonato. A missão não se afigura fácil, mas também não é impossível, sobretudo nesta fase, em que as águias se revelam revigoradas para novas conquistas.