Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Bengo define o presente ano como da afirmao desportiva

Guimares Silva - 10 de Janeiro, 2011

|Antnio Manga espera que 2011 traga novos ventos ao desporto no Bengo

Fotografia: Edmundo Educlio

Jornal dos Desportos -  O seu balanço desportivo de 2010 corresponde ao planeado?
Director provincial
  -  Em 2010, tivemos momentos  positivos quanto à participação do futebol no panorama nacional. Conseguimos um protagonismo fora de série, com a participação do Kafanda e do Domant no zonal de apuramento à I Divisão nacional. O Domant teve o privilégio de chegar ao segundo lugar e, com isso, o direito de disputar a liguilha de acesso ao Girabola, onde  perdeu com a Académica no quantitativo de dois jogos. A equipa que representou a província soube bater-se a toda a prova, mas todo o trabalho tem um segredo: o jogo de bastidores. Fruto disso, a Académica do Lobito conseguiu vencer. O futebol é assim. Não lamentamos o leite derramado, mas esperamos protagonismo igual ou melhor em 2011.

Os municípios, em várias vertentes, têm elos com a capital do Bengo. O desporto segue esta ligação?
É de certa forma atribulado. Hoje depende da vontade das pessoas. Por via da regra, um pouco por todo o lado pratica-se mais o futebol sem grande nível. A juventude vai fazendo algo e os dirigentes fazem um esforço para melhorar as condições e dar alguma satisfação ao munícipes. Acredito que em 2011 será melhor, tendo em conta algumas condições que estamos a preparar. Ir ao encontro dos representantes locais para conversar, porque há gente com boa vontade para apoiar as várias iniciativas de âmbito desportivo. Estamos a fazer um levantamento das associações e núcleos desportivos existentes. Uma base de dados.

Um pouco por todo o lado sente-se a necessidade de infra-estruturas desportivas. Como estamos nesse capítulo?
Trabalhamos, de há um tempo a esta parte, no sentido de implementarmos um projecto ligado ao despertar do desporto nacional. Ao  Bengo coube a directiva de identificar 27 campos para reabilitar e outros  para construir, ali onde não existem. Herdámos infra-estruturas obsoletas, muitas sem praticabilidade desportiva. Elas estão mais dirigidas para o futebol. Para o basquetebol, por exemplo, as infra-estruturas são deficitárias. O executivo provincial  quer dar outra imagem ao quadro actual, para que cada escola tenha uma quadra de basquetebol ou de futebol de salão, para o incremento do exercício físico e da prática desportiva. Este esforço vai reverter na busca de valores escondidos e no relançamento de actividades ligadas à cultura física e à recreação.

Qual tem sido a receptividade dos amantes do desporto nos municípios relativamente às iniciativas?
Boa. Há entusiasmo, porque são os apoios que esperavam. Uma das campanhas que traçámos dirigiu-se às crianças dos 10 aos 16 anos. Para a prática de diversas modalidades, criámos a componente de confecção de material desportivo. Sempre que realizamos encontros com as administrações municipais distribuímos material para a prática de diferentes modalidades. Temos apoiado as secções desportivas com  o que nos chega às mãos. Em 2010 distribuímos material de futebol e estamos à espera de resultados.

Falta de apoio financeiro condiciona várias acções

As modalidades individuais, via de regra, não acarretam grandes gastos. Existe algo definido na província?
Temos potencialidades em termos de xadrez, mas não temos uma associação criada, nem um núcleo. Há  boa vontade por parte das pessoas, mas não têm apoios financeiros. Sem isso, é difícil praticar a modalidade, apesar de ser de baixo custo. Há quatro ou cinco anos, havia um núcleo de xadrez, mas sem apoios perderam a vontade pela prática. Há planos para a reactivarmos. O projecto despontar concorre para a massificação desportiva na sua plenitude. Vamos trabalhar com as escolas, há a ideia de que para o corrente ano haver material para distribuirmos pelas escolas e comunas.

O projecto Caçulinhas da bola está na moda, neste momento. A província do Bengo tem algo para mostrar?
Juntamente com o núcleo do Movimento espontâneo estamos a trabalhar para a implantação desse projecto-piloto. A nível do Bengo, já se fez o lançamento em Bula Atumba e falta fazê-lo noutros municípios. O Bengo tem talentos escondidos que precisam de um escape para a sua afirmação. Acções como os caçulinhas dão outro alento, moralizam as crianças e mostram talentos escondidos.

Como têm sido os intercâmbios provinciais em termos desportivos?
A ausência de infra-estruturas à altura faz com que alguns projectos  se mantenham no papel. Não temos uma quadra para a prática do andebol, do basquetebol ou do voleibol. Temos apenas um campo de futebol com condições, o da Kafanda. Sem infra-estruturas é difícil organizarmos torneios.

Província organiza este ano
a meia-maratona de atletismo

É voz corrente na província a organização de provas de atletismo de vulto. Quer falar sobre a Mini-maratona de atletismo 2011
No âmbito do atletismo promoveremos uma  maratona pedestre em 2011. Estamos a estudar as formas para termos o maior número de atletas possível. A  meia-maratona será de execução provincial, com um contexto político, pois vamos  homenagear os antigos combatentes. É vontade do governo da província do Bengo, para despertar a população quanto ao seu potencial. A meia-maratona será realizada a 4 de Fevereiro. Partirá da Comarca de Luanda, no bairro Ngola Kiluange, até ao Caxito. A ideia é a de os atletas federados percorrerem  21 quilómetros. Os antigos praticantes e interessados podem correr um total de 10 mil metros. Estamos a estudar, para no mesmo dia realizarmos um despique de três quilómetros para jovens abaixo dos 16 anos. Esta será a primeira edição da meia-maratona. Se tudo fluir como estamos a almejar, procuraremos formas de institucionalizar a mini-maratona para fazer parte do programa anual do executivo do Bengo.

Quer referir-se um pouco aos apoios e linhas de força para esta prova de atletismo?
Para a realização da mini-maratona estamos a conversar com a Federação Angolana de Atletismo, na pessoa do seu presidente. Para já, sabemos que o director da prova será o senhor José  Saraiva, mas há outros membros na comissão organizadora. Estamos no bom caminho para a realização da prova, uma vez que já temos as condições criadas. Temos um orçamento aprovado, estimado em 183 mil dólares, logística, prémios, publicidade e confecção de material desportivo.

A Lei de bases do sistema desportivo vai a votação parlamentar. Os amantes do  desporto no Bengo reflectiram sobre este importante diploma?
O Bengo não está alheio às contribuições. Em minha opinião, a sociedade angolana deve ter políticas bem definidas de apoio aos desportistas e a linha de condução do desporto no país. Sem apoios financeiros, construção de infra-estruturas, formação de dirigentes desportivos, vai ser difícil para o país apresentar grandes performances e mesmo ultrapassar países africanos onde o desporto é considerado uma actividade de vulto. Temos de pensar que o desporto é uma actividade que pode gerar receitas ao Estado, na boa imagem dos praticantes, que incentiva investidores para o seu suporte.

Agendamos acções formativas
para todos municípios do Bengo


Há planos definidos  para 2011 em termos de infra-estruturas e formação?
O  Orçamento Geral do Estado não prevê apoios financeiros para as associações. Recorrem à Direcção Provincial do Desporto para suprir carências. A Direcção, no entanto, apenas define as políticas, não financia. Temos um plano para construir dois campos com balneários em cada município. A situação actual confere um campo com balneário no município do Dande e dois em reabilitação. Na Kissama temos pronto um campo com balneário, no Sangano, o mesmo no Ambriz, na Bela Vista  e ainda a ampliação do campo do Ambriz sede, com balneário. Quanto a formação, para 2011, agendámos para o primeiro trimestre acções formativas em todos os municípios, em  modalidades nas quais temos técnicos especializados, como atletismo, ginástica e futebol. Vamos materializar este projecto para dinamizar acções que elevarão o nome desportivo da província.

A proximidade com a toda poderosa capital desportiva do país traz vantagens à província do Bengo?
A proximidade com Luanda poderia trazer, de facto, algumas vantagens, se fossemos mais inteligentes. Não têm havido acordos, não tem havido uma intervenção, uma interacção directa entre nós. Isso poderia trazer pontos positivos, fortes, se tivéssemos essa cooperação. Estamos deficitários quanto a formação de treinadores e de árbitros. Estamos a estudar mecanismos para  engendrar linhas de actuação, mas actualmente não há vantagens consideráveis quanto à proximidade. O que é uma pena. A ausência de infra-estruturas em condições não nos dá grande eficácia para a implementação de grandes projectos ligados à formação. Há pessoas curiosas que querem dirigir grandes projectos desportivos, mas não têm experiência de direcção. Luanda poderia ajudar muito. Contudo, acreditamos que este ano, em função da proximidade, poderemos trabalhar com as escolas do Interclube, do 1º de Agosto e do Petro, para  melhorarmos  em muitos aspectos. Para além disso, o Ministério da Juventude e Desportos promove formações, mas por vezes as nossas condições financeiras não dão garantias para a realização de acordos  virados para a formação.

Estádio Municipal do Dande

A construção do estádio municipal do Bengo vem de 2006. Tempo longo para uma obra que dá mostras de andar aos retalhos, como que a pedir que se cosam metades, dia após dia. Os munícipes interrogam-se sobre a sua conclusão. Vozes críticas levam vantagens e dizem, alto e bom som, que o estádio é uma obra perdida porque mal concebida. Outros dizem que está  mal localizado, e os mais cépticos, afirmam que jamais ficará pronto.

O director dos Desportos do Bengo é optimista. Em nenhum momento, durante a conversa com o Jornal dos Desportos, avançou a hipótese da sua não conclusão. Foi aberto. Informado sobre o dossier, deu a conhecer ao Jornal dos Desportos  que a obra é, por enquanto, obra e o Bengo precisa dela como estádio concluído, sem adiantar prazos, para orgulho da província. António Augusto Manga, director provincial dos Desportos do Bengo, diz que “vamos ultrapassar a obra e ter mesmo um estádio municipal do Dande, no Caxito”.

Acrescenta mesmo que o estádio, ao ser concebido, inscrevia  tapete de relva, tanques de reserva de água e drenagens. Diz ainda que a obra está em curso, passo a passo, porque houve injecção de valores. “Isso permitiu que de Janeiro a Junho de 2010 se fizesse algo. Com a sua conclusão, vamos rentabilizá-lo. As  associações poderão funcionar lá e poderemos ter outros serviços.”