Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Bi quer ser viveiro da ginstica no pas

Jos Chaves, no Bi - 22 de Maio, 2010

Ginstica vai estender-se a todas escolas do I e II Ciclos

Fotografia: Jornal dos Desportos

  Qual é a realidade do estado da ginástica na província do Bié?Podemos considerá-la boa. Nos últimos tempos, começamos a organizar algumas provas de massificação. Ainda assim, não é o mais desejado, mas já temos um número aceitável de praticantes, tanto na classe masculina como na feminina, especialmente, crianças. Estamos a trabalhar para que num curto espaço de tempo, tenhamos vários ginastas em toda a extensão do Bié. Quantos praticantes controlam?Não podemos dizer com precisão, porque são alunos de várias escolas e ainda não nos forneceram o número exacto. Apesar disso, estimamos que ronda os 70 praticantes. Quais são os escalões que movimentam e as faixas etárias dos ginastas?Estamos a trabalhar com os infantis, juvenis, juniores e alguns seniores. A idade mínima é de 7 anos e a máxima é 20. Para quando a expansão para outros pontos da província?Vamos continuar a trabalhar e a criar as condições necessárias para que o desiderato seja concretizado o mais breve possível. Vamos criar as condições de incentivo e de sensibilização para que os jovens adiram em massa à prática da ginástica nos municípios do interior da província. Afirmou que 70 jovens podem estar inscritos. É um número que o deixa feliz pela extensão da província?A adesão é grande, mas, infelizmente, os meios são escassos. Isso preocupa-nos. A modalidade depende apenas das ajudas provenientes do governo local. Todavia, não vamos desistir, mas insistir até conseguirmos os apoios para aumentar o número de praticantes. Manifestou-se preocupado em relação à escassez de material. De que tipo de material a Associação necessita?Precisamos de colchões, camisolas, calções, fatos de treino, entre outros equipamentos. Quantos clubes ou núcleos movimentam a ginástica?Nesse momento, existem três núcleos de massificação: o de Amigos do ASA, o da Escola de Formação de Professores dos Maristas “São José” e o do Benfica do Kunji. A Associação possui sede própria? Onde funciona?Infelizmente, não temos sede. É uma das grandes dificuldades que atravessamos. Há falta de técnicos Quantos técnicos existem no Bié a ensinar o ABC da ginástica?É uma das grandes dificuldades que a ginástica vive no Bié. Actualmente, não lhe posso precisar o número de técnicos que trabalham com crianças nos núcleos citados. É um número reduzido e fazem assessoria técnica a todos os atletas.O que está a ser feito para inverter o actual quadro?Queremos que a Federação Angolana de Ginástica continue a promover formação de treinadores. A nossa proposta aponta a formação por províncias, porquanto aumentaria o número de treinadores em todo o país. Que balanço faz desde o ressurgimento da ginástica na província?A modalidade já era praticada nesta região, mas teve uma interrupção devido à guerra. O Bié sempre teve grandes infra-estruturas desportivas para a prática de ginástica e, felizmente, a fase menos boa passou e a população local, principalmente a camada jovem, volta a aderir a ela em massa. A modalidade tem boa aceitação e hoje já temos um número de praticantes de boa qualidade. Em suma, estamos a caminhar bem e com passos firmes. Escola pública é o destinoQual é a meta preconizada para os próximos anos?A Associação de Ginástica do Bié quer estender a modalidade às escolas do I e do II ciclos, no âmbito do programa de massificação e de desenvolvimento. A intenção não é só a descoberta de talentos, mas também aumentar o número de praticantes e permitir a realização periódica de campeonatos locais em diferentes categorias. Vamos continuar a trabalhar para o surgimento de mais núcleos nos bairros da cidade do Kuito e nos municípios da província para assegurar o futuro. Como estender a ginástica aos bairros?Vamos fazer tudo para inserir a ginástica nos principais clubes da província. Temos contactos com clubes locais e alguns já se prontificaram a acolher a ginástica. É uma das tarefas a executar imediatamente. A massificação abrange as escolas de ensino privado?Trabalhamos com as escolas públicas, que constituem os principais pólos de desenvolvimento. As infra-estruturas desportivas da província são suficientes para a prática da ginástica?A falta de infra-estruturas é o grande calcanhar de Aquiles. O desporto só se desenvolve com estruturas próprias. A falta de infra-estruturas é um problema nacional e, obviamente, o Bié não foge à regra.A Associação recebe apoio das entidades governamentais?Com certeza. O governo local, através da Direcção Provincial da Juventude e Desportos, apoia a Associação. Os únicos apoios recebidos provêm do governo local.Que apelo faz aos clubes locais que receiam movimentar a ginástica?Apelo a inserir a ginástica porque é um desporto saudável. Vou dar um exemplo: as medalhas e as taças que os ginastas arrebataram no zonal Centro-Norte deveriam estar nas galerias dos clubes e não na Associação Provincial. Portanto, seria mais-valia para os clubes locais coleccionarem esses troféus. Qual é a meta que a ginástica no Bié pretende atingir?Queremos ser o principal viveiro no país. Apesar das dificuldades que atravessamos, vamos lutar para atingir esse objectivo nos próximos dois anos. A meta é difícil de se alcançar, mas não impossível. Com crença, determinação, humildade e trabalho, podemos concretizar esse grande sonho. A nível de todo o país, a ginástica está a ganhar o seu espaço desde a criação da Federação. Com mais empenho, a ginástica pode expandir-se a todos os cantos de Angola para o desenvolvimento do desporto nacional. É preciso trabalho para se atingir a meta. Devemos ajudar a Federação para que possa expandi-la o mais rápido possível a todas as capitais provinciais, municipais e comunais. Como está a ginástica nos municípios do interior da província?Assistimos dois municípios, mormente, Kuemba e Kamacupa. Nessas localidades, existem praticantes, mas há falta de técnicos e de material desportivo, o que dificulta a implementação. Medalhas no RegionalO Bié albergou, no passado mês de Abril, o zonal regional Centro-Norte de ginástica. Como avalia a participação dos ginastas locais?A prova decorreu sem dificuldades. O Governo Provincial do Bié apoiou incondicionalmente a prova, em parceria com a Federação Angolana de Ginástica. O certame contou com a presença de sete províncias. Quais foram os resultados desportivos do Bié?O Bié teve uma participação extremamente positiva a todos os níveis. A selecção provincial conseguiu 17 medalhas e duas taças. Depois do Zonal regional, quais são as perspectivas para a ginástica local?Vamos continuar a trabalhar e realizar festivais. Estamos a participar no Campeonato Nacional de Ginástica nas categoriais de iniciados e de juvenis que decorre na província de Kwanza-Norte. Qual tem sido a adesão da classe feminina?Boa, porquanto temos um bom número de praticantes, o que nos satisfaz.