Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Campe africana de taekwon-d e jiu jitsu quer melhorar prestaes

Joo Francisco -On-line - 07 de Março, 2013

Sandra Antnio no podio (2 esquerda) com as duas adversrias brasileiras e uma sul africana

Fotografia: Jornal dos Desportos

Sandra Solange dos Santos António, 25 anos, integra o reduzido grupo de mulheres praticantes de artes marciais no país. Além de taekwon-dó, de que é cinturão negro, pratica jiu-jitsu brasileiro, modalidade em que também almeja o sucesso. Sandra Solange iniciou-se nas artes marciais muito cedo, impulsionada pelo pai. Começou no karaté, no Centro Angolano de Karaté(CAK), passando pelo Grupo Desportivo da Banca, e depois foi para o taekwon-dó, no ginásio do Fitness Club.

“O taekwan-dó é uma modalidade semelhante ao karaté e, por isso, não notei muita diferença. De início, não gostei muito da ideia, razão pela qual fiz alguma resistência e não quis desistir do karaté. À medida que os dias se passavam, passei a gostar e adaptei-me com facilidade. Hoje, não penso voltar a treinar karaté”, afirmou. Além do apoio incondicional do pai, Sandra conta com o auxílio de outros familiares, como o irmão Sandro António, que segue os seus passos e tem sido o seu maior incentivador para continuar a fazer desporto.

Para Sandra António, as artes marciais significam para ela harmonia e bem-estar físico e espiritual. “Não as pratico para ter nome ou conseguir dinheiro, mas sim porque gosto, pelo bem-estar e por hábito”, disse. O gosto pelas artes marciais levou-a a uma nova modalidade, o ju-jitsu brasileiro, que pratica na Academia Aliança do Tatame. Sandra defende a convivência entre a especialidade tradicional e a brasileira.

“O ideal seria a união das duas modalidades, para não dificultar o trabalho do Ministério da Juventude e Desportos nem ultrapassar as normas deste”, frisou. “A união (entre os praticantes e associações) permitiria não atrasar o desenvolvimento do ju-jitsu brasileiro, que está a ganhar nome agora”.
Mas, na prática, existem diferenças entre as duas artes marciais, pelo que “o correcto seria que estas modalidades fossem independentes,  sendo que, em termos práticos, não possuem qualquer semelhança”.

SONHO
Participar no Campeonato do Mundo

Enquanto for atleta de alta competição, Sandra Solange tem como maior sonho participar nos Campeonatos do Mundo nas modalidades que pratica, taekwon-dó e jiu-jitsu brasileiro, mas já projecta o futuro. “Quando deixar os tatames, quero ter uma escola de artes marciais para atletas de todos os escalões, quero partilhar a minha experiência com a nova geração”, afirma.

Sandra António diz que só se vai sentir uma mulher realizada quando começar a ganhar os muitos campeonatos internacionais que tem pela frente e para os quais se está a preparar. A nível nacional e continental o seu nome é já uma referência. Em 2005, conquistou a medalha de bronze no Campeonato Africano, disputado em Madagáscar, onde Angola fez a sua estreia internacional no taekwon-dó. Nessa competição, Angola obteve um total de seis medalhas de bronze e uma de prata.

“A organização da competição não foi muito boa, não teve o nível de uma competição africana. Houve embaraços que marcaram a prova pela negativa, mas compreende-se que tudo aconteceu porque também foi o primeiro evento desportivo a ser realizado no continente”, recordou. No país, já ganhou quase tudo o que tinha para ganhar. Solange, que participa desde 2002 nos campeonatos internos, venceu em 2010 o seu 10º título nacional, além de deter oito a nível da capital, quatro inter-provinciais e outros tantos de torneios particulares.

PALMARÉS
Medalhas
nos Africanos


Do palmarés invejável de Sandra Solange, destacam-se o título de campeã africana de ju-jitsu, em 2011, em Joanesburgo (África do Sul), na primeira vez que participou numa competição continental de ju-jitsu. No ano seguinte, repetiu a proeza na prova disputada na Cidade do Cabo. Somam-se ainda a medalha de bronze em taekwan-dó, em 2011, nos Jogos Pan-africanos de Maputo (Moçambique) e o título de vice-campeã (medalha de prata) da Zona VI, em 2009.

PING PONG
Pode-se sobreviver só a fazer artes marciais em Angola?

Em Angola ainda não é possível viver das artes Marciais.

O que faz além das artes marciais?
Estudo o 3º ano de Direito na Universidade Metodista de Angola e trabalho no Ministério da Justiça, na área de identificação civil e criminal.

Qual o nível de desenvolvimento das artes marciais que pratica?
Em Angola não é dos melhores, além de as federações não terem bons dirigentes, que lutem pelos direitos dos atletas.

Fale-nos em concreto do taekwon-dó em Angola?
A modalidade está a evoluir. Desde 2003-2004, já tivemos vários torneios nacionais e internacionais, apesar da fraca adesão das mulheres à prática desse desporto.

O que se deve fazer para que haja mais participação das mulheres nos desportos de luta?
Deve haver muita informação para que seja bem interpretada, porque a modalidade não é tão agressiva.

POR DENTRO
Nome completo:
Sandra Solange dos Santos António
Filiação: Januário Marcos Adriano António e Gracinda Ivone de Jesus Santos
Naturalidade e data de nascimento: Luanda/ Ingombotas, 24/07/1988
Estado civil: Solteira
Filhos: Não tenho
Altura: 1.76 m
Peso: 74 kg
Hobbies: Filmes e música
Música: ReB
Prato: Funji com carne assada.
Bebida: Sumo natura de frutas ácidas
Perfume: Hugo Boss
Cor: Preta
O que mais teme na vida? Perder alguém importante para mim.
Filme: “Law Abiding Citizen”
Recorre à mentira? Não, apenas à omissão da verdade.
Clube do coração: Benfica
Cidade: Seul
Província: Huíla
Ídolo: Densel Washington
Música: Kizomba e Semba
Religião: Católica
Sonho: Ser feliz...