Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Carlos Bastos quebra silêncio e fala do seu percurso

Avelino Umba - 05 de Julho, 2011

Carlos Bastos de Almeida

Fotografia: Domingos Cadência

Foi nos tempos idos anos de 80 uma figura emblemática no dirigismo desportivo nacional, no futebol particularmente. Hoje na condição de reformado como tem sido o seu dia-a-dia?
É na condição de um aposentado. Pois, como reformado não tenho nenhuma actividade no desporto. Mas isso não implica dizer que não tenho estado a acompanhar o que se passa na modalidade. Estou atento, tenho estado sempre em conversa com os meus amigos, particularmente com Arlindo Leitão, com quem troco sempre de opiniões.

Passados 60 anos de idade, dos quais mais de 30 ao serviço do futebol nacional, não acha que foi prematura a sua reforma no futebol?
Acredito que não, pois já tenho 68 anos de idade. A velhice não perdoa, embora o actual presidente da Federação ter idade superior que a minha. Mas na verdade, a minha reforma deveu-se mais a uma situação que vivi no Clube 1º de Agosto nos anos atrás onde fiquei desencantado com procedimento de algumas pessoas na altura ligadas aquele clube. Ainda assim, abandonei o futebol, saindo da Federação, pela porta grande, onde desempenhei as funções de vice-presidente no mandato de Armando Machado. De uma ou de outra forma, quando chega a hora, devemos deixar para os outros. É assim que todos nós devíamos pensar e fazer, saindo pela porta grande e não pela pequena e de cabeça tranquilo.

Nos dias que ocorrem e encontrando-se na reforma, como sobrevive?
Sobrevivo através da reforma como antigo combatente, neste momento estou a tratar da minha reforma geral. A minha família e alguns amigos, têm sido os meus grandes suportes, embora uns como mais outros com menos, fazem alguma coisa apesar de não ser suficiente, pois padeço de uma enfermidade diabética que me obriga a ir quase constantemente ao exterior do país para tratamento.

Considera-se abandonado pela família desportiva?
Em nenhum momento me considero abandonado desta família, porquanto deles já recebi apoios pontuais e necessários. A problemática da minha saúde tem sido a que mais me tem preocupado, pois sempre que haja necessidade de me deslocar para o exterior do país para além da minha família, peço ajudas a pessoas amigas e muitas vezes às instituições.

Ganhou alguma coisa com o futebol?
Absolutamente nada, tirando a satisfação e consciência tranquila por ter feito um bom trabalho. Os dissabores, intrigas e fofocas à mistura por parte das pessoas que almejavam o lugar, porquanto pensavam que de lá tirariam grandes benesses, foram os que mais transportei. A única benesse que tive era na altura das deslocações para fora do país em serviço.

Dentre muitos organismos desportivos, qual dos cargos mais relevante que ocupou?
Estive por muito tempo no Clube 1º de Agosto, na FAF e Comité Olímpico Internacional onde neste ultimo fui director nacional durante muitos anos. Fui também presidente da Associação Provincial de Futebol de Luanda (APFL) assim como fui fundador de um grande Clube que muita gente já se esqueceu (Independente de Rangel), onde saíram dois jogadores muito influentes que são o Abel e Mingo assim como outros que foram para o Progresso que era o nosso aliado natural.

“Tenho recebido muitos apoios
de pessoas amigas e instituições”

O que 1º de Agosto e a FAF têm feito em prol de si?
Apoios para me tratar não têm faltado. Não tenho razões de queixas, tirando a intriga que a direcção do 1º de Agosto tivera feito comigo na minha primeira passagem na agremiação, mas ainda assim, ganhei muitos amigos, principalmente com os militares.

Fala-nos um pouco desta intriga que viveu no Clube do Rio Seco?
Não gosto muito falar sobre isso, pois é um assunto passado, que já foi esclarecido há muito tempo, ainda no período do Melo Xavier. Intriga e calunia criada por parte das pessoas que queriam ocupar o meu lugar e por ironia do destino voltei depois de um tempo a ocupar o lugar isso ainda nos anos 80.

Como caracteriza as eleições recentemente realizadas na FAF?
Foram de uma forma geral boas, pois, as pessoas mostraram grande civismo. Tanto um como outro têm tudo para dirigir a FAF. Trabalhei muito tempo com general Pedro Neto e conheço-o muito bem. Acredito que a FAF está bem entregue a este novo dirigente, sem tirar mérito ao Artur de Almeida e Silva, um jovem que acredito ter tempo suficiente para um dia também dirigir o órgão reitor do futebol angolano, pois tem uma boa margem para um dia substituir general Pedro Neto, não por falência, mas sim por ordem natural das coisas.

É um dos fundadores da FAF. Fale-nos um pouco da sua trajectória naquela instituição?
Apôs um grande trabalho no Independente do Rangel, somos convidados por senhor Manuel dos Santos, primeiro presidente da APFL a fazer parte desta Associação, com a função de chefe de Secretaria. Por inerência de funções do SG Sílvio Barros Vinhas, sou proposto a cargo de Secretario Geral da APFL isso no fim de 1979, Secretario Geral e por ultimo vice-presidente da FAF. Dentre muitas funções, ocupei o cargo de director geral e presidente do 1º de Agosto, como acabei de frisar no inicio.

Futebol do passado e actual, comentário….
Acredito que a única comparação que se possa fazer é o amor a camisola, porquanto as técnicas evoluíram. Se vermos bem, só o material desportivo já nos diz tudo. Hoje uma bola não tem nada a ver com uma do passado. Antigamente utilizava-se botas, hoje utiliza-se chuteiras. As camisolas do passado não têm nada a ver com as do presente, é tudo diferente. Os treinos em si, no passado quase se faziam empiricamente. Os técnicos, hoje, já são especializados.

Por dentro

Nome: Carlos Fernandes Bastos de Almeida (Likas)
Data de nascimento: 17.06.1943
Naturalidade: Luanda
Nacionalidade: Angolana
Estado Civil: Casado
Filhos: 9
Peso: 89 Kgs
Altura: 1.63 m
Signo: Gémeo
Prato preferido: Todo que seja bem confeccionado
Bebidas: Sumos naturais e águas
Tabaco: Contra
Filmes: Comédia
Musica: Antigas (Elias, Rui Minga, Carlos Lamartine e Burity)
Droga: Contra