Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Chinguar sem Infra-estruturas

Jos Chaves, no Chinguar - 13 de Outubro, 2010

professor de profisso, falou ao nosso jornal, em plena Vila do Chinguar

Fotografia: Jos Chaves

Fale do Clube Recreativo do Chinguar.
O Clube Recreativo do Chinguar vive imensas dificuldades, desde a falta de instalações para a direcção trabalhar, à falta de material desportivo e de recursos financeiros. Para inverter o quadro, é necessário o apoio de pessoas singulares e da classe empresarial.

Sabemos que o clube possui um vasto património...
O clube possui um grande património, mas está quase inoperante. Em tempos idos, fez inveja à maioria dos clubes angolanos. Possui uma sede social, que se encontra em escombros (ex-Associação Beneficente Clube Recreativo do Chinguar), um complexo desportivo, que comporta um restaurante, salão de eventos culturais, sala de cinema, diversos pequenos compartimentos, parque de estacionamento, um campo polivalente para modalidades de salão e um campo de futebol. Estas estruturas estão destruídas, dada a guerra que assolou o município, a província e todo o país.

Ao que sabemos, o clube foi revitalizado há dois anos.
A revitalização do clube aconteceu em 2008, graças a um programa gizado pela Direcção Provincial da Juventude e Desporto, em colaboração com a administração municipal.

Que modalidades movimentam nos dias que correm?
O futebol e o karaté-dó, em número de 132 atletas. A direcção tem na forja a reactivação do andebol, basquetebol, atletismo e desporto motorizado, que são disciplinas tradicionais. Pretendemos revitalizar essas modalidades, porquanto a juventude local está ávida em praticar desporto. Entretanto, o grande Calcanhar de Aquiles para a concretização destes programas é a falta de recursos financeiros.

O que a direcção vai fazer para recuperar as infra-estruturas?
A direcção defende a reabilitação das mesmas, a curto ou médio prazo, para contribuir para o desenvolvimento do desporto local e nacional. Defendo que este património seja recuperado o mais rápido possível. O clube não tem meios financeiros e, nesse contexto, os nossos olhos estão postos no governo provincial. Acredito que, com a reabilitação das infra-estruturas, o município sai a ganhar, pois o empreendimento servirá à população local. Por isso, apelo aos empresários dispostos a patrocinar o clube a apresentarem propostas concretas para recuperar este gigante adormecido. As pessoas que quiserem apostar no clube podem recuperar o dinheiro gasto através da rentabilização das mesmas. Portanto, ninguém sairá a perder.

Regresso do atletismo
e andebol está na forja


O clube projecta aumentar o leque de modalidades?
Vamos continuar a trabalhar para a nossa equipa de futebol continuar a participar no campeonato provincial de seniores, esperando que tenha apoio do empresariado local e dos munícipes. Vamos introduzir o atletismo e o andebol, o que está entre as principais acções a serem desenvolvidas na próxima época. Ambas modalidades ainda não se fazem sentir no município, daí a agremiação as ter escolhido para massificar. A insuficiência de verbas constitui o grande entrave para a prática de outras modalidades.

Existem projectos concretos para a recuperação do valor que o clube deteve no passado?
Temos um projecto com as equipas de futebol, karaté-dó e com as futuras equipas de andebol, de basquetebol e de atletismo. A meta traçada é a formação, durante cinco ou seis anos. Só assim poderemos recuperar o estatuto que ostentávamos outrora.

Reabilitar a sede
é a grande aposta


As infra-estruturas do clube estão em mau estado. O que se pretende fazer?
A reabilitação da sede social, que se encontra em escombros, é a principal aposta da direcção do Clube Recreativo do Chinguar para o quadriénio 2008/2012. Apesar de estarmos a correr contra o tempo, a direcção vai trabalhar seriamente para cumprir os objectivos traçados.

E o campo de futebol?
O campo de futebol também necessita de uma intervenção de grande envergadura. É necessário nivelar o terreno, colocar rede de protecção na quadra de jogos, construir bancadas, balneários para os atletas, árbitros e para o público. Em suma, é preciso uma grande intervenção e ela só será possível com a ajuda das entidades governamentais locais.

Quantos sócios tem o clube? 
O número de sócios é ínfimo. Vamos, nos próximos  dias, abrir uma campanha para angariar o maior número de sócios, a nível local e em todo o país.

Que modalidades possuía antes a agremiação?
Antes da independência era o futebol e o basquetebol. O clube possuía grandes equipas de futebol e basquetebol, que competiam em provas nacionais. Após a independência, o desporto motorizado era o que mais despontava.

Quais são as apostas do clube para o futuro?
Pretendemos apostar sério na massificação do futebol, do andebol, do basquetebol, do atletismo e do karaté-dó. Estamos apenas à procura de um patrocinador oficial para materializar o projecto. Urge fazer-se um trabalho mais apurado a nível dos escalões de formação, para facilitar a massificação desportiva a todos os níveis.

Recebem apoio do Governo Provincial?
Temos apoio moral da administração local. Agradecemos bastante, pois abre a porta sempre que temos alguma necessidade. Temos boas relações com essa instituição.

À procura de parceria com confrades

A falta de um patrocinador oficial dificulta a vida do clube?
O clube sobrevive graças à ajuda de alguns sócios. Vamos encetar contactos com a direcção dos clubes que são nossos confrades, principalmente o Clube Recreativo da Cáala e o Cube Recreativo do Libolo, para assinarmos parcerias.

Antigamente, quem era o patrocinador?
Eram os comerciantes do município. O Chinguar é uma zona essencialmente agrícola e nela viviam vários comerciantes. A vila tem também o privilégio de ser um ponto de passagem do Caminho-de-Ferro de Benguela. A guerra fez com que os comerciantes abandonassem o município, mas, com a paz definitiva, acredito que a localidade e o nosso clube voltarão aos tempos áureos.

As dificuldades por que passam não vos levam a pensar em fechar as portas?
Não. Apesar das dificuldades que atravessamos, o clube vai continuar a trabalhar para se manter de pé. Temos um trabalho árduo e ambicioso. A colectividade foi uma das maiores desta região, razão pela qual queremos vê-la renascida. As vicissitudes que vivemos não nos desanimam, pois, como se diz,"a esperança é a última a morrer".

Que mensagem deixa aos atletas, sócios, adeptos, habitantes e naturais do Chinguar?
Aproveito esta oportunidade para apelar aos habitantes, naturais deste belo município e aos empresários interessados em ajudá-lo que o façam sem receios. As pessoas podem contactar, na vila, os responsáveis do clube para se filiarem nele. O nosso desejo é tornar o Recreativo num grande clube. É só esperar para ver.

Caso apareça um empresário interessado em investir, basta contactar a direcção?
Estamos de braços abertos, desde que o mesmo ponha em primeiro lugar os interesses da agremiação. O clube possui várias infra-estruturas, pelo que se torna urgente que as mesmas sejam recuperadas para o seu bem e do município.