Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Clube vai resolver problemas de salrios nos prximos dias

Manuel Neto - 02 de Agosto, 2010

Jos Domingos (Dimas), Vice-Presidente do Kabuscorp

Fotografia: Domingos Cadncia

Fale do andebol no vosso clube...Apesar do Kabuscorp não ter infra-estrutura desportiva, o seu presidente acha que deve ter o andebol e tudo faz no sentido de primarmos por uma boa organização.O país possui poucas equipas de andebol, razão que leva o Kabuscorp, mais uma vez, a aparecer no associativismo desportivo, a fim de ajudar muitos atletas a não ficarem sem praticar a modalidade. Que ambições têm na modalidades?Em masculinos, as ambições são fortes.Somos os campeões em título e, logicamente, a direcção aposta na revalidação. Isto passa necessariamente pelo melhoramento dos apoios, em todas as vertentes. Em relação ao feminino há alguma desorganização, algo que o presidente já disse publicamente. Estamos a reorganiza-la, apesar de se registar atraso no pagamento dos salários. Por que razão há atraso no pagamento dos salários, há sete meses.Sabemos que também não pagaram os prémios de jogo e o relativo ao título de campeão masculino em 2009?Não é verdade.Quanto ao título, o Kabuscorp cumpriu com a sua obrigação e realizou uma festa de gala para celebrar. A oferta foi extensiva a equipa médica, fisioterapeutas, massagistas e treinadores. Todos receberam um prémio avaliado em cinco mil dólares. Por isso, não vejo razão para alguém reclamar o prémio de campeão. Aliás, esta equipa, quando foi aos Camarões, foi prometida receber de dez mil dólares, caso ganhassem o “africano”. Estiveram muito próximo, mas problemas sérios de indisciplina impediram chegar ao ceptro. A falta de contrato das atletas influencia no pagamento dos salários?Não é isso. Desafio a qualquer atleta feminina que tenha assinado e não foi paga. É certo que nenhuma atleta tem contrato assinado e admiro como a federação permitiu que jogassem nestas condições. Não obstante a estes pequenos dissabores, dentro de dias teremos um encontro com as equipas acima referenciadas para limarmos algumas arestas. "É prematuro falar de formação no atletismo" Nos últimos anos o clube aposta na contratação de atletas estrangeiros para a São Silvestre. Quando chegará a dos atletas nacionais?A São Silvestre pode fazer-se sem gabinete, por ser uma especialidade de rua, razão pela qual o Kabuscorp, todos os anos, traz atletas de fora para emprestar maior qualidade à prova e por ser mais fácil trabalhar com corredores estrangeiros, pois vêm apenas por um caché. Os nacionais, antes de começarem a correr querem ganhar. Esta aposta é ainda reforçada porque os atletas angolanos promissores já têm clubes. Não obstante a isso, falamos constantemente com pessoas balizadas na matéria, como o professor Saraiva, no sentido de nos indicarem alguns atletas talhados para esta prova, mas até ao momento não temos a devida atenção. Este ano tivemos três encontros com o presidente da federação para preparamos a São Silvestre, mas também nada transpirou. Continuo a afirmar que não descuramos a possibilidade de um dia apostarmos em angolanos promissores. O que diz dos escalões de formação?É prematuro avançar um horizonte temporal, conforme disse, sem infra-estruturas. É quase impossível. Podemos sim apoiar talentos para a formação ou estágio no exterior para, num futuro próximo, representarem a selecção nacional. É verdade que quando um atleta acha que é promissor também pode procurar alguém para o ajudar, ciosa que nunca aconteceu connosco. Isso seria bom e tudo faríamos para representar condignamente a nossa equipa. Apesar de tudo, consta dos nossos planos apoiar atletas nacionais. A modalidade de basquetebol, como perspectivavam, fica para o futuro?É verdade que tínhamos tudo acertado para ter a equipa de basquetebol do Embondeiro de Viana em nossa posse. Infelizmente, enquanto decorria as negociações com os proprietários da equipa, ficamos a saber que a mesma já tinham sido vinculadas ao Santos Futebol Clube. Vontade do Kabuscorp ter mais modalidades existe, mas, em primeiro lugar, é necessário nos organizarmos para não temos problemas futuros. Clube pode abrir-se para mais patrocinadores Suportar despesas desportivas não é fácil. Como o Kabuscorp sobrevive?Tem sido uma luta muito grande. Tudo fazemos para ultrapassar os entraves que encontramos pela frente, contando com o apoio de alguns patrocinadores como as Organizações Brechas (que têm visto publicitada nas bolsas dos atletas), as Organizações B.K. e o próprio Kabuscorp como empresa. A estes três patrocinadores, no início do ano, é apresentado um orçamento e dentro do mesmo trabalham. Tem sido com estes apoios que cumprimos com as despesas como contratos e de prémios de jogos. São as vossas únicas fontes de receitas…Exactamente.Nada recebemos do Estado. Actualmente as equipas comportam um marketing muito forte. Tivemos alguns convites da Água Pura e da Refriango, mas ainda estamos a amadurecer a ideia para, no próximo ano, vir a acontecer. Campo própriono próximo ano Há muito que se fala sobre infra-estruturas para o clube. Até quando os adeptos e sócios poderão esperar por esta componente?O projecto existe há dois anos. Infelizmente encontramos alguns entraves, mas, este ano, foi ultrapassado com o aval que nos foi dado. Faltam alguns documentos para iniciar a obra. Foi graças ao apoio do Governo da Província de Luanda que hoje temos o espaço onde vamos erguer a infra-estrutura adequada ao treino da equipa, cujo empreiteiro é o mesmo que fez o campo do Libolo. Creio que no próximo ano teremos o campo acabado. Onde fica o espaço?Está no Kilamba Kiaxi, muito próximo do Estádio 11 de Novembro. "A área dos adeptos do clube é exclusivamente do presidente"O Kabuscorp perdeu parte dos adeptos por passar a treinar no Estádio dos Coqueiros, ao contrário do Campo do São Paulo, por sinal mais próximo do bairro do Palanca. Comente…Deixamos o São Paulo porque, quando o Kabuscorp intervinha, o campo ficava bom. O mesmo tem dono, a Associação Provincial dos Desportos, mas, infelizmente, não faz uma manutenção eficiente, ficando impróprio para a prática desportiva. Para evitar lesões e outras adversidades, preferimos elevar o orçamento desta época, preparar a equipa em bons campos para mantermos o ritmo competitivo. Nos dias que correm treinamos, alternadamente, na Cidadela, nos Coqueiros, no campo do ASA e no do 1ºde Agosto. Acredito que a situação complicou a vida de alguns adeptos, mas, aos poucos, as coisas voltam à normalidade. Qual é o segredo para terem uma claque viva e numerosa?É um trabalho árduo feito pelo presidente. Ele é um homem das massas e facilmente fala para um grande número de pessoas; têm paciência em passar mensagens positivas. Aliás, a área dos adeptos do clube é exclusivamente do presidente. Os adeptos recebem apoio de vós?Vários, como a transportação, a alimentação, a indumentárias e outras condições favoráveis a sua actividade. É uma claque numerosa, mas também das mais conflituosas…Temos ligação muito forte com os líderes das claques, quer em Luanda quer em outras províncias.Quando há tumulto chamamo-los, eles identificam o local, as pessoas, e estas são responsabilizadas. Agremiação anseia terceiro lugar do Girabola Há quatro jornadas que o Kabuscorp não vence um jogo.O que diz?Esta questão já nos levou a conversar com os atletas. Estávamos cientes que um dia havíamos de perder no Campo dos Coqueiros. Já foi inédito fazer uma primeira volta sem perder em casa. As derrotas consecutivas são aspectos a analisar, com muita calma, e acredito que esta fase será ultrapassada.  Ainda assim mantêm os mesmos objectivos…Claro! Os objectivos foram traçados no início da época, mas, em função do bom nível competitivo que outras equipas apresentam, o que significa que também almejam lugares cimeiros, vimo-nos obrigados a alterá-lo. Ou seja, ao invés do quinto lugar inicialmente traçado, decidimos pensar no terceiro lugar, razão que nos levou a assentar com o técnico no início da segunda volta. Esta é uma das razões que nos levou a contratar o avançado Buá. O que lhe diz o Girabola-2010, no qual as chamadas equipas grandes não estão no topo da tabela classificativa?O segredo está na forma como as outras equipas se organizaram. Quando isso acontece, é claro que as habituais vencedoras encontram dificuldades. Isso não significa que o Petro de Luanda e o 1º de Agosto não se organizaram, mas sim que a organização do ASA, do Bravos do Maquis e do Kabuscorp, entre outras, está a dificultar imenso a vida dos crónicos candidatos ao título. A equipa vive apenas dos golos de Daniel Mpele Mpele que por sinal nem é ponta-de-lança.O que se passa?O Kabuscorp tem três atacantes, mas é como qualquer equipa: quando os avançados estão mal, outros aparecem a marcar. Lamentamos que os avançados ainda não fizeram golos por não estarem bem quer física e moralmente, razão que nos leva a confiar no Mpele Mpele, que felizmente tem marcado. Mpele Mpele e Doutor Lami estão a ser pretendido por algumas equipas do Girabola…Não estamos preocupados com o interesse pelos nossos jogadores, mas isto significa que eles têm qualidade. É normal que sejam cobiçados e interessante porque foram comprados e podemos vendê-los, desde que a proposta seja satisfatória para as duas partes. Comente o assédio a jogadores…A forma que a maior parte das equipas usa para adquirir atletas é deficiente. É uma postura lamentável. Não é cultura do Kabuscorp aliciar jogadores em competição, pois o desmotiva. Temos conhecimento de equipas grandes que fazem isto, mas sensibilizamos os jogadores dizendo que não é o momento certo para tomarem qualquer decisão. Aliás, já disse publicamente que os jogadores do Kabuscorp têm contratos anuais. Pode citar algumas equipas que enveredam por este caminho?São os casos do 1º de Agosto, do Petro de Luanda e do Libolo. Entre estas, apenas o 1º de Agosto foi mais honesto, ao conversar connosco sobre o Doutor Lami, mas dissemos que o jogador faz parte do mesmo projecto onde constam os outros. Ambicionamos lutar pelo terceiro lugar para irmos às Afrotaças e, para lá estarmos, é imprescindível termos um plantel de qualidade. Por isso, não será tão cedo a cedência de Mpele Mpele e de outros atletas. Nesta fase qual o sector que mais preocupa?Continua a ser a defesa. Por isso fomos buscar um defensor com experiência, pois a situação fazia com que o Lucossi, o Zinho e o Riquinho ficassem sobrecarregados. Sob indicação da equipa técnica, contratamos este atleta para colmatar a lacuna.