Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Coordenador do Basquetebol da GPPL prestigiante trabalhar com jovens

Julo Gaiano , no Lobito - 28 de Setembro, 2010

Jos Caculo diz que prestigiante trabalhar com crianas

Fotografia: Jlio Gaiano e Jornal dos Desportos

Qual é a realidade do basquetebol na Casa do Pessoal do Porto do Lobito?
Estamos a trabalhar com o fito de termos um basquetebol forte e capaz de proporcionar a alegria aos adeptos, sócios e demais individualidades que se revêem na cultura basquetebolística do clube, em particular, do município, da província e do país, em geral. É um trabalho árduo e ambicioso, a julgar pelos objectivos traçados pela direcção do clube, em volta do projecto em curso.

Com quantas crianças trabalham nesse projecto?
Nesse momento, 30 crianças, com idade entre os 8 e 18 anos, trabalham connosco e estão distribuídas nas categorias de iniciados, cadetes e juniores masculinos. É uma tarefa árdua e prestigiante trabalhar com jovens.

Quais são as principais dificuldades por que passam no exercício da "árdua e prestigiante" tarefa?
As dificuldades são várias, mas temos sabido ultrapassá-las, na medida do possível. Por exemplo, não tem sido fácil trabalhar num projecto como esse, sozinho e sem alguém para ajudar. Para tudo, é preciso amor e crença naquilo que nos foi confiado.

O que a direcção faz para atenuar as dificuldades?
Faz o que pode, mas é preciso ter em conta que o projecto não é só da CPPL é também do município. Por isso, caberia a todos os munícipes (governantes, empresários, desportistas e, quiçá, políticos aqui residentes), juntarem-se às iniciativas do clube, apoiá-lo onde as necessidades exigirem ainda mais.

Como estão servidos em materiais desportivos?
Não tenho nada a esconder. A direcção colocou à disposição um lote de material desportivo suficiente para se desenvolver os treinos sem sobressaltos. Temos bolas suficientes, equipamentos, cones e outros acessórios. Por isso, não tenho razão para queixas.

E quanto aos estímulos reservados aos jovens atletas, como lanches e outros que se dão antes e depois dos jogos?
Por uma questão de princípios disciplinares e motivacionais, a direcção distribui lanches e outras iguarias nos dias de jogos. Os prémios circunscrevem-se em bens materiais e alimentares, em caso de vitórias. Por uma questão de estratégia, a direcção não distribui valores financeiros aos jovens atletas. O dinheiro que o clube adquire da empresa patrocinadora (Porto Comercial do Lobito) é revertido para acções que beneficiam o próprio atleta, como pagamento de propina escolar e cuidados médicos.

O salário que aufere cobre todas as suas necessidades?
Para tudo é preciso amor e crença naquilo que ousamos abraçar. Todavia, o salário não é o que mais importa, mas necessita-se. O que ganho serve para acudir as situações básicas, como a compra de gasolina para a viatura, pagar a luz e a água e o aluguer da casa em que vivo. E nada mais.

Está a dizer que o ordenado que aufere na CPPL é tão baixo que não pode cobrir as despesas do lar?
Não disse isso e tão-pouco passou no meu pensamento essas alegações. Nunca me queixei do ordenado mensal. E mais, para além de técnico desportivo, sou professor de carreira, lecciono a disciplina de Educação Física numa das melhores escolas do I Ciclo do Ensino Geral da província; logo não vejo por que me preocupar com o dinheiro que recebo do clube.

"Trabalho sem contrato"

Como concilia o trabalho na CPPL com a docência e a universidade?
Não tem sido fácil, mas encontro formas de vencer as dificuldades. Afinal, a vida é feita de dificuldades e só se vence com muitos sacrifícios.

Com uma vida repleta de afazeres, é hora de os responsáveis do clube providenciarem alguém para o coadjuvar nessa empreitada. Concorda?
A direcção está a par de todos os acontecimentos. Por isso, acredito em dias melhores e, quando chegar, será bom para o clube e para o município. Portanto, todo o tipo de iniciativas está dependente dos valores sonantes que o clube vier a receber da patrocinadora, no caso, o Porto Comercial do Lobito.

Quando é que termina o contrato?
Infelizmente, estou a trabalhar sem contrato, por isso, não há nada que assegure o meu tempo no clube. Ou seja, juridicamente, nada diz que estou vinculado ao clube por x ou y tempo. Espero fazê-lo nos próximos tempo. Tudo depende do desenvolvimento resultante da Assembleia-geral que vai acontecer em 2011. Por agora, as atenções estão viradas no cumprimento dos programas do mandato cessante. Portanto, nada está escrito sobre o contrato ligado ao clube.

Prestação da Selecção Nacional
foi razoável na Turquia’2010

A participação da Selecção Nacional de Angola no Campeonato Mundial que a Turquia organizou mereceu pequena abordagem de José Caculo que a caracterizou de razoável, não obstante ter baixado de posição, ou seja, de 9º para 15º classificado.
A Selecção Nacional sénior masculina esteve no Campeonato Mundial que a Turquia organizou de 28 de Agosto a 12 de Setembro de 2010. Para muitos foi um fiasco, fruto do resultado obtido na prova. Que a apreciação se lhe oferece fazer?

Foi uma prestação aquém do esperado. Apesar de tudo, considero-a razoável. Poderia ser melhor, não fosse a fraca preparação realizada no país e no estrangeiro. O técnico e os atletas queixaram-se da falta de apoios financeiros e moral. E sem dinheiro a tempo, o resultado foi o que o "cinco” nacional pôde brindar os angolanos. No Japão’2006, alcançámos o 9º posto e na Turquia’2010, recuámos seis lugares.
Há quem considere o resultado positivo, por Angola defrontar fortes selecções, casos da Sérvia, Argentina e os Estado Unidos da América, e diante dos "pesos pesados" mundiais não se podia esperar outro resultado…O problema não são os adversários que a Selecção Nacional defrontou, porque já os havia defrontado nas outras competições internacionais e os resultados foram diferentes. Havíamos perdido por margens menos dilatadas, quando na Turquia as diferenças foram abismais. Volto a afirmar: foi uma participação razoável, tudo porque faltou o apoio na altura em que era preciso.

Está a dizer que caso os apoios viessem no momento exacto, os resultados seriam outros?
Com certeza. Isso ficou patente com as declarações dos dirigentes do Ministério da Juventude e Desportos e da Federação Angolana de Basquetebol. Agora, resta-me esperar. A partir dessas falhas que se tirem as devidas ilações para que não se repitam.

"Magalhães deve liderar
Angola na Côte d’Ivoire"

Muitas vozes opõem-se à continuidade de Luís Magalhães na Selecção angolana. Que  diz a  respeito?
Esta não é a minha posição, até porque, as causas que influenciaram para uma prestação negativa, se é que assim podemos qualificá-la, estão amplamente identificadas. Faltou apoio na devida altura à selecção nacional que, para além de se compadecer com a ausências de mais jogos de controlos, os atletas trabalharam sem dinheiro de que lhes eram devidos. Por isso, é complicado, quando os responsáveis ligados à modalidade ignoram esses pormenores.

É a favor da permanência do técnico Luís Magalhães, na liderança da selecção angolana  da Côte d’Ivoire?
Não me cabe decidir quem deve ser o técnico ideal para a selecção principal. Cabe à Federação Angolana de Basquetebol (FAB) decidir quem deve conduzir os destinos da selecção angolana na Côte d’Ivoire. A verdade é que o português deu mostras de ser um bom técnico, um bom condutor de homens, por isso não seria mau se voltasse a merecer a confiança da FAB para orientar o "cinco" nacional.