Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Cremilde Rangel quer revitalizar o ciclismo

?lvaro Alexandre - 15 de Janeiro, 2017

Nova presidente da Faci traça metas ambiciosas para a modalidade ao longo do seu consulado

Fotografia: Maria Augusta

A segunda mulher a liderar um órgão federativo no país, Cremilde das Chagas Rangel, eleita no dia 30 de Dezembro, presidente da Federação Angolana Ciclismo (Faci), considera-se conhecedora de todos meandros da modalidade. A fiel defensora dos ideias arquitectados por Diógenes de Oliveira, presidente cessante, aposta na formação do homem, na massificação do ciclismo feminino e no projecto das competições regionais. A "Volta a Angola em Bicicleta" regressa apenas as estradas nacionais no próximo ano. Agora, não existe condições técnicas, administrativas e financeiras  para organizar uma pedalada de bicicleta em toda extensão do território nacional. O Jornal dos Desportos convida os leitores a acompanhar a primeira entrevista da mulher forte do ciclismo nacional.

A presidente Cremilde das Chagas Rangel está preparada para enfrentar o desafio que acaba de assumir?

"Sou uma filha desta casa e conheço a realidade da modalidade. Estou na direcção da Federação Angolana de Ciclismo (Faci) desde 2005. Fui uma parceira fiel nos três mandatos do presidente cessante do Diógenes de Oliveira. Prestei a minha humilde colaboração ao ciclismo nacional. Para responder à sua preocupação sinto-me capaz para enfrentar com sucesso o desafio que abracei".

Quais são as suas ambições à frente do destino da modalidade?
"Almejo dar continuidade aos projectos do presidente cessante. Não aposto apenas neste projectos, ainda  temos outros em carteira. Trabalharemos com os associados, clubes e escolas, com finalidade de concretizar o projecto da massificação do ciclismo feminino. Para o seu êxito contamos trabalhar com os governos províncias, empresas a fins e sponsors, no sentido de capitalizar recursos humanos e financeiros para o engrandecimento da modalidade. A nível nacional, trabalharei para a elaboração de um calendário realístico. Vamos ensaiar um modelo de prova regionais".

O que pretende implementar no quadriénio em curso?
É pretensão da federação trabalhar na expansão da modalidade. Vamos incentivar a prática do ciclismo nas praças já existentes, como Benguela, Huíla, Luanda, Lunda Norte e Huambo. O próximo destino será o Namibe. O objectivo é de manter uma maior abrangência nesta localidade. Porque a prática da modalidade é uma realidade. Lá existe praticantes e o acompanhamento é praticamente inexistente. Vamos ajudá-los na criação da associação, núcleos e clubes".

No domínio da política desportiva e técnica o que esperamos da presidente Cremilde das Chagas Rangel?
É prioritário a realização anual dos Campeonatos nacionais, impulsionar os associados a praticar o ciclismo feminino, como um projecto de interesse Nacional. Vamos dar a liberdade dos associados para criarem regulamentos próprios de competições da modalidade por regiões. O objectivo será de elevar o nível competitivo dos atletas. O nosso calendário internacional será preenchido com as provas Africanas, Pan-africano e Toures.  Está aprovado um programa para monitorar a realização de cursos de nível II para treinadores e de juízes e cronometristas".

Que planos administrativos e financeiros tem em carteira?   

"Planos em carteiras são vários. A sua implementação será em função do nível de importância e da disponibilidade financeira. Nós não podemos estar a leste do actual contexto que o país está a viver. A crise financeira não nos permite avançar em grande escala. É objectivo da federação melhorar a assistência aos associados, nomeadamente, associações, clubes, escolas e núcleos, nos domínios administrativos e técnicos. Desenvolveremos acções de carácter permanente para a melhoria da imagem da Faci, junto das instituições públicas e privadas.

Com quem a federação vai cooperar de forma permanente?
Estão definidas as instituições com que vamos cooperar. Não significa que serão as únicas a trabalharem connosco. A federação está aberta a todas iniciativas, principalmente aquelas que possam trazer algo de novo e produzam desenvolvimento do ciclismo nacional. A nossa parceria é com o Ministério da Juventude e Desportos. Estabeleceremos acordos no sentido da inclusão da disciplina de ciclismo, no domínio do desporto escolar. Bem como nos programas concretos do Executivo, visando a ocupação dos tempos livres da juventude".

E no domínio internacional?
"A Federação Angolana de Ciclismo vai reforçar as relações com a Confederação Africana de Ciclismo (CAC). Sempre que for oportuno apresentaremos candidaturas para os seus órgãos directivos, visando a elevação do dirigismo desportivo ao nível de África. Participaremos com regularidade nos Congressos da União Internacional de Ciclismo (UCI). Estabeleceremos acordos de cooperação com as federações da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, dos PALOP, SADC e da África Central. Faremos parcerias no domínio da formação de atletas e dirigentes desportivos, em Centros de Alto Rendimento, em África, Europa e em outros continentes".

A Volta a Angola em Bicicleta faz parte das suas linhas de força?
Não tem como não fazer parte das minhas linhas de força. O mesmo foi criado com a minha contribuição e todos os seus mentores fazem parte da federação que dirijo. Um grande motivo que reforça a manutenção da prova". 

Na época transacta não houve pedaladas da referida competição.  Será que este ano teremos a segunda edição da "Volta a Angola em Bicicleta?
"O facto da primeira e última edição da prova, realizada em 2015 ter sido um sucesso absoluto, não nos permite organizá-la em condições  desvantajosas. Devemos primar em levar ao bom porto a "Volta a Angola em Bicicleta", visto que constitui uma marca no nosso país. Está aprovado que teremos a competição de dois em dois ano. A partir do presente momento vamos  reunir todas as nossas forças para que consigamos recursos financeiros e o próximo ano tenhamos condições de organizá-la. 

Que posição ocupa a formação no seu mandato?
"A formação do homem é prioritária. Vamos abdicar de muitos compromissos para cumprirmos na integra este programa. Antes da sua implementação o programa de formação vai sofrer uma reestruturação. Faremos um trabalho avaliativo sobre as necessidades e urgências de cada província. Após esta fase implementaremos o projecto de forma pontual".

Como avalia o ciclismo feminino?
O ciclismo feminino já deu o seu pé de arranque. Aconteceu no V e VI Congresso da OMA, participando em várias passeatas e na "Volta a Angola em Bicicleta". A ciclista Isabel da Graça Gonçalves liderou o projecto com muito mérito e mereceu o reconhecimento da Faci. Ainda temos muita estrada por caminhar, partindo pela massificação e terminando na alta competição.