Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Crise inquieta Ambrsio Narciso

Augusto Fernandes - 26 de Dezembro, 2015

Antigo vice-presidente do clube militar lamenta que a equipa esteja longos anos sem voltar a ser campeo

Fotografia: Augusto Fernandes

O antigo vice-presidente do 1º de Agosto, Ambrósio  Narciso, disse ao Jornal dos Desportos que um clube com a dimensão da formação militar, não pode ficar muito tempo sem ser campeão.

"Não pode ficar dez anos sem título algum,  cria desânimo entre os adeptos e não só", disse à margem de um recente convívio entre jogadores militares e petrolíferos.

“ O nosso clube precisa de ganhar para dar alegrias e recuperar a confiança dos seus adeptos”, acrescentou o antigo homem forte da "turma" do Rio Seco, que durante o seu "consulado", ganhou  três títulos nacionais e foi finalista vencido na Taça CAF em 1997.

Ambrósio Narciso recordou que “nos esquecemos que éramos fundamentalmente campeões e que a nossa ideia seria ser um clube em evolução, essa é minha opinião pessoal” .

O dirigente acredita, no entanto, que " a actual direcção tem competência para inverter o actual quadro e acabar com o  jejum de títulos".
Em relação ao estado do futebol angolano, o carismático e antigo dirigente dos militares do Rio Seco é de opinião, de que se dever espreitar quem está a dirigir o futebol.

“O futebol nacional tem dirigentes e todos devemos respeitar quem está no comando das operações. Não cabe a mim dizer se está bem ou não", considerou.

Ambrósio Narciso também tocou na questão do Girabola, particularizou quanto à  qualidade, que “ os investimentos têm a ver  com o que se tem estado a passar fundamentalmente no Libolo e o Kabuscorp do Palanca, fizeram o que é necessário fazer no desporto, que é mesmo investir, os resultados estão à vista de todos”.


OPORTUNIDADE
Antigo vice-presidente aposta nos jovens


Ambrósio Narciso recorda que “quando fui vice-presidente do 1º de Agosto e foi necessário ganhar , encontrei o clube com uma mistura de jogadores nacionais e estrangeiros, com a minha opinião a direcção do clube apostou no juniores e, com a ajuda do treinador, montamos uma grande equipa baseada nos jovens, isto, em 1999 e 2000".

Com relação à problemática dos  jovens jogadores angolanos serem preteridos por jogadores estrangeiros  nos clubes do Girabola, o dirigente disse que a experiência ensinou-lhe que deve-se dar espaço para os jovens

 “Na altura não tínhamos as condições que temos hoje, mas com as condições de hoje, talvez não necessitássemos muito de jogadores de fora", disse.

"Não quero dizer que não precisamos de jogadores de fora, isso não seria coerente para um homem do desporto, mas deve-se jogar fundamentalmente com a prata da casa, o resto é para misturar", acrescentou.

O antigo dirigente, fazendo excepção aos grandes clubes, acha que "só as equipas das províncias é que talvez tenham mais necessidade de apostar em jogadores de fora, porque a nível local, pode-lhes não ser fácil produzir jogadores de qualidade".


SOLIDARIEDADE
“Todos os clubes devem prestar
 atenção aos antigos atletas”


O antigo vice-presidente do 1º de Agosto para o futebol, actualmente presidente do Bangú Futebol Clube, mostra-se preocupado com a situação social de alguns ex jogadores que no passado representaram vários clubes do Girabola, especialmente os do rubro -negro e petrolíferos.

 Em declarações ao Jornal dos Desportos, o dirigente disse que “clubes da dimensão de um o1ºde Agosto e Petro de Luanda deveriam dar mais atenção aos seus antigos futebolistas que no passado dignificaram as suas cores".

"Fico desiludido quando vejo um homem, um jogador,  que no passado deu muitas alegrias a este povo não ter hoje nem 100 kwanzas para apanhar um taxi”, lamentou.

Ambrósio Narciso defende a ideia, de que em função da maior parte deles não terem níveis literários altos, os clubes devem arranjar formas de empregá-los como vigilantes, assistentes e outras formas de emprego, para que eles possam ter alguma dignidade.


LIGA DOS CAMPEÕES
“Precisamos de modelos ajustados à nossa realidade”


O actual presidente do Bangú Futebol Clube toca também na questão das competições, particulariza questão da Liga dos Campeões. “Não precisamos de fazer muitas cópias. Temos de encontrar modelos que se adaptem à nossa realidade, é possível que o sistema da Liga Portuguesa funcione, mas tudo tem de ver com o consenso da família do futebol”.

Na verdade, Ambrósio Narciso pode ter razão, em relação à questão da Liga, de que não é o único defensor, porque o presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF) na Conferência Nacional de Futebol realizado este ano em Luanda no Palácio da Justiça assumiu tal intenção.

O líder federativo disse, na altura, que a médio prazo a FAF suporta a iniciativa da criação da Liga Profissional de Futebol, dentro da sua estrutura, como órgão máximo na organização dos jogos da competição profissional.

De acordo com  Pedro Neto a decisão só está dependente, além da vontade dos clubes, também do Governo angolano, o certo é que a Liga pode substituir paulatinamente o Estado como principal financiador do futebol angolano, canalizando os recursos para outras áreas necessárias para o desenvolvimento do país"

Da Liga, para os Palancas Negras, Ambrósio Narciso falou da prestação que podem dar, a ver no CHAN de 2016, no Rwanda.

 Não estou aqui para dizer o que está certo ou errado, mas temos da confiar na capacidade dos dirigentes da Federação Angola da Futebol e por isso resta esperar para ver o que pode acontecer", defendeu.