Jornal dos Desportos

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Entrevistas

De candidato a futebolista a árbitro

Herminio Fontes - 19 de Setembro, 2012

Conceição Matias viu chegar a sua hora depois de muito labutar no Girabairro e na II Divisão

Fotografia: Jornal dos Desportos

A desempenhar a função há uma década, Conceição Matias viu chegar a sua hora depois de muito labutar no Girabairro e na II Divisão. Estreou-se na presente época no Girabola. Conceição Matias considera importantes todos os jogos que arbitrou no Girabola, mas destaca a partida da 11ª jornada, entre o Progresso do Sambizanga e o Petro de Luanda (3-1), em que recebeu muitos elogios pelo seu desempenho. “Foi um excelente ‘trumuno’. Digo isso porque, além de ter arrastado muito público, a nossa equipa de arbitragem, em vez de ser criticada, recebeu elogios, inclusive da equipa derrotada. Um exemplo de ‘fair-play’ que não é visto todos os dias no nosso Girabola”, afirmou.

A partir daí, Conceição Matias ganhou confiança para encarar a indicação para ajuizar o jogo Recreativo do Libolo-Interclube, da quarta jornada, em Calulo, partida que havia sido adiada devido à participação da equipa da Polícia nas Afrotaças, e foi disputada a 23 de Maio. O desafio entre o Libolo e o Interclube foi considerado um verdadeiro ajuste de contas entre campeões, pelo facto do Libolo ser o actual detentor do título, enquanto o Interclube tinha conquistado o mesmo troféu na temporada anterior (2010), daí a importância de que se revestia a indicação daquele profissional para ajuizar o encontro.Foi naquele ambiente festivo, cheio de cor e alegria, que o árbitro Conceição Matias viria a sofrer uma entorse no pé esquerdo, ainda no minuto 35, razão que o levou a ficar afastado dos campos até ao seu completo restabelecimento.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Jornal dos Desportos - Tem recebido apoio desde a lesão sofrida no jogo Libolo-Interclube?
Conceição Matias - Tenho recebido todo o apoio necessário e é por isso que, hoje, vou cumprindo a medicação para recuperar desta lesão.

Que apoios tem recebido? Posso apenas dizer que, quando manifesto um pedido, tem havido resposta positiva e isso significa muito para mim.

Após a sua recuperação física, volta a desempenhar as funções em campo? Podem estar todos descansados que sim. Mas só voltarei quando me sentir completamente recuperado e com a guia aprovada pelos médicos ortopédicos, que garante o meu regresso aos relvados. 

O que vai fazer para tirar do seu perfil a imagem do árbitro que teve de ser substituído durante um jogo? Continuarei a ser o mesmo profissional. As direcções das equipas e os seus respectivos adeptos devem estar descansados, porque casos dessa natureza acontecem em qualquer parte do mundo e com qualquer árbitro. Devo garantir que, quando voltar aos campos, entrarei de cabeça erguida porque, se estivesse a mentir, hoje não estaria com o pé engessado.  

Ainda pensa atingir a internacionalização? Esse é o sonho de quem luta pelos seus objectivos. Mas, para lá chegar, tenho de percorrer muita estrada, porque o reconhecimento não vem da noite para o dia. Vou continuar sempre imbuído da humildade que me caracteriza, dedicação e muito trabalho justo, porque gosto de terminar o jogo sem ser apontado como culpado.

Qual o jogo que mais o marcou como árbitro? Foi entre o Atlético do Namibe e Desportivo da Huíla. Na altura, as duas estavam na II Divisão.

Porquê? Foi um jogo decisivo para as duas equipas garantirem o apuramento à I divisão e o Atlético do Namibe acabou por assegurar o passe para aquela competição.

Tem lembranças desse jogo?  Foi realmente um bom espectáculo e grande propaganda para o desporto-rei.

E quanto aos jogos da I Divisão? Considero todos os jogos, mas, como estamos a falar da I Divisão, é incontornável o Progresso-Petro, que foi um excelente ‘trumuno’. Digo isso porque, apesar do grande número de público presente, a equipa de arbitragem não foi criticada. Recordo-me que depois deste teste fui indicado para arbitrar o jogo de complemento da quarta jornada, Libolo-Interclube, em Calulo. O jogo decorria tudo a um bom ritmo, mas, infelizmente, aos 35 minutos, sofri uma lesão no tendão do pé esquerdo e as coisas complicaram-se para mim. Tive de ser substituído, naquele mesmo momento.   

Alguém o aconselhou a enveredar pelo caminho da arbitragem? Ninguém. Gosto muito do futebol e, como não atingi o profissionalismo, tive de descobrir uma outra maneira para não me divorciar do futebol. Foi assim que decidi apostar na formação em arbitragem.

Há algum árbitro que mais admire? Apaixonei-me na maneira de como o grande professor de arbitragem Leopoldo Mavunza apitava os jogos.

Há corrupção na arbitragem? Desconheço esse assunto.

Alguma vez já foi aliciado? Não e nunca devo aceitar um insulto desta natureza.

Qual dos seus filhos tem inclinação para a sua profissão? Penso que ainda é muito cedo, mas espero que um deles se venha a interessar pelo futebol, em particular pela arbitragem.

POR DENTRO

Nome: Conceição Matias
Idade: 33 anos
Província em que nasceu: Kwanza-Norte   
Estado civil: Solteiro
Filhos: Quatro
(três rapazes e uma menina)
Altura: 1,71
Número do calçado: 41
Religião: Pentecostal
Sonho: Ser árbitro
internacional
Filme: Romance
Música: Gospel e Afrojazz
País para se viver: Angola
Província preferível: Huíla, de preferência
 a capital, Lubango
Tempos livres: Ler livros relacionados
com o futebol
Praia ou Discoteca: Praia
Pratica algum desporto: Sim
Qual: Futebol e futsal
Cor: Preta
Prato preferível: Feijoada
Bebida preferível: Água e sumo
Poligamia e homossexualidade: Nenhuma das duas