Jornal dos Desportos

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Entrevistas

De Vigor critica dirigentes

Manuel Neto - 24 de Janeiro, 2014

O atacante De Vigor, mostrou-se ontem insatisfeito com o mau comportamento de certos dirigentes desportivos do país.

Fotografia: José Soares

De Vigor reconhece no entanto existirem pessoas de boa-fé e que respeitam quem trabalha, para que a sua imagem e classe sejam referências no país e além-fronteiras.

"A nossa praça é fértil em bons dirigentes mas existem muitos que pela sua postura pouco saudável chegam a meter em risco a classe. Há casos em que alguns dirigentes, sobretudo ex-praticantes, prejudicam quem está no activo. É um comportamento muito triste.”

Face à situação que se vive em alguns clubes, De Vigor apela a quem de direito para intervir para salvaguardar a integridade física e moral dos atletas, admitindo que os “maus responsáveis” em nada contribuem para o desenvolvimento do desporto no país.

"Temos de salvaguardar o desporto angolano deste mal. Gostava que as pessoas de direito, os órgãos de informação e outras entidades tratassem desse assunto com muita atenção e responsabilidade. É preciso criar-se políticas que incentivem quem realmente trabalha.”

De Vigor adiantou que o futebol e o desporto angolano de um modo geral vivem este clima e é preciso inverter-se o quadro. Ao longo da sua carreira, disse, procurou ser sempre cauteloso, para evitar sofrer ou ser vítima destas pessoas nocivas.

"Já vivi problemas desses mas consegui inverter o quadro e ao longo dos últimos anos tenho tido alguma sorte. É uma pena, porque há dirigentes que levam para os clubes casos pessoais dos atletas e existem outros que chegam inclusive a mandar terminar a carreira do atleta mesmo em bom estado de forma", concluiu De Vigor.


CARREIRA
"Fui sempre
o melhor marcador"


À forma de estar em campo e de encarar os jogos deve-se nome pelo qual é conhecido. O jogador lembrou que “foi o professor Kilamba” que o começou a tratá-lo por este nome “sobretudo, devido à forma de jogar”.

“O meu nome é Valdo da Costa, mas na fase da selecção de formação passei a ser tratado por De Vigor e é por esse nome que sou identificado em campo e no ciclo de amigos”, disse.

“Na altura havia dois atletas no grupo com o nome de Victor e por vezes éramos confundidos, mas como eu era forte nos lances, para nos distinguir, o professor Kilamba passou a chamar-me De Vigor e já ninguém se lembra como é que me chamo”, declarou

De Vigor começou a jogar futebol na Paviterra, mas depois foi para o Sagrada Esperança, na altura treinada por João Machado e posteriormente por Nina Serrano. Como gostava de desafios foi para Portugal, onde representou o Campomaiorense e o Feirense, ambas da II divisão.

De regresso a Angola, jogou na Académica do Soyo e no ano passado no Santos FC. “Nas equipas que representei fui sempre o melhor marcador, com uma média de 12 golos”, referiu.


DíVIDAS
"Acredito nas palavras
do presidente do Santos"


A extinção da equipa sénior do Santos continua a provocar os mais vivos sentimentos de "revolta" e inconformismo dos atletas que representaram a equipa. De Vigor diz que apesar de reconhecer as razões apontadas pelo presidente do clube, está a sofrer bastante com a posição tomada, pois apanhou todos de surpresa. "Neste momento há famílias que clamam por um pão, por não terem condições financeiras para o seu sustento. A extinção da equipa sénior do Santos deixou muitos atletas no desemprego e algumas famílias com muitas dificuldades para sustentarem os seus filhos.”

O dirigente do Santos prometeu que vai pagar todas as dívidas, atitude que o atleta louva, e que estes dias vão exigir um grande jogo de cintura de alguns colegas. "O presidente deu a sua palavra, antes de viajar para Portugal. Prometeu pagar os ordenados em atraso após o seu regresso. Estamos a aguardar, conscientes de que vamos ter no futuro ainda algumas dificuldades."

Embora esteja no desemprego, o atacante diz manter fortes esperanças de voltar aos relvados a breve trecho, sublinhando que jogar futebol foi sempre o seu sonho desde criança e promete que enquanto tiver forças vai continuar a fazer aquilo de que tanto gosta. "Não tenho preferência em termos de níveis de campeonato. Posso jogar na primeira ou na segunda divisão. Na Segundona também há competitividade,  é esse campeonato que sustenta a primeira divisão. Ainda tenho muita força para dar ao nosso futebol e espreito por uma oportunidade para voltar a mostrar o meu valor", concluiu De Vigor.


PALANCAS NEGRAS
Atacante exige
mais profissionalismo


De Vigor, que assumiu que a passagem pela Selecção Nacional de Angola foi o momento marcante e mais alto da carreira, afirmou ter boas recordações desse tempo, sobretudo do ambiente que ela proporciona a qualquer jogador.

O atacante pediu aos colegas que dêem o melhor para poderem representar a selecção, que deve se o objectivo de qualquer atleta.
 “Quem está na alta competição deve ter sempre isso em mente, pois representar a selecção é o ponto alto na carreira de qualquer jogador”, disse com sentimento de dever cumprido.

O atleta recordou ter sido em 1996, com o professor Vesselin Vesko e Oliveira Gonçalves no comando da selecção de sub-20, que participou num torneio em Tulon, França, o que o deixou “muito feliz por ter sido o melhor marcador da prova”.
“Foi um momento inesquecível”, referiu.

O atacante afirmou estar triste “pelo mau momento que vivem os Palancas Negras”, mas que acredita que “o quadro pode ser invertido, desde que as pessoas mudem de mentalidade e trabalhem todas com o mesmo objectivo”.

 Caso contrário, preveniu, continuamos a lamentar.
“É preciso mudar de política de actuação, a começar pela renovação da selecção, mas sempre com uma mescla de novos e antigos, de forma que estes transmitam experiência aos mais novos e não como se tem feito”.
Uma renovação profunda, salientou, não traz nada de bom.