Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Decano das Federaes Desportivas nacionais assume a sua reforma

Joo Francisco, On-line - 07 de Junho, 2013

Rogrio silva presidente da comisso eleitoral do COA

Fotografia: Jornal dos Desportos

O “decano” das Federações Nacionais Desportivas, Rogério Torres da Silva, 67 anos, foi o primeiro presidente de Direcção da Federação Angolana de Xadrez (FAX) e o terceiro do Comité Olímpico Angolano (COA), entre 1993 e 2004.

Como dirigente desportivo activo, Rogério Silva anunciou a sua “reforma” na última Assembleia Geral da Olimpíada 2008-2012, onde foi eleito presidente da Comissão Eleitoral, que elege no próximo dia 10 de Junho a Comissão Executiva do COA para a Olimpíada 2013- 2016.

A motivação desportiva deste dirigente, como a maior parte da sua geração, surgiu na escola, o que mais uma vez demonstra que a “pirâmide” desportiva do nosso desporto deve iniciar nas instituições de ensino desde a base (escolas primárias) ao topo (ensino superior).

“Fui desportista mas nunca atingi notoriedade relevante como atleta. Como quase todos os angolanos da minha geração a iniciação desportiva aconteceu na escola primária e depois nos estabelecimentos do ensino secundário e aqui tive duas grandes influências: no Liceu Diogo Cão, no Lubango e no Colégio Alexandre Herculano, no Huambo, sendo esta última escola a que mais me influenciou, pois o seu sistema educativo tinha uma grande componente desportiva”, revelou aquele que é considerado hoje como uma verdadeira enciclopédia do desporto.

Embora não se considere ter sido um desportista de alta competição, foi jogador de xadrez em algumas competições na década de 80, chegando a atingir uma das categorias oficiais que vigoravam. E muitos xadrezistas de outras gerações recordam-se de terem jogado com ele em torneios oficiais, particularmente nos Campeonatos por equipas.

“Talvez possa dizer que apenas na modalidade de xadrez tenha andado perto de atingir esse nível na década de 1980-90, mas optei por enveredar pela carreira de dirigente desportivo”, frisou.

Lugar no quadro
de honra do COA

No COA, Rogério Silva, que assumiu a presidência da Comissão Executiva durante 11 anos, entre 1993 e 2004, ocupa agora um lugar na galeria de honra, como terceiro presidente e aquele que esteve mais tempo, ao lado de Augusto Lopes Teixeira (1979-1980) e Germano Araújo (1980-1993). 
Rogério Torres Silva, na qualidade de dirigente da FAX, foi um dos fundadores do COA, a 17 de Fevereiro de 1979, a par dos dirigentes das Federações Nacionais de Andebol, Atletismo, Basquetebol, Futebol, Ginástica, Hóquei em Patins, Judo, Natação e Voleibol.

A partir daí, o COA foi reconhecido provisoriamente pelo Comité Olímpico Internacional (COI) na reunião da Comissão Executiva em Nagoya (Japão), em Outubro de 1979 e o reconhecimento oficial aconteceu em Fevereiro de 1980, na reunião internacional do COI em Lake Placid City (EUA).
Este verdadeiro decano do COA só pode ser ultrapassado no olimpismo angolano por Gustavo Dias Vaz da Conceição, actual presidente da Comissão Executiva, e,vai ser eleito  para um terceiro mandato, quando entrou na instituição já o encontrou, ocupando a posição de secretário geral durante oito anos (1993-2001).


PING –PONG
“Vamos incentivar a selecção de Hóquei”


Qual será o seu contributo no 41º Mundial de Hóquei ?
O contributo é como o de todos os angolanos anónimos que são amantes do desporto, aplaudir e incentivar os organizadores e a nossa selecção para a melhor prestação possível, para elevar bem alto o nome de Angola.

Qual é a importância deste evento importante?

Qualquer competição de carácter internacional é um instrumento valioso para a afirmação de Angola no plano externo. Tendo Angola saído há relativamente pouco tempo de uma longa guerra, este reconhecimento aumenta o meu orgulho de ser filho desta Pátria.

Acha que Angola pode vencer o Mundial de Hóquei?
Nós ainda temos muitos aspectos em que não podemos ombrear com as grandes potências do Hóquei em Patins, como são a Espanha e Portugal, os grandes candidatos, ou mesmo a Argentina e Itália. Jogando em casa, podemos surpreender, não retiro a possibilidade de chegarmos às meias-finais.

O País está à altura de responder de forma positiva?

Se assim não fosse, a Federação Internacional não tinha entregue a realização do Mundial a Angola.
Quais são os verdadeirosganhos  com a realização do

Campeonato Mundial?

Os ganhos só se podem verificar depois. Além das infra-estruturas novas que se ganham e da melhoria de outras, a auto-estima dos angolanos renova-se, os jovens ficam com novas referências e a modalidade de hóquei em patins fica com muito mais aderentes (…).


MOMENTOS

Visita de Juan Samaranch e entrega
de diploma a José Eduardo dos Santos


Na sua trajectória como dirigente desportivo tem muitos momentos que o marcaram, mas recorda-se com muita satisfação e com espírito de missão cumprido aqueles que estiveram na origem da realização do Primeiro Campeonato Nacional de Xadrez absoluto e do primeiro torneio internacional de Xadrez Cidade de Luanda.
“Ter integrado o grupo de dirigentes que inscreveu as cinco primeiras federações  nacionais de Angola nas respectivas Federações Internacionais; a primeira graduação de Mestre Internacional (MI) de um xadrezista angolano; a minha participação nos Jogos Olímpicos de Barcelona como chefe da Missão Olímpica de Angola e o momento em que, integrando a nossa delegação, entrei no Estádio Olímpico na cerimónia de abertura.”

“A minha nomeação por todas as Federações Nacionais da época como candidato à presidência do Comité Olímpico Angolano (COA) e a consequente eleição para o cargo; a visita do presidente do COI, Juan Samaranch, a Luanda; a entrega ao Eng.º José Eduardo dos Santos do diploma do COI de Voluntário do Desporto e a decisão de deixar a presidência do COA também são momentos que nunca são apagados da minha memória”, acrescentou.
Rogério Silva é da geração de antigos praticantes e dirigentes de vários desportos ou instituições, como José Jaime Guimarães “Periquito", António Barbosa, Vitorino Cunha, Carlos Teixeira “Cagi”, Raul Hendrick, Luís Santos “Gika”, Mário Palma, Joaquim Dinis, Domingos Inguila, Justino Fernandes, José Luís Prata, Arnaldo Benge, Nicola Benardinelli, Lemos, Manecas Vieira Lopes, Hugo Vaz Pereira, João Teixeira.


POR DENTRO

Nome completo: Rogério Torres Cerveira Nunes da Silva
Filiação: Albino Gaspar Nunes da Silva e Celeste Cerveira Nunes da Silva
Data e local de nascimento: 28 de Março de 1946, Ondjiva 
Estado Civil: Casado com Esperança Marques Nunes da Silva
Filhos: Seis. Três rapazes (Artur Jorge, Pedro Nzagi, Raúl Filipe) e três raparigas (Ana Isabel,Indira Nair, Ana Luena)
Peso: 73 kg
Altura: 1,63m
Prato Preferido: Muamba de galinha (que infelizmente já não posso comer muito)
Bebida: Para a refeição, a boa cerveja, de preferência nacional. Para aperitivo, whisky
O que faz nos tempos livres: Dedico à família e a contactar amigos
Número de calçado: 40
Clube preferido: Em Angola todos os que jogam bem e têm fair-play (quero dizer que tanto posso ser do 1º de Agosto, como do Petro, como do Inter ou como de outro qualquer). No estrangeiro, Benfica de Lisboa, Real Madrid e Santos FC (Brasil)
Cidade: Luanda
País: Angola
Perfume: Não tenho preferências
Religião: Cristã
Ídolo: Meu pai