Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Dedicamos especial ateno formao"

Manuel Neto - 12 de Julho, 2013

Lgio Pinto, vai lutar pelos lugares cimeiros do Girabola.

Fotografia: Eduardo Pedro

O Benfica alternou a primeira volta do Girabola com altos e baixos. Que balanço faz?
A nossa posição na tabela de classificação não é má de todo. Realizámos uma primeira volta que podemos considerar aceitável, mas concluímos que não conseguimos fazer mais e melhor porque a nossa equipa foi formado, na sua maioria, por jogadores proveniente dos nossos escalões de formação. Aliado a este factor, tivemos a mudança de direcção, elementos que em meu entender influenciaram negativamente o rendimento da equipa. Mas temos também de reconhecer que a primeira volta foi bastante renhida em termos competitivos.

Ultrapassados esses factores, que Benfica vamos ter na etapa derradeira do Girabola?

O nosso objectivo para a segunda volta é continuarmos a trabalhar no sentido de melhorarmos a nossa prestação. Aliás, uma equipa com um plantel como o que temos para a segunda volta não deve pensar noutra coisa que não seja a luta pela conquista dos lugares cimeiros da tabela. Penso que não é proibido sonhar, por isso, vamos manter esse objectivo até ao final da época.
 
Acredita que o actual plantel dá garantias para alcançarem os objectivos que pretendem, uma vez que reconhece um certo equilíbrio em termos competitivos na prova?
Sim, são atletas com alguma qualidade e penso que podem ser um valor acrescentado para o grupo. Para citar apenas alguns, temos o Rasca, o regressado Avex, Pitéu, Olivier, Hernâni, entre outros jogadores angolanos e estrangeiros provenientes de distintas equipas, que nos conferem uma certa tranquilidade para aquilo que preconizamos.

Ao longo da primeira volta a equipa sofreu muitos golos na ponta final dos jogos, demonstrando alguma fragilidade defensiva neste sector. O que tem a dizer sobre isso?

Essa questão tende a ser superada e foi para isso que contratámos jogadores para os mais variados sectores da equipa, já que para atingirmos os nossos objectivos é necessário estarmos bem em todos os sectores. Com os jogadores que contratámos, alguns deles experientes, acredito que esse défice vai ser superado.
 
Uma vez que a equipa fez uma renovação quase total, que destino vão ter os jogadores afastados?

Devo dizer que a matriz do Benfica é sempre a aposta na formação, por ser uma forma de conseguirmos activos para a sua manutenção na prova. Por isso, como a maior parte dos atletas afastados vieram da formação do clube, estamos a tratar com muito cuidado da integração deles em algumas equipas da segunda divisão, de forma a ganharem uma maior rodagem competitiva para, em breve, regressarem ao clube munidos de argumentos que possam dar um melhor contributo para o engrandecimento do clube.


CONSTATAÇÃO
“Formação no bom caminho”


O Benfica tem tradição na formação, como está o grupo este ano, neste capítulo? 
  
Foi reformulado todo o quadro orgânico da formação, com a introdução de novos técnicos que, doravante, vão realizar um trabalho com maior profundidade a nível da formação, uma vez que ela é a base do sucesso para as etapas subsequentes. Estamos a dedicar uma especial atenção a esta categoria e acho que, deste modo, vamos ter um futuro risonho, não só para o clube, em particular, mas para o país, em geral.

Um trabalho de profundidade requer apoio nas mais variadas vertentes, esse aspecto está salvaguardado?

Acho que sim, uma vez que o apoio tem sido redobrado, desde material de trabalho, a condições logísticas, alimentação, transporte, entre outros apoios importantes para o desempenho desta actividade muito relevante para esta modalidade.

Que avaliação faz do futebol angolano?

Não faço uma avaliação positiva, porque acho que o futebol angolano necessita, com urgência, de uma reestruturação profunda. Devemos trabalhar seriamente nos escalões de formação, com inclusão de formadores extremamente competentes e com criação de campos para massificar o futebol.


MANDATO
Direcção apostada na melhoria


Disse que a meta a alcançar é a quinta posição. Não lhe parece que está a pôr a fasquia demasiado alta?

Com excepção da falta de um campo próprio, o resto está tudo assegurado e salvaguardado. Aliás, o Benfica trabalha hoje ao nível das ditas grandes equipas do Girabola, ou seja, aqui pensa-se futebol 24 horas. Em suma, estamos num bom caminho.

Nas últimas épocas, os atletas do Benfica queixaram-se de incumprimentos contratuais da direcção. Este aspecto está salvaguardado para alcançarem o que pretendem?
Não fiz parte da anterior direcção, mas sei que havia esses problemas. O que posso garantir é que a actual direcção tudo tem feito para cumprir com rigor as suas obrigações contratuais. Aliás, actualmente, existe um bom ambiente de trabalho entre os atletas e dirigentes. O relacionamento é bom e não existe qualquer reclamação, porque a nova direcção tem procurado agradar a todos. Tem sido pragmática e frontal na abordagem das questões com todos os membros. O nosso presidente do clube, o senhor Joaquim Rangel tem sido uma pessoa presente e disponível em todos os assuntos do clube.

Falou-se muito nos últimos dias na substituição da equipa técnica liderada por Abílio Amaral pelo regresso de Luís Mariano. Quer comentar?
O Benfica tem uma forte tradição na formação de treinadores e alguns, hoje, estão a dirigir algumas das melhores equipas angolanas. Falo de Zeca Amaral e Miler Gomes, entre outros. Por isso entendemos que o professor Abílio Amaral tem pergaminhos para continuar à frente dos destinos da equipa até ao final do Girabola.