Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Defendida formao para reforar Palancas

Srgio V.Dias -Cuito - 02 de Abril, 2016

Seleco Nacional volta a jogar apenas em Junho na corrida para a fase final do CAN de 2017

Fotografia: Paulo Mulaza



O responsável desse órgão associativo liderado pelo Movimento Nacional Espontâneo (MNE) frisou que só com trabalho árduo “Angola pode tornar-se uma referência em África”. “Nessa altura, estamos muito longe de ser uma referência em África. Para atingir esse desiderato temos de trabalhar arduamente para desse modo  deixar de apontar o dedo indicador a quem quer que seja quando coleccionamos fracassos atrás de fracassos”.

Manuel Chimuco diz ser importante que se “repense seriamente” na actual conjuntura que enfrenta o desporto -rei no país. “De há uns tempos para cá, a nossa selecção de honras tornou-se um inquilino regular dos Campeonatos Africanos das Nações (CAN), facto que demonstrava que estávamos no bom caminho. Hoje, porém, o quadro começa a mudar de figurino e de habituais participantes agora corremos o risco de ficar longe dessa grande cimeira”, disse.

O coordenador do Girabairro no Bié critica as estruturas que dirigem o futebol nacional por tentarem de forma amiúde optar por projectos imediatistas, cujos resultados tardam a chegar. Deste modo, disse,"é preciso trabalhar na base. Mas, pelo facto de na base não se tirar grandes contrapartidas como nos escalões etários mais altos, talvez seja por essa razão que os nossos dirigentes desportivos relegam esta aposta para um segundo plano”.

Para o também responsável do Movimento Espontâneo no Bié, é tempo de seguir o exemplo de outros países do continente, que conseguiram sacudir a pressão, trabalham muito mais em prol do desenvolvimento do  futebol.

“Exemplos como os da Nigéria, Camarões e até do Egipto, a selecção mais titulada do futebol africano, devem servir de referência a Angola. Se já se deu conta que o actual cenário nos é desfavorável, então temos de parar, repensar seriamente e começar a traçar uma nova filosofia para tirar o futebol nacional do estado em que se encontra”.

Manuel Chimuco acrescentou, ainda nesse particular, que o fraco desempenho dos Palancas Negras nas eliminatórias da corrida ao CAN do Gabão, em 2017, é reflexo de todo este quadro negativo com que Angola se confronta na estrutura do seu futebol.

“Como homem de futebol e do desporto, considero que a segunda derrota frente ao Congo Democrático que veio praticamente deitar por terra a possibilidade de marcarmos presença no Gabão, já era previsível. Agora só resta trabalhar mais”, disse.

Dirigente duvida da qualificação ao CAN

Manuel José Chimuco, coordenador do Girabarro no Kuito (Bié) disse que a Selecção Nacional de futebol em honras está ainda muita longe da similar da República Democrática do Congo (RDC). “Tendo em conta a capacidade demonstrada pela selecção da RDC, com um naipe de atletas que atravessa bom momento de forma, bem dotados técnica e tacticamente, bem como na vertente psicológica, acho que Angola está longe dessa performance”.

Manuel Chimuco refere que o segundo jogo com os Simbas  assumia-se como de capital importância para Angola, já que o eventual deslize (e até mesmo o empate) colocava o conjunto nacional numa condição de “dependente de terceiros”.

“Penso que o factor psicológico foi dos maiores males com que o conjunto se deparou. Além disso, faltou velocidade e alguma capacidade dos nossos jogadores nas transições da defesa para o ataque, bem como falta de discernimento dos avançados”, disse.

O coordenador provincial do Girabairro no Bié revelou-se ainda a favor das substituições operadas pelo técnico José Kilamba neste jogo com os “Leopardos”.

“Penso que terão sido acertados, pese embora não tenham sortido os efeitos desejados. Por outro lado, a saída forçada de Bastos deixou também um «buraco» no seio do conjunto, que acabou por ser bem explorada pela selecção da RDC”, justificou.

Porém, o responsável do Girabairro no Bié considera que “realisticamente falando” está praticamente consumada a ausência de Angola no Gabão-2017.

“O que resta ao conjunto nacional é apenas ganhar os próximos jogos, uma tarefa que Manuel Chimuco considera “difícil, mas não impossível”, para dignificar os amantes do desporto-rei angolano que estão com selecção quer nos momentos “bons” como nos “maus”.
SÉRGIO V. DIAS, NO CUITO