Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Desporto contribui na satisfação da vida social

José Chaves, no Kuito - 12 de Novembro, 2010

Felizardo Capepola, presidente do voleibol do Bié

Fotografia: José Chaves

Está a marcar os primeiros passos. A modalidade estava inactiva durante vários anos, mas com o esforço, abnegação e trabalho dos membros da associação local e alguns agentes desportivos, conseguimos ressuscitar a disciplina. Apesar das dificuldades, levamos a bom porto os nossos intentos. Não é fácil revitalizar uma modalidade que estava desaparecida do mapa desportivo local durante mais de duas décadas. Hoje, posso afirmar que já se pratica o voleibol no Bié.

Pode-se afirmar que as coisas correm a contento...
No que tange à revitalização, demos um passo grande; uma volta de 360º. Por exemplo, há crianças que nunca tinham praticado o voleibol e, hoje, atraímos mais petizes à prática do voleibol.
 
Falou em mais petizes. Quantos clubes estão inscritos na Associação?
A Associação controla cinco clubes e quatro núcleos, designadamente, Escola de Formação de Professores dos Irmãos Maristas, Escola 314, Instituto Médio de Gestão do Kuito, Instituto Médio Agrário do Andulo e Núcleo de Kamacupa (todos clubes) e três núcleos localizados na cidade do Kuito.

Quantos atletas estão inscritos na Associação?
Temos um número que consideramos ínfimo. A associação controla 80 atletas, dos quais 25 masculinos e 56 feminino.

Que estratégia adoptaram para aumentar a adesão de praticantes?
Os jovens  têm uma participação positiva. Aliás, essa zona do território nacional já foi considerada a província desportiva, porque eram praticadas inúmeras disciplinas. A juventude local está ávida em praticar o voleibol.

Associação
quer apoios 

Que dificuldades enfrenta a Associação?
A escassez de apoios financeiros afecta o programa de expansão e massificação. Não há apoios e o problema dificulta a revitalização e a massificação da disciplina. A pouca oportunidade de apoio traduz-se na lenta dinamização e a falta de material desportivo também é outro problema que aflige o voleibol no Bié.

Perante as dificuldades, que projectos têm em carteira?
Vamos continuar a apostar na formação, porque é um projecto a ser implementado e vai beneficiar menores residentes nas sedes municipais e outros provenientes de localidades e povoações inseridos no sistema de ensino público. Por outro lado, a nossa aposta vai passar pelo reforço dos planos de formação nos escalões de iniciados, juvenis e juniores para que alcancemos níveis mais elevados.

Adivinha-se o surgimento de bons voleibolistas?
Pode ser que sim, mas tem de haver, primeiro, muitos praticantes, dirigentes, treinadores e infra-estruturas vocacionadas para a prática do voleibol. Caso haja essas condições, podemos atingir os níveis das demais províncias a breve trecho .Vamos trabalhar também para que possamos encontrar clubes com capacidade para acolher os atletas em formação.
 
A alteração do actual quadro do voleibol na província passa apenas pela formação de atletas ou há um programa específico?
É necessário apostar rápido na criação de uma escola provincial para permitir a lapidação de novos valores. O elenco está a criá-los através de ciclos de palestras nas escolas do I Ciclo, do II ciclo, Secundário e Médio, respectivamente. Para o êxito dessa árdua tarefa é importante continuar a apostar no estabelecimento de parceria com o sector da Educação, sobretudo, os professores de Educação Física para que, nos próximos anos, se comece a organizar de forma efusiva as actividades desportivas, especialmente, o voleibol nas escolas.

APVB aposta na massificação
em todos os municípios do Bié

Em quantos municípios da província se pratica o voleibol?
Nessa primeira fase, está a ser praticado em três municípios, designadamente, Kuito (sede), Andulo e Kamacupa. A Associação Provincial de Voleibol do Bié pretende incrementar, no próximo ano, um projecto de descoberta de valores nos nove municípios. Numa primeira fase, pretendemos iniciar com trabalho de pesquisa nos municípios de Nharea, Andulo, Kamacupa e Chinguar para, posteriormente, passar para as localidades de Kunhinga, Chitembo e Katabola. Queremos descobrir a médio prazo o maior número possível de talentos para o voleibol bieno, com o intuito de massificar e revitalizar nessa zona do Centro Sul do país. Temos matéria humana que precisa de ser trabalhada, por isso, vamos empenhar-nos e descobrir valores no interior.

Quantos técnicos trabalham na província?
É um dos muitos problemas com que a província se debate: a falta de treinadores. Actualmente, temos dois técnicos. Os restantes são monitores que contribuem para o desenvolvimento do voleibol.

Quando foram dados os primeiros passos para “ressuscitar” o voleibol?
Há três anos atrás começaram os primeiros passos. Em 2008, tivemos a nossa estreia nos IV Jogos Nacionais Escolares disputados na cidade do Kuito. A partir daquela actividade nunca mais paramos.

O Bié fez-se representar no campeonato nacional com um Misto. Que balanço se lhe oferece fazer da participação?
A equipa do Misto do Bié participou no campeonato nacional sénior masculino, que decorreu na vizinha província do Huambo, para ganhar experiência e era constituído por atletas da categoria de juniores. A participação foi positiva, porque foi a nossa primeira aparição nacional. O próximo passo será a participação nos campeonatos nacionais da categoria de juvenis e de juniores, respectivamente. Acredito que teremos um futuro cada vez melhor no voleibol.

Como caracteriza os campeonatos disputados no Huambo?
Foram bem disputados. O evento serviu para despertar o gosto pela modalidade na população do Huambo e também a do Bié. Considero sensacional o desempenho de todas as equipas participantes na competição. Espero que a Federação Angolana de Voleibol continue a apostar na realização de provas no interior do país com o fito de desenvolvê-la em todo o território nacional.

Como estão servidos em infra-estruturas?
É outro handicap. As equipas locais debatem-se com a falta de um  recinto próprio para a prática do voleibol. Geralmente, utilizamos o campo da Nossa Senhora da Paz. Nos dias que correm, a direcção do Sporting Clube do Bié disponibilizou-nos o seu pavilhão para que possamos utilizar num espaço de duas horas diárias.

A associação tem realizado competições...
Temos realizado algumas provas, nas quais participam equipas que estão inseridas no desporto escolar; são equipas que têm contribuído para o desenvolvimento do voleibol na província.

Quando teremos a realização de um campeonato provincial?
É um objectivo traçado, mas temos problemas de clubes. No Bié, existem poucas equipas. No entanto, vamos fazer tudo para que, a curto e médios prazos, possamos realizar os campeonatos provinciais nas categorias  de formação.

Que apelo faria às autoridades locais que regem o desporto, aos agentes do desporto e aos empresários do Centro Sul do país?
Apelo às pessoas singulares, colectivas, amigas do desporto e empresários desta província para que apoiem o desporto, em especial, o voleibol que está a dar os primeiros passos. O desporto contribui na satisfação da vida social; é um factor importante na sociedade. O Estado deve continuar a intervir directamente no desenvolvimento desportivo.

>> Por dentro

Nome: Felizardo Guilherme Brito Capepola
Naturalidade: Kuito
Data de Nascimento:25/7/1976
Altura: 1,70m
Peso: 67kg
Cor preferida: Castanha
Modalidade preferida: Voleibol
Prato preferido: Pirão com Lumbi e carne seca
Bebida preferida: Água e Quissângua
Companhia: Esposa
Droga: Contra
Poligamia: Respeito