Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Devemos combater os corruptos na arbitragem para moralizar"

Augusto Fernandes e João Francisco - 05 de Dezembro, 2012

Antes de entrar para o mundo da arbitragem, Ambrósio Silvano jogou futebol federado no Otrak de Viana mas, infelizmente, uma grave lesão no dedo de um dos pés acabou com a sua curta carreira como futebolista, quando tinha apenas 15 anos de idade. Entretanto, como o amor ao desporto rei continuava, decidiu ser treinador dos caçulinhas da sua equipa durante um ano. Em 1995 realizou-se um torneio denominado “Gira férias”, em Viana, onde se estreou como árbitro. “Como precisavam de árbitros eu alistei-me porque tinha alguns conhecimentos de treino desportivo e conhecia bem as principais regras do futebol. No final do torneio fui considerado o melhor árbitro”, começou por nos dizer.A partir daquela data e porque também recebeu muitos elogios e encorajamento para prosseguir nesta carreira, Ambrósio continuou ligado à arbitragem no famoso torneio Girabairro, Taça do Presidente. Um dos principais incentivadores foi Vieira Dias, um grande amigo seu.

Ambrósio sustenta que a sua maior fonte de encorajamento e inspiração foi o categorizado árbitro internacional Hélder Martins. “Eu ficava, e fico, sempre atento às arbitragens dele desde o Girabairro. O Hélder é um excelente professor de arbitragem mesmo à distância”, adiantou.Ambrósio continuou: “Dificilmente a pessoa olha para o seu trabalho em campo sem se maravilhar com forma como actua. O professor Leopoldo Mavunza, na qualidade de coordenador da comissão de árbitros,  Ramalhoso, Manuel Pinto e outros grandes nomes da arbitragem também são responsáveis pelo amor que nutro pela arbitragem”, acrescentou. Em 2007, Ambrósio Silvano inscreveu-se na APFL (Associação Provincial de Futebol de Luanda) e frequentou o seminário de um mês e durante o ano foi tendo aulas audiovisuais e outras nas reuniões das sextas-feiras da APFL.

Neste período “bebeu” conhecimentos dos professores Iludovic Dias, Vasconcelos e Leopoldo Mavunza, todos eles quadros da FIFA, que lhe deram muito conhecimento sobre a arbitragem. Assim, desde 2006, o Ambrósio Silvano tem apitado jogos do Girabairro e do Provincial.Em 2009, por motivos de doença, Ambrósio Silvano teve de fazer uma paragem forçada na sua formação como homem do apito, retornado em 2010, situação que retardou o seu progresso rumo à ascensão a outras categorias.Em 2011, durante um treino semanal de árbitros no campo do São Paulo, Ambrósio teve outro acidente. “Pisei em falso numa zona de drenagem e fracturei o tornozelo. Fiquei mais uma vez parado cerca de nove meses e só recomecei a apitar em Julho deste ano”, frisou. “As más arbitragens que às vezes acontecem não são propositadas. Temos de ter em mente o factor erro humano. Às vezes o árbitro pode perder o controlo de um jogo se for muito pressionado. Ele pode enervar-se e aí…”, rematou, quando questionado sobre o que se passa com os seus colegas de profissão no Girabola.

“O ideal era termos mais uma lista a concorrer nas eleições da FAF”Para Ambrósio Silvano, as eleições de 15 de Dezembro na Federação Angolana de Futebol (FAF), em que concorre uma lista única, encabeçada pelo General Pedro Neto, deviam ter pelo menos mais uma lista. “Em primeiro lugar tenho a dizer que se fôssemos pelas leis democráticas, seria bom para o futebol nacional que tivéssemos duas listas a concorrer. Mas, infelizmente, o outro candidato, o ex-vice-presidente do elenco de Justino Fernandes, Artur de Almeida, acabou por desistir, o que me entristece”, argumentou.Sobre a candidatura do General Pedro Neto, o homem ligado à arbitragem disse que o candidato cessante merece apoio das Associações provinciais e dos agentes desportivos, por não ter feito um mandato completo, mas sim, complementou o mandato, de sensivelmente dois anos, deixado pelo seu antecessor, Justino Fernandes. “O General Pedro Neto esteve muito pouco tempo na FAF. Era bom dar-lhe uma oportunidade de fazer um mandato de quatro anos e só depois é que as pessoas deviam pedir contas e cobrar resultados”, frisou.

CONSELHO NACIONAL DE ÁRBITROS
“Arbitragem está bem servida”


Em relação ao Conselho Nacional de Árbitros para o próximo quadriénio, Ambrósio Silvano também manifestou a sua satisfação. “É com bastante alegria que me apercebi que no novo elenco proposto para este órgão constam os nomes de duas pessoas  que continuam a dar muito pela arbitragem, que são os professores Muluta Prata e Belmiro Carmelino, nos cargos de presidente e vice-presidente, respectivamente, o que é de facto uma mais valia para o sector”,  revelou.“Particularmente, o professor Belmiro Carmelino, pessoa que conheço muito bem e do qual continuo a beber experiência, foi quem formou os árbitros para os Caçulinhas do Girabola e aprendi muito trabalhando com ele”, disse.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

O que acha da corrupção na arbitragem?
Aí é que está o grande problema do nosso futebol. O árbitro é o elo mais fraco e quando algumas equipas perdem é muito fácil atirarem-se contra o árbitro. Quando dizem que os árbitros são subornados precisam de saber se realmente existe suborno e quem são os que subornam.

Como devemos combater este fenómeno?

O mais importante é detectar quem suborna. Creio que o árbitro nunca vai ter com alguém propondo que lhe paguem para beneficiar A ou B. Deve-se combater os corruptores na arbitragem. A polícia pode entrar em acção.

Quando é que temos uma melhor arbitragem?

Só podemos ter bons árbitros quando houver boa organização. Talvez a criação de uma liga de futebol onde os níveis de exigência e condições são mais elevados poderá melhorar a nossa arbitragem. Quando as despesas com as equipas de arbitragem forem custeadas pela FAF e não pela equipa visitada, haverá igualmente maior profissionalismo (...)

Além de ser árbitro o que mais faz?

Terminei há pouco tempo o curso médio de gestão. Além disso sou motorista particular e como todo o angolano que luta pela vida, faço outras coisas para o pão de cada dia.

Vale a pena ser árbitro?

Nenhum árbitro em Angola vive da arbitragem. Apitamos mais por amor à profissão. Mas se tivesse que escolher entre ser árbitro na Europa e cá, preferia sê-lo na Europa.

POR DENTRO 

Nome completo: Ambrósio Jorge Silvano
Filiação: Jorge Silvano e Laurinda José Tchaca
Naturalidade: Luanda
Data de nascimento:  8 de Agosto de 1985
Estado civil: Vive maritalmente
Filhos: Uma menina
Altura: 1,64 m
Peso: 60 kg
Calçado: 42
Hobby: Passear com a família
Música: Rap
Prato: Um bom cozido
Bebida:
Coca-cola
Perfume: 212 Man
Cor: Vermelha
O que mais teme: Viajar de avião
O que mais detesta: A discriminação
Defeito: Querer fazer tudo na perfeição
Virtude: Ser simpático
Tem carro: Não
Casa: Não
País de sonho: Brasil
Sonho: Ser arquitecto formado nos Estados Unidos