Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Devamos apostar em tcnicos espanhis

17 de Agosto, 2010

Pedro Jacinto sugere tcnicos espanhis nos escales de formao em Angola

Fotografia: Jornal dos Desportos

Que diferença existe entre o basquetebol angolano e o português?
A falta de qualidade no nosso basquetebol é a grande diferença, pois as equipas portuguesas preocupam-se em investir na modalidade, enquanto, no nosso país, as angolanas nem tentam sequer arriscar no investimento para o crescimento do basquetebol, tornando-se meros espectadores.

O basquetebol angolano ocupa um lugar de destaque em África...
Claro que sim. Agora, pergunto: quantos jogadores angolanos estão a jogar em grandes clubes a nível do mundo? Se em África, Angola dá cartas, é um motivo de orgulho, o que nos leve a trabalhar cada vez mais para que estejamos em lugares aceitáveis a nível do Mundo.Porém, devo concluir que ao ganharmos sempre é sinal de que os outros países africanos investem pouco na modalidade. 
 
Quer dar um exemplo?
Nas melhores equipas de Angola, dificilmente, se conseguem detectar jovens de 16 anos que estão no topo, mas têm indicações de que há atletas com elevado potencial e podem ser grandes jogadores no futuro. Essas e outras situações criam dificuldades no desenvolvimento da nossa modalidade.

No seu ponto de vista o que se deve fazer para a mudança do quadro?
Investimentos muito sérios na formação, área que devíamos apostar em técnicos espanhóis e não portugueses como até agora se faz. Se apostarmos em técnicos espanhóis, poderemos ter um basquetebol em Angola mais saudável e não o que temos de momento. Assim sendo, os investimentos têm de partir das equipas ou então dos próprios clubes.

Antes de abandonar o país em que equipa jogou?
Representei o 1º de Agosto nas categorias de juvenis e de juniores, nos anos 80, ao lado do Quinzinho, Paulo Macedo, entre outros.A partir da qual ganhei o gosto e formei-me em treinador de basquetebol.

Que razões o levaram a abandonar o 1º de Agosto e o país?
Houve motivos de vária ordem, acrescidos da falta de apoios para que pudesse atingir os objectivos preconizados na altura.

Há quanto tempo está de regresso a Angola?
Regressei ao país, há quase um ano e meio.

Depois de muito tempo a viver em Portugal, que objectivos definiu para o país?
Como angolano que sou, voltei em definitivo ao país que me viu nascer para dar o meu contributo naquilo que sei fazer.Vou sondar o mercado de basquetebol de formas a dar o meu apoio no desenvolvimento da modalidade.Vai ser uma aposta séria nesta área.

Que projecto trouxe a Angola?
Após a minha chegada a Angola, rumei para a cidade do Huambo, onde fiquei oito meses a massificar o basquetebol.Por falta de apoios, abandonei o projecto.

A que apoios se refere?
Toda a pessoa, que se desloca para uma determinada localidade, no sentido de dar formação, merece receber um certo apoio de quem de direito. São apoios que se circunscrevem no melhoramento das instalações de treinos, apoio logístico (alimentação, água) para as crianças que vão receber os treinos e outros apoios inerentes à formação. A atenção e o carinho também devem constar das prioridades, o que não aconteceu.

Equipas angolanas
devem ter olheiros


Depois de falhar o projecto na província do Huambo.O que pensa fazer?
Nem tudo está perdido;procurarei encontrar algo para fazer. E o que mais gosto é formar ou treinar as pessoas.Não importa onde. Desde que seja dentro do país, estou disponível a fazê-lo.

Especula-se que há um atleta formado por si que se encontra nos Estados Unidos da América. Até quando é verdade?
Chama-se Jony Pedro, um atleta com 2,10m de altura. É filho do antigo praticante Adriano Baião vinculado ao Desportivo da Huíla. Em determinado momento, uma empresa mostrou interesse em que eu trabalhasse o atleta em Luanda, embora representasse o Desportivo da Huíla. Aceitei a empreitada e trabalhei o jovem até amadurecer. Estranhou-me, quando recebi a informação de que o Jony se tinha transferido para os Estados Unidos da América, sem me dar qualquer satisfação, o que considero uma atitude desonrosa.

 
Que conselhos daria às entidades que superintendem o basquetebol no país?
Aos dirigentes e governantes desse país que estiverem interessados em mim, podem contactar-me, porquanto estou interessado em abraçar projectos ligados à formação. Amo o basquetebol e estou inclinado de cabeça e alma. Gostaria de passar o meu testemunho aos mais jovens para que a modalidade não tenha recuos no seu processo.

E para as equipas, em particular?
Que as nossas equipas tivessem olheiros para descobrir outros talentos que actuam fora do país, como por exemplo, nos Estados Unidos da América, Portugal, entre outros. Pela experiência acumulada, porque já tive um caso que não me lembro bem, mas creio ser o Armando Costa, jogava Basquetebol em Portugal e a Federação Angolana não sabia nada do rapaz, o que originou a chamada rápida dos portugueses. Essa situação obrigou-nos a ir atrás do prejuízo para o termos. Hoje, é uma mais-valia da Selecção Nacional de Angola. 

"Zé Carlos e Jean Jacques
passaram por mim"


Que recordações tem de Portugal?
Vivi em Portugal durante 24 anos e fui responsável da Comunidade Africana, um cargo que pesava sobre os meus ombros.É uma responsabilidade que visava tirar as crianças dos maus caminhos e influenciá-las a praticar o basquetebol a custo zero.Após a minha chegada, lembro que enfrentei vários problemas, pois faltava-me documentação para exercer as minhas funções.

Disse que fazia a custo zero.Como suportava as despesas pessoais?
Para além de dar treinos a pessoas interessadas no período diurno, trabalhava no período nocturno como agente de segurança, onde tinha um ordenado normal que sustentava as minhas necessidades.

Que resultados obteve nessa empreitada?
Obtive bons resultados, pois formei muitos jogadores, dos quais consta o Armando Costa, actualmente no 1º de Agosto, Euclides Camacho, José Carlos Guimarães, Jordão, Jean Jacques da Conceição, embora jogasse no Benfica, procurou-me para treinos, entre outros que a memória não me lembra. São jogadores que deram e dão cartas em muitas equipas.

Quais foram as equipas que treinou em Portugal?
Não estive vinculado a nenhuma equipa, mas apenas como treinador nas várias Faculdades, todas nos escalões de seniores, que competiam nos campeonatos universitários, tais como a de Direito, Ciências e outras. Só para situar melhor: quatro jogadores da equipa do Benfica de Portugal, que ganhou o Torneio da Compal’, foram meus atletas, principalmente, João Santos, Miguel Barroca, Eki Viana e Guilherme.

Considera-se um treinador com grande experiência?
Sou treinador de profissão, formado em Educação Física.Pretendo dar sequência; passar o meu testemunho à juventude, pois há muita matéria-prima angolana por se explorar.Noutro capítulo, aprendi outras coisas, tais como o relacionamento com o próximo, saber estar nesta sociedade em que todos somos iguais.

>>Por dentro ...

Nome: Pedro Jacinto (Pemba)
Data de Nascimento: 5/8/1967
Naturalidade: Uíje
Nacionalidade: Angolana
Estado civil: Casado
Filhos: Um
Altura: 1,80 cm
Peso: 98 Kgs
Clube: 1º de Agosto
Desporto ideal: Basquetebol
Tabaco: Não
Bebidas: Não
Número de calçado: 44
Princesa encantada: Esposa
Música: Semba
Prato preferido: Funje com qualquer molho
Cor preferida: Verde
Religião: Católica
Calor ou cacimbo? Cacimbo
Esplanada ou discoteca? Esplanada
Boleia ou volante: Volante
Droga: Contra
Poligamia: Respeito
Filme: Acção
País: Angola
Província: Huambo